Luta e confiança
O PCP vai realizar amanhã e no dia 17 de Outubro, respectivamente em Lisboa e no Porto, dois comícios, inseridos num conjunto de iniciativas de esclarecimento dirigidas aos trabalhadores e à população.
Intervenção diversificada e uma pronta iniciativa política
O comício de Lisboa tem lugar na Faculdade de Ciências (Alameda da Universidade de Lisboa), às 21 horas, e o do Porto, às 15 horas, no Instituto Superior de Engenharia (ISEP), com a participação de Jerónimo de Sousa, Secretário-geral do PCP.
A informação foi avançada após a reunião do Comité Central (CC) do PCP. Na Resolução do CC sublinha-se «as grandes exigências que estão colocadas à acção do colectivo partidário» após as eleições para a Assembleia da República, que «reforçam a necessidade de uma intervenção diversificada e uma pronta iniciativa política, do desenvolvimento da luta de massas, do reforço do Partido, a par da preparação das eleições presidenciais».
Neste sentido, aponta-se a necessidade da «realização de reuniões e plenários de militantes aos diversos níveis da estrutura partidária, promovendo a análise da situação actual e programando o seu trabalho e intervenção».
Sem legitimidade
Anteontem, reagindo à declaração do Presidente da República sobre a formação do futuro governo, João Oliveira, membro da CC do PCP e deputado, acusou Cavaco Silva de «ignorar» que no dia 4 de Outubro tiveram lugar eleições legislativas, nas quais o Governo PSD/CDS «foi derrotado, perdeu a maioria absoluta e deixou de ter legitimidade política para prosseguir o caminho de desastre que vinha executando». «O Presidente da República insiste na formação de um governo com a mesma composição política que foi derrotada nas urnas», denunciou.
O deputado comunista salientou ainda, em declarações à comunicação social, que não cabe a Cavaco Silva, mas sim aos partidos políticos, «criar condições para a formação de um novo governo». «Antes de auscultar os partidos para tomar uma decisão, o Presidente da República decidiu avançar num caminho de patrocinar a manutenção de um governo e das mesmas forças que, nas urnas, os portugueses disseram que não queriam que continuassem», criticou.
Acusando o Presidente da República de insistir «na perpetuação da política que vinha sendo executada», de «submissão externa» e «desastre do País», João Oliveira concluiu que PSD e CDS «não têm condições de legitimidade política na Assembleia da República para prosseguir a sua acção governativa» e que o PCP contribuirá «para que isso não aconteça». «Esperamos que da parte de outras forças políticas, nomeadamente do PS, haja a mesma perspectiva para interromper este ciclo de governação do PSD e do CDS», afirmou.