Tornar o sonho realidade
Foi há pouco mais de quatro meses que Jerónimo de Sousa anunciou a aquisição de mais terreno para a realização da Festa do Avante! e o lançamento de uma campanha de fundos para suportar tal audácia. De então para cá, em centenas de iniciativas e milhares de contactos, o colectivo partidário leva por diante com entusiasmo esta tarefa tão exigente quanto mobilizadora: fazer uma Festa do Avante! cada vez maior e melhor.
A Quinta do Cabo tem as condições necessárias para acrescentar qualidade à Festa do Avante!
O objectivo da campanha de fundos «Mais espaço, mais Festa. Futuro com Abril» é arrojado: angariar 950 mil euros para alargar a Festa do Avante! a um novo e amplo espaço, que reforce a sua ligação à baía do Seixal e possibilite uma reorganização dos espaços e dos serviços à disposição dos visitantes e dos construtores (ver caixa). Para além do inegável entusiasmo que o anúncio do Secretário-geral do Partido provocou, alguns terão pensado se esta decisão não seria, mais do que audaciosa, arriscada.
Hoje, apenas quatro meses passados sobre o anúncio feito por Jerónimo de Sousa na abertura da Festa do Avante!, só quem estiver completamente à margem do andamento da campanha poderá duvidar que os seus objectivos serão cumpridos. Fácil não será, é certo, mas impossível ainda menos.
Também em 1989, aquando da compra da Quinta da Atalaia, os tempos eram difíceis e exigentes. O que não impediu que no ano seguinte a Festa se realizasse pela primeira vez numa casa sua e que, de então para cá, a Festa do Avante! tenha vindo a crescer e a afirmar-se como um espaço ímpar de alegria, camaradagem, fraternidade, cultura e transformação social.
A campanha de fundos é daquelas tarefas – enormes, imensas – que se desenvolvem silenciosamente, quase sem se dar por ela. Pela sua natureza, não dá azo a comícios e discursos públicos (quanto muito, breves referências) e a comunicação social não fala dela, certamente por falta de «material noticioso». No essencial, concretiza-se em pequenas acções – como a realização de iniciativas de convívio, a dinamização de rifas e sorteios e, sobretudo, em muitas e muitas conversas (com comunistas e não comunistas) sobre a importância e significado da Festa do Avante!, dos valores que corporiza e projecta, do desafio de a tornar ainda melhor – que, multiplicadas por cem ou por mil, assumem uma dimensão gigantesca.
À semelhança da generalidade das tarefas partidárias, o êxito desta campanha depende do estabelecimento de objectivos audaciosos, de muita organização e, fundamentalmente, do empenho, criatividade e entusiasmo dos organismos e militantes do Partido. E os resultados aparecem.
Confiança
Se a campanha está centrada no fim específico e mobilizador que é a compra da Quinta do Cabo, o seu significado é muito mais vasto. Sobressai, desde logo, o facto de o PCP depender apenas da vontade e da determinação dos seus militantes e organizações para concretizar tão exigente objectivo. Tal como em todos os outros aspectos da sua actividade, também para a aquisição do novo terreno o PCP não contou nem contará com quaisquer apoios públicos ou donativos de grupos económicos e financeiros.
Outra questão relevante inerente a esta campanha é a confiança que dela emana, particularmente em tempos de acentuado empobrecimento dos trabalhadores e do povo. Uma confiança não apenas no colectivo partidário, mas em muitos milhares de simpatizantes do Partido e amigos da Festa, nos trabalhadores, na juventude e no povo. A mesma confiança que os comunistas colocam nas lutas que todos os dias travam contra a exploração e pela efectivação e concretização dos valores de Abril. Por maiores que sejam as dificuldades e os obstáculos, é sempre possível superá-los.
A campanha permitirá também ampliar a recolha de fundos e contribuir para o reforço dos meios financeiros para a actividade das organizações partidárias – factor essencial para a defesa da independência política e ideológica do partido da classe operária e de todos os trabalhadores.
A concretização desta campanha é, já se disse, uma tarefa imensa. Contudo, nada é se comparada com os objectivos que movem o Partido Comunista Português desde a sua fundação, há quase 94 anos.
Jerónimo de Sousa na abertura da Festa de 2014
Chão maior para uma Festa melhor
O anúncio do Secretário-geral do Partido foi feito ao final da tarde do dia 5 de Setembro, na abertura da 38.ª edição da Festa do Avante!. Recordamos as palavras de Jerónimo de Sousa: «(...) Há 25 anos, na abertura da 13.ª edição da Festa do Avante!, em Loures, o camarada Álvaro Cunhal anunciou a aquisição da Quinta da Atalaia e dizia que "terminava assim o jogo indigno de governos e outras entidades de cederem temporariamente terrenos abandonados, cheios de mato e pedras com a esperança de nos verem afundar-nos neles”.
«Uma outra aspiração se alimentou desde a primeira hora: o alargamento do terreno da Festa. Prosseguiu-se esforços com esse objectivo ao longo de 25 anos mas sem resultados. Surgiu finalmente a oportunidade, que não podíamos desperdiçar, de concretizar essa aspiração. Adquirir a Quinta do Cabo da Marinha, um terreno contíguo à Quinta da Atalaia com um enquadramento paisagístico de grande qualidade, arvoredo, espaço aberto, que permitirá aumentar em mais um terço o espaço disponível da Festa e alargar significativamente a sua ligação à Baía do Seixal. A Quinta do Cabo permitirá uma ainda maior valorização da Festa, o seu alargamento, o encontrar de melhores soluções para a reformulação dos seus espaços e enriquecimento dos seus conteúdos, para a melhoria da sua preparação, funcionamento e acolhimento dos visitantes.
«É uma decisão que corresponde a uma grande aspiração do colectivo partidário, dos visitantes da Festa, de todos os que a reconhecem como a maior realização político-cultural do País.
«É uma decisão audaciosa porque se afirmamos a nossa independência e autonomia em relação ao Estado e ao poder económico não será uma aquisição por cedência, dádiva ou favor do Estado, por favor da banca ou de qualquer grupo económico. É um empreendimento e um compromisso nosso. Lançaremos uma campanha de fundos porque é preciso assegurar o seu pagamento completo, dirigindo-nos aos militantes e amigos do Partido, aos amigos da Festa do Avante!, aos democratas e patriotas, apelando para criar as condições para uma Festa do Avante! ainda maior e melhor.
«Há 25 anos, na situação difícil que então se vivia, numa fase de grande brutalidade da política de direita, quando decorriam as derrotas do socialismo, quando os inimigos do PCP, os desistentes, os que perderam a esperança e a confiança, os comentadores da época, anunciavam o declínio irreversível e até a morte do PCP, o Partido, ciente das dificuldades mas com aquela determinação, convicção e confiança em si próprio, nos trabalhadores e no povo, lançou a campanha por um chão nosso para aqui, na Atalaia, fazer a Festa do Avante!.
«Inspirados nessa confiança e determinação, não subestimando nenhuma das dificuldades actuais do Partido, dos trabalhadores, da juventude, do nosso povo, havemos de alcançar um chão maior para uma festa maior e melhor.
«E somos assim, temos esta confiança, porque temos um ideal, um projecto que tem o objectivo transformador e avançado de uma sociedade mais justa onde o ser humano seja livre da exploração por outro homem, o ideal comunista, a luta pelo socialismo.»
Três razões para uma decisão audaciosa
Tanto na intervenção do Secretário-geral do Partido na abertura da Festa do Avante! como na nota emitida, nessa altura, pelo Secretariado do Comité Central se garantia que a Quinta do Cabo permitirá uma maior valorização da Festa, o seu alargamento, melhores soluções para a reformulação dos seus espaços e enriquecimento dos seus conteúdos e para a melhoria de condições da sua preparação e funcionamento e para o acolhimento dos visitantes. O novo terreno, de sete hectares, aumentará em um terço o espaço disponível para a Festa.
A decisão do Partido baseou-se em três razões fundamentais:
I
Uma Festa ainda maior e melhor
A aspiração do desenvolvimento da Festa, dos seus conteúdos e serviços, do seu alargamento, de uma Festa ainda maior e melhor, com a importância que a Festa do Avante! tem para a acção do Partido e como a maior realização político-cultural do País. Paralelamente, está a decorrer no colectivo partidário um debate alargado visando precisamente a recolha de contributos e opiniões para melhorar a Festa em todos os aspectos.
II
Oportunidade que não se podia desperdiçar
A Festa esteve condicionada em certas edições e, em determinados momentos, o espaço quase atingiu situações de ruptura, pois o terreno actual não dava resposta a necessidades de expansão e impossibilitava o crescimento da Festa. O desperdício da oportunidade que agora surgiu e a compra deste terreno para outra utilização por uma qualquer entidade, comprometeria, eventualmente de forma definitiva, a única verdadeira possibilidade de expansão – este é o terreno natural para esse efeito – e a resposta a necessidades essenciais da Festa.
III
Resolver problemas futuros
A existência de um projecto de prolongamento de uma via rodoviária (em parte já construída) que prevê a sua passagem pelo actual terreno, amputando uma parte do espaço da Festa, poderia criar problemas insuperáveis de não haver área de alargamento.