Respeitar a Constituição

Até se decidir, na terça-feira, pela indigitação de António Costa como primeiro-ministro, o Presidente da República procurou adiar o mais possível essa que era a única solução constitucionalmente viável para a governação do País. Na véspera, após uma reunião com o secretário-geral do PS em que não o indigitou mas apenas o encarregou de «desenvolver esforços tendo em vista apresentar uma solução governativa estável, duradoura e credível», Cavaco Silva fez ainda um conjunto de exigências.

Nesse mesmo dia, Jerónimo de Sousa proferiu uma declaração em que acusou o Presidente da República de, com as exigências feitas a António Costa, fazer uma «nova e derradeira tentativa» de salvar a maioria PSD/CDS e criar um «novo pretexto na linha da obstaculização institucional da solução governativa existente». O Secretário-geral do PCP lembrou na ocasião que as «únicas condições exigíveis são as que obrigam o Presidente da República a respeitar a vontade da Assembleia da República com o que ela expressa de vontade popular», ou seja, «dar cumprimento à Constituição da República Portuguesa».

Reafirmando a «Posição conjunta do PS e do PCP sobre solução política», tornada pública a 10 de Novembro e transmitida ao Presidente da República poucos dias depois, Jerónimo de Sousa criticou Cavaco Silva por exigir a António Costa o que não só não exigiu a Passos Coelho quando sabia não existirem condições para a formação de um governo PSD/CDS. O dirigente comunista apelou ainda à «resposta democrática» dos trabalhadores e do povo a mais esta tentativa presidencial de «subverter a Constituição».

Na sexta-feira anterior, após sair da audiência com o Presidente da República, Jerónimo de Sousa exigiu que fosse cumprida a «vontade popular», a vontade da maioria dos deputados e, mais importante, a Constituição da República Portuguesa.

 



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