Protesto massivo
Centenas de milhares de pessoas manifestaram-se, dia a 20, em Londres e outras cidades britânicas contra a continuação das políticas de cortes sociais e aumento das desigualdades.
Mais de 250 mil pessoas encheram ruas e praças de Londres
O protesto, que juntou mais de 250 mil pessoas na capital britânica e muitos milhares em Glasgow, Liverpool e Bristol, culminou uma série de acções, iniciada poucos dias depois da vitória dos conservadores, nas legislativas de 7 de Maio.
Tal como muitos previam, a manutenção dos conservadores no poder, desta vez com maioria absoluta, significaria cortes sociais e nos serviços públicos
ainda mais drásticos, a pretexto da necessidade de eliminar o défice das contas públicas.
Com efeito, o anúncio de mais privatizações e cortes orçamentais não tardou. Para os próximos dois anos, o governo de David Cameron vai cortar 30 mil milhões de libras (42 mil milhões de euros), dos quais 12 mil milhões de libras (16,7 mil milhões de euros) serão retirados às prestações sociais. Os números concretos surgirão já na proposta de orçamento do Estado que será apresentada em Julho.
Assim, para Sam Fairbairn, as manifestações de dia 20 foram apenas «o princípio de uma campanha de protestos, de greves, acções directas e de desobediência civil por todo o país».
Esta posição do representante da Assembleia Popular Contra a Austeridade, movimento que tem organizado os protestos em conjunto com formações de esquerda, sindicatos e organizações contra a guerra, é secundada por Neil Sheehan, dirigente do poderoso sindicato Unite: «Somos o sexto país mais rico do mundo e o governo quer empobrecer-nos com um programa de austeridade duas vezes mais severo do que aquele que nos impôs nos últimos cinco anos».
Ao lado de enfermeiros, médicos, professores, advogados, estudantes, pensionistas, deficientes em cadeiras de rodas, na marcha em Londres juntaram-se várias celebridades do mundo do espectáculo e dirigentes de diferentes partidos, designadamente Martin McGuinness, vice-primeiro-ministro da Irlanda do Norte e destacada figura do Sinn Féin.
Pelo seu lado, o partido trabalhista não apelou oficialmente à participação na jornada. No entanto, o deputado Jeremy Corbyn, concorrente à liderança do partido, foi um dos oradores que subiram ao palanque em Westminster para denunciar a austeridade como «um pretexto para justificar as desigualdades».