O que quer o PCP

João Frazão

Em mais uma entrevista Manuel Alegre procurar dar, uma vez mais, a cobertura de esquerda às opções de direita a que o PS está umbilicalmente associado.

Sempre preocupado com o PCP, MA, que acha cedo para falar da já assumida disponibilidade do PS/António Costa para alianças com o PSD, afirma que «o PS tem que dialogar com o PCP, mesmo que o PCP não queira», até porque, prossegue, é necessário fazer certas perguntas ao PCP. «Não querem defender o SNS? Não querem a escola pública? Não querem crescimento económico?».

MA sabe que está a fazer perguntas de retórica, porque conhece exactamente as respostas.

MA sabe que a questão se põe, mas para o PS, que nos últimos 38 anos com a sua acção no governo e mesmo na oposição pôs em causa exactamente esses direitos essenciais, e mais o direito à Segurança Social, ou à Justiça, e que privatizou, ou esteve de acordo com a sua privatização, uma boa parte das empresas estratégicas para qualquer política de desenvolvimento do País.

Procurando contribuir para a tese, de novo muito em voga, de que o PCP não quer «a unidade à esquerda», ou dito de outra forma, o PCP, que só está bem no contra, não quer nada, MA não diz é se o PS estará disponível para defender o Serviço Nacional de Saúde, reabrindo uma boa parte dos serviços que mandou fechar, hospitais, centros de saúde ou maternidades, ou anular as taxas moderadoras que ajudou a criar. Ou se o PS quer reabrir uma boa parte das mais de 2000 escolas que mandou encerrar ou se quer abolir as propinas que, juntamente com os brutais custos do Ensino Superior, expulsa novos estudantes da Escola Pública a cada dia que passa.

E poder-se-ia alargar as questões aos direitos dos trabalhadores que o PS tem espezinhado em sucessivas revisões, nos pacotes laborais de má memória. Ou ao Projecto de Resolução que o PCP propôs na Assembleia da República sobre a renegociação da dívida, a questão do euro e o controlo público da banca, contra o qual PS votou.

Para MA, nada disto interessará, até porque, diz ele na entrevista, «mais importantes do que os programas muito detalhados são as grandes ideias-força». Manuel Alegre fará as perguntas que quiser. Nós sabemos de quem se trata. E quais os seus objectivos. E por falar em ideia força, por que não ruptura com a política de direita?




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