MUDANÇA A SÉRIO

«A luta é o factor determinante e decisivo para a mudança a sério de que

Na passada 5.ª feira, o PCP realizou na Casa do Alentejo uma sessão evocativa do 100.º aniversário do nascimento do camarada Pedro Soares, destacado dirigente do Partido Comunista Português que com a sua entrega abnegada ao Partido e à luta pelo ideal e projecto comunistas deu um elevado contributo para o derrube do fascismo, para a conquista da liberdade e para as grandes transformações democráticas do nosso País.

Num quadro de contínua degradação da situação nacional e de agravamento das condições de vida dos trabalhadores e do povo, o Governo prossegue e intensifica um conjunto de medidas da política de direita, tendo em perspectiva o quadro eleitoral de 2015 – eleições para a Assembleia Legislativa da Madeira e eleições para a Assembleia da República.

No mesmo sentido, vai afinando a sua máquina de propaganda em torno da mirífica ideia de que salvou o País do descalabro em que o deixou a governação anterior e de que valeram a pena os sacrifícios que nos projectaram no novo tempo de recuperação e de retoma que estamos a viver. Verdadeiro ilusionismo político com que pretende esconder o desemprego avassalador, o confisco dos trabalhadores e do povo, a emigração forçada de centenas de milhares de portugueses, a subida exponencial da pobreza, as limitações à soberania e independência nacionais, o caos nas urgências hospitalares e os graves atentados contra a nossa economia como foi a privatização da PT e, agora, a TAP, que, a consumar-se, deixará o País mais pobre e mais dependente, no estratégico sector dos transportes aéreos.

Procurando garantir, por diferentes vias, que o «arco da governação» se mantém no arco da política de direita, o grande capital, através dos diversos meios ao seu alcance, tudo faz para promover soluções de alternância. É neste sentido que se pode entender a postura do PS de António Costa, que procura apresentar-se com grande dinamismo e abrangência, mantendo, no entanto, um silêncio comprometedor sobre as questões da ruptura e de política alternativa.

Ao mesmo tempo que, como é seu hábito, sempre que nos aproximamos de eleições, retoma o tema da regionalização, que usa como bandeira para fins eleitorais. Contados os votos, desenvolve então políticas de centralização administrativa, de desertificação de importantes regiões do País e de ataque aos serviços públicos e às populações.

A este propósito, é bom lembrar que a última iniciativa legislativa sobre a matéria foi da responsabilidade do PCP e, se o processo não avançou, foi por falta de vontade política daqueles que agora dizem defender a regionalização.

PS que, evidenciando o velho comprometimento com a política de direita, negoceia com o PSD e CDS alterações à legislação eleitoral e às questões de segurança interna, confirmando as preocupações do PCP com o processo em curso na União Europeia, que a pretexto do combate ao terrorismo visa avanços securitários atentatórios de direitos, liberdades e garantias.

Prosseguem também movimentações no âmbito das eleições presidenciais com putativos candidatos a procurar ocupar espaço ou desviar as atenções das questões políticas, neste momento, essenciais. Eleições presidenciais que, como sublinhou o Secretário-geral do PCP, têm um tempo próprio e não devem sobrepor-se ou secundarizar os actuais problemas do País e as eleições legislativas.

O PCP prossegue a sua acção pela derrota do Governo, pela ruptura com a política de direita e por uma alternativa patriótica e de esquerda que configure uma mudança a sério no panorama político nacional.

Dando corpo à «Acção e diálogo por uma política patriótica e de esquerda», realizou na última semana encontros com a Associação Portuguesa de Administradores Hospitalares, com o Partido Ecologista «Os Verdes» e com a Associação ID - Intervenção Democrática.

Acção e iniciativa de que fez parte também o questionamento ao primeiro-ministro na Assembleia da República sobre desemprego, pesca da sardinha e política de saúde, na passada 6.ª feira, ou a preparação do projecto de resolução «Plano Imediato de Intervenção Económica e Social para o Alentejo».

Valorização merece também o Encontro Nacional Juventude Trabalhadora da JCP, realizado no sábado passado, quer pela participação quer pelos bons contributos e elementos positivos resultantes da luta ali trazidos.

A grande prioridade do trabalho das organizações deve continuar a ser a acção de contactos e a campanha de recrutamento que exigem uma adequada planificação e acompanhamento bem como a campanha nacional de fundos para a compra da Quinta do Cabo cujas potencialidades devem ser inteiramente aproveitadas.

Intensifica-se também a luta de massas. Depois da greve na Soflusa da semana passada, segue-se a luta do STAL, entre 26 e 30 de Janeiro, pelas 35 horas de trabalho, a manifestação da Função Pública a 30 de Janeiro, a greve do pessoal não docente das escolas a 20 de Fevereiro. Lutas em defesa dos serviços públicos de saúde, pela concretização das obras de importantes estradas no Alentejo.

Sublinha-se também pela sua importância na defesa da liberdade e da paz a passagem por Portugal, entre 29 de Janeiro e 9 de Fevereiro, da Tocha da Liberdade e da Paz, promovida pela FIR/URAP.

O PS, PSD e CDS são os responsáveis políticos pelos 38 anos de retrocesso que mergulharam o País neste estado de calamidade social. Situação da qual não é possível sair com a continuação da política de direita. A luta é o factor determinante e decisivo para a mudança a sério de que o País precisa. Mas não há saída sem o PCP e, muito menos, contra o PCP.