Intervir para transformar
Sob o lema «Soluções para uma vida melhor na cidade de Lisboa e no País», realizou-se sábado, na «A Voz do Operário», um Encontro da CDU, que contou com a participação de eleitos no município e nas várias freguesia de Lisboa, bem como activistas do PCP, do PEV e da ID.
Espaço privilegiado de participação, debate e realização
Durante os trabalhos foi dada ênfase não apenas ao balanço dos 18 meses de mandato em Lisboa, mas também ao projecto da CDU no plano nacional.
A nível municipal, foi reafirmado que a paternidade da Reorganização Administrativa Local pertence, efectivamente, ao PS/António Costa em Lisboa, tendo dado mote para a posterior reforma administrativa gizada por Miguel Relvas no Governo PSD/CDS. Consequência directa desta reforma em Lisboa é o desmantelamento e esvaziamento dos serviços do município, através da transferência de trabalhadores e de competências que atinge todas as áreas da vida municipal, com relevância para a Educação e o Desporto, bem como na remoção dos resíduos sólidos.
João Ferreira, vereador na Câmara Municipal, deu a conhecer que a governação de António Costa já levou à redução de 1200 postos de trabalho, que, somados ao número de trabalhadores transferidos para as juntas de freguesia, perfazem um total de 2500 dispensados.
Durante o Encontro, nas diversas intervenções, não foram esquecidas as negociatas em que a gestão de António Costa tem vindo a beneficiar a especulação imobiliária, relativas à venda de património municipal, com relevo para os terrenos de Alcântara, de Carnide, do Palácio do Marquês de Tancos, do Aeroporto e do Parque Mayer. As críticas estenderam-se de igual forma à invasão da Baixa Pombalina por hotéis e hostels, contribuindo para a desertificação daquela parte da cidade, só possível devido à alteração de usos do património edificado pelo PS/Costa na Câmara.
Foi ainda referido o desinvestimento na Cultura, no Desporto e nos Espaços Verdes, tendo presente que a fruição destes equipamentos tem sido sujeito à interferência de multinacionais de promoção de espectáculos e de grandes superfícies comerciais nacionais.
A nível nacional, afirmou-se que há condições para fazer no País o que a CDU faz nas autarquias, sob o lema do trabalho, honestidade e competência. Neste sentido, urge romper com a política de direita, levada a cabo pelo PS e PSD, sozinhos ou coligados à vez com o CDS, que, ao longo dos últimos 38 anos, tem conduzido o País ao desmantelamento económico e social, agravado, nos últimos anos, pela ingerência da troika estrangeira (BCE, FMI, Comissão Europeia) na soberania nacional.
Jerónimo de Sousa
Preparar a verdadeira mudança
Segundo Jerónimo de Sousa, o Encontro da CDU acontece num momento em que a situação do País e os seus problemas assumem uma dimensão cada vez mais preocupante, mas também quando se perfila no horizonte uma importante batalha eleitoral e se abrem reais perspectivas de inverter o rumo de desastre a que o País está a ser conduzido.
«Aqui esteve patente e se mostrou o singular papel desta força que é a CDU, com um percurso de intervenção marcado pela entrega ao interesse dos trabalhadores e das populações, uma presença permanente em defesa dos seus direitos, das suas condições de vida e da sua dignidade, nestes tempos de tantas e legítimas inquietações ditadas por uma ofensiva que destrói a vida e o sonho de tantos que vivem ou trabalham na cidade», afirmou o Secretário-geral do PCP, que acusou a gestão municipal da maioria PS/António Costa de ser convergente «com o rumo e opções essenciais da política do Governo do PSD-CDS e na sua ofensiva contra os interesses populares» e complacente e colaborante «com os seus propósitos de destruição e recessão económica e social, quer no domínio da política em curso de desresponsabilização das funções sociais do Estado na saúde e na educação, quer no processo privatizador, designadamente nos transportes, quer no ataque aos serviços públicos».
Projecto colectivo
Dai a necessidade de um projecto colectivo assente na construção de uma ideia de cidade urbanisticamente sustentável e com vivência própria, sobretudo com justiça social, solidariedade e igualdade de oportunidades para aqueles que vivem e trabalham em Lisboa.
«Um compromisso que é também com a defesa e afirmação do Poder Local e da sua autonomia. Defesa e afirmação que são inseparáveis de uma ruptura com a política de direita, como o tem revelado a política prosseguida pelos governos do PS, PSD-CDS, com as suas medidas de asfixia financeira e de limitação à autonomia, concebidos para limitar a capacidade de realização e as condições de exercício para resolver os problemas das populações no quadro das suas competências», criticou Jerónimo de Sousa, referindo que a resolução dos «muitos dos problemas da cidade de Lisboa é inseparável da concretização da ruptura com a política de direita e da afirmação e concretização de uma política alternativa – patriótica e de esquerda, vinculada aos valores de Abril».
Demissão do Governo
Porque «os portugueses têm cada dia que passa novas e mais fortes razões para exigir que o actual Governo de Passos e Portas desapareça das suas vidas», as eleições legislativas deste ano, sublinhou o Secretário-geral do PCP, «constituem um momento da maior importância na luta pela ruptura com a política de direita e a concretização da viragem inadiável e necessária na vida nacional».
«Uma batalha de onde sairemos em melhores condições e mais próximos de construir a política alternativa patriótica e de esquerda, e de lutar pela alternativa política, quanto maior for a influência eleitoral da CDU, quanto maior o número de deputados eleitos», reforçou, lembrando que é preciso construir «uma grande, combativa e esclarecedora campanha eleitoral de massas, capaz de envolver o máximo das forças de cada uma das componentes da nossa Coligação [PCP-PEV] e os muitos milhares e milhares de independentes, democratas e patriotas, que sabem que reside na CDU e no seu reforço o elemento mais decisivo para a concretização de uma política alternativa».
Nesta campanha o contributo dos eleitos da CDU é imprescindível. «Pode haver quem pense que quem está à frente do trabalho autárquico não se deve expor e intervir nas questões nacionais. É precisamente ao contrário: se desvalorizarmos as questões do futuro do nosso país e a intervenção para a mudança, isso terá consequências negativas na influência política e eleitoral local, e na resolução dos problemas das populações que dependem também de uma mudança na política nacional», acentuou o Secretário-geral do PCP.