Protestos anti-Dilma perdem força

Brasil hoje na rua pela democracia

«Em defesa da democracia e por mais conquistas sociais» é a palavra de ordem dos movimentos sociais, sindicais e juvenis para a manifestação nacional de hoje, 20, no Brasil.

Incentivos ao ódio e à violência é que se mantiveram em alta

O objectivo assumido dos organizadores é promover uma grande manifestação em resposta aos ataques antidemocráticos da direita e da extrema-direita, com mobilizações e desfiles em todas as capitais estaduais. Em São Paulo, a concentração será no Largo da Batata, e a manifestação deve seguir até à sede da Rede Globo. As organizações envolvidas advogam, como tem sucedido em todos os fóruns de debate que a presidente Dilma Rousseff tem vindo a realizar com os movimentos socais, a retomada do projecto debatido durante a campanha eleitoral e que a diferenciou do projecto do seu mais directo opositor, Aécio Neves (PSDB).

«Foi aquela agenda que nós elegemos. Este ajuste fiscal, como está sendo posto, não condiz com o programa que elegemos. Este programa económico é neoliberal e está alinhado com as políticas norte-americanas», disse em encontro com a presidente Alexandre Conceição, um dos coordenadores do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).

Num recado claro ao governo, as organizações que hoje se manifestam repudiam claramente as intentonas de golpe mas exigem o prosseguimento das políticas que tiraram 40 milhões de brasileiros da miséria, permitiram a milhões de pessoas ter acesso a um médico, a uma casa, à educação, aos mais elementares direitos. E é justamente isso que a direita revanchista quer liquidar.

Protestos abaixo das expectativas

plano da oposição golpista de realizar protestos cada vez mais massivos que forçassem a queda do governo fracassou. As manifestações deste domingo, 16, mobilizaram muito menos gente do que as ocorridas em Abril, apesar da intensa campanha da comunicação social, da participação de Aécio Neves (em Belo Horizonte) e outras figuras gradas da oposição, e de o PSDB ter recorrido à televisão e à rádio para convocar a manifestação. Os incentivos ao ódio e à violência é que se mantiveram em alta: houve uma vez mais apelos ao golpe militar, à intervenção dos EUA, saudações nazis, palavras de ordem de morte à presidente, entre outras. Não faltou sequer um boneco insuflável de Lula, vestido de presidiário, que segundo a imprensa terá custado 12 000 reais (cerca de quatro mil euros!).

O medo das mudanças e da democratização efectiva mobiliza as classes dominantes. Os protestos de domingo, apesar de menores, são ainda significativos. Razões de sobra para a luta dos que hoje vão estar na rua para impedir um golpe que não seria «contra a Dilma, mas contra a democracia e a possibilidade de mudanças reais», como afirma o dirigente do MST João Pedro Stédile.

 



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