Balanço negativo
Para a Confederação Nacional da Agricultura (CNA), «é muito negativo o balanço do ano agrícola de 2014», devido às «baixas nos preços à produção na generalidade dos produtos», à «redução de várias produções, nomeadamente de vegetais» e à «manutenção dos preços especulativos nos principais factores de produção».
Em comunicado, a CNA contesta ainda a redução das ajudas públicas e do investimento, «por causa das imposições das troikas e do Governo», a revisão da Lei dos Baldios, a privatização da Casa do Douro e do seu património, a florestação e a reflorestação, a Bolsa de Terras e a entrada em vigor das novas imposições fiscais. Aos jornalistas, a Confederação alertou ainda para a intenção do Governo de aumentar o preço do gasóleo «verde» por causa da «fiscalidade verde».
Sublinhando que «são necessárias outras políticas agrícolas e de mercado» e que «é necessário outro governo para as aplicar», a CNA recorda que em 2014 foi o Ano Internacional da Agricultura Familiar, tendo sido realizado, no dia 23 de Novembro, o 7.º Congresso da CNA e da Agricultura Familiar Portuguesa, com a presença de dois mil agricultores e 70 participantes internacionais, representando mais de 30 nacionalidades. Nesta iniciativa foram aprovados a «Carta da Agricultura Familiar Portuguesa» e o «Estatuto da Agricultura Familiar Portuguesa», que actualizando a Carta da Lavoura, aprovada em 1978 na fundação da CNA, condensam as características da Agricultura Familiar, apontam outro caminho para a sua defesa e valorização, e procuram consagrar o conjunto de direitos dos agricultores familiares portugueses.