- Nº 2167 (2015/06/11)
Condições de vida agravam-se em Espanha

Quase um terço na pobreza

Europa

A parte da população em Espanha que vive abaixo do limiar da pobreza aumentou de 20,4 para 22,2 por cento, mas a pobreza real já atinge 29,2 por cento.

Segundo o inquérito às condições de vida de 2014, divulgado em final de Maio pelo Instituto Nacional de Estatística de Espanha, a população que vive abaixo do limiar da pobreza aumentou quase dois pontos percentuais em relação ao ano anterior.

Todavia, as estatísticas também mostram que os rendimentos médios anuais das famílias baixaram 2,3 por cento, para os 26 154 euros.

Ora, como o limiar da pobreza representa 60 por cento do rendimento mediano, a redução dos salários «excluiu» automaticamente da pobreza uma parte das pessoas antes consideradas pobres.

Esta aberração estatística verificou-se em vários países. Em Portugal, por exemplo, o limiar da pobreza por adulto baixou de 5207 euros anuais, em 2009, para 4906 euros em 2012.

No entanto, o rosto da pobreza torna-se mais duro quando se verifica as condições de vida reais das famílias, mesmo que estatisticamente vivam acima daquele limiar.

Para isso, o INE de Espanha elaborou o chamado índice «Arope», que combina os rendimentos com a satisfação de necessidades básicas. Concluiu que a pobreza real, ou seja, as pessoas que vivem sem máquina de lavar roupa, sem telefone, sem meios para pagar as contas da luz, do gás ou da água, sem aquecimento e até sofrendo de carência de alimentos, representavam 29,2 por cento da população, em 2014, contra 27,3 por cento no ano anterior (em números absolutos são 13 milhões e 567 mil pessoas).

O estudo indica ainda um forte aumento da pobreza infantil, que passou de 21,9 por cento, em 2013, para 35,9 por cento, em 2014 (+3,5% num ano). Em Espanha um em cada três menores de 16 anos é pobre.

As comunidades com maiores índices de pobreza são Ceuta (44,3%), Múrcia (37,2%) Andaluzia (33,3%) e Extremadura (33,1%). Os menores índices de população abaixo do limiar da pobreza registam-se no País Basco (10,2%) e Navarra (11,9%).