Túnel da morte
Milhares de imigrantes bloqueados em França tentam todos os dias atravessar o Canal da Mancha para chegar ao Reino Unido, pondo em risco as próprias vidas.
Cameron qualifica imigrantes de praga
Pelo menos dez pessoas perderam a vida nos últimos dias ao tentarem chegar ao Reino Unido através do Eurotúnel. Segundo a empresa que gere a infra-estrutura ferroviária do Canal da Mancha foram interceptadas mais de 37 mil pessoas desde o início do ano.
Calcula-se que estejam acampados no município francês de Pas de Calais cerca de três mil imigrantes. Durante a noite tentam a sua sorte, avançando em grupos para as composições que transportam camiões e automóveis para o Reino Unido.
Face às condições de vida degradantes, várias organizações não-governamentais, como os Médicos do Mundo ou a Cáritas, instalaram no local meios de assistência habitualmente usados em cenários de guerra ou de catástrofe.
Ao contrário, os governos dos dois países preferem ignorar o drama humanitário, apostando exclusivamente no reforço dos meios de segurança e no policiamento.
Para o primeiro-ministro britânico, David Cameron, os imigrantes são simplesmente «uma praga». Para erradicar o mal, anunciou prontamente mais 15 milhões de euros para a construção de novas vedações e valas em torno do terminal de embarque.
Este montante soma-se aos dez milhões anunciados anteriormente pelos governos de França e Reino Unido para reforçar a segurança ao longo das vias. O presidente francês, François Hollande, também prometeu elevar o número de agentes policiais para um total de 550.
Os activistas que defendem os direitos dos imigrantes criticam a política «dissuasora», lembrando que, na sua maior parte, se trata de refugiados de países em guerra. E como o fluxo de refugiados irá manter-se devido aos conflitos que atingem vários países às portas da Europa, em vez da repressão, consideram que os governos deviam encontrar formas de acolher estas pessoas, tanto mais que dispõem dos meios suficientes.