- Nº 2127 (2014/09/4)
Ministro francês questiona 35 horas

Ataque ao trabalho

Europa

A remodelação do governo francês, a quarta em dois anos, representa mais uma guinada dos socialistas para a direita, apostados em prosseguir políticas anti-sociais.

Nomeado, dia 26 de Agosto, pelo presidente François Hollande, o novo gabinete francês surge expurgado das vozes críticas, em particular do ministro da Economia, Arnaud Montebourg, que entrou em confronto directo com a linha do governo, qualificando a obsessão pela redução do défice como «uma aberração económica» e «um absurdo financeiro».

Ostensivamente, a pasta da Economia foi dada a Emmanuel Macron, ex-quadro do grupo financeiro Rothschild e até agora conselheiro de Hollande, considerado pelo diário Le Monde como «o hemisfério direito» do presidente.

Macron, que não é membro do Partido Socialista, fez questão de apresentar de imediato as suas credenciais. Em entrevista ao jornal Le Point, o novo ministro declarou-se favorável à supressão do horário das 35 horas em sectores de actividade e empresas, mediante acordo maioritário com os trabalhadores.

Embora tenha sido logo corrigido pelo governo, que se apressou a dizer a questão não está na ordem do dia, Macron suscitou de imediato críticas dos sindicatos e recebeu o apoio do patronato.

Segundo disse, a revisão das 35 horas semanais poderia contribuir para «sair da armadilha em que a acumulação de direitos dos trabalhadores se transforma em obstáculos para os que não trabalham».

Esta linha de ataque aos direitos laborais é condizente com o discurso do primeiro-ministro, Manuel Valls, dia 27, durante a universidade de Verão organizada pela confederação patronal Medef.

Ali, Vals declarou o seu «amor à empresa», sentimento que lhe valeu uma ovação de pé dos patrões. E assegurou que o seu governo «actua para as empresas», prometendo que os deputados socialistas «estarão à altura da situação» e «aprovarão as reformas necessárias».

Uma dessas reformas, chamada «pacto de responsabilidade», prevê reduções fiscais às empresas no montante superior a 40 mil milhões de euros. Em contrapartida, o governo anuncia cortes na despesa pública de 50 mil milhões.