Jerónimo de Sousa em Grândola

PCP regressou à Feira de Agosto

O re­gresso do es­paço do PCP ao re­cinto da Feira de Agosto, em Grân­dola, foi tema do­mi­nante das in­ter­ven­ções du­rante o jantar que as­si­nalou a pre­sença de Je­ró­nimo de Sousa na «Vila Mo­rena», na sexta-feira, 28 do mês findo. De­pois de 12 anos de ex­clusão im­posta pelo der­ro­tado exe­cu­tivo ca­ma­rário so­ci­a­lista, era vi­sível a sa­tis­fação dos mais de 300 par­ti­ci­pantes pelo re­torno do Par­tido à grande feira do li­toral alen­te­jano.

Nada está per­dido para todo o sempre, vale sempre a pela lutar

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«Es­tamos dentro da Feira de Agosto, num es­paço nosso, de onde nunca de­ve­ríamos ter saído», co­meçou logo por dizer Ma­nuel Va­lente, da Di­recção da Or­ga­ni­zação Re­gi­onal do Li­toral Alen­te­jano e do Co­mité Cen­tral do PCP. Este res­pon­sável lem­brou que «o re­gresso acon­teceu nos 40 anos da Re­vo­lução de Abril, o que torna ainda mais sig­ni­fi­ca­tiva a vi­tória al­can­çada pela CDU nas re­centes elei­ções au­tár­quicas em Grân­dola».

As mais de três cen­tenas de pes­soas no jantar acen­tu­aram o facto nas sau­da­ções di­ri­gidas a Je­ró­nimo de Sousa, que na sua in­ter­venção não deixou de re­ferir que, ao fim de 12 anos, «vol­támos a estar no es­paço da feira». Apro­veitou para apontar a ne­ces­si­dade de luta porque, «como prova o nosso re­gresso ao es­paço da Feira de Agosto, nada está per­dido para todo o sempre, pelo que vale sempre a pena lutar neste Par­tido».

Fi­gueira Mendes, pre­si­dente da Câ­mara de Grân­dola, enal­teceu também a im­por­tância da luta or­ga­ni­zada, re­cor­dando que «este é um com­pro­misso cum­prido, já que, em plena cam­panha elei­toral para as au­tár­quicas, no es­paço pro­vi­sório que o PS nos obrigou a adaptar du­rante 12 anos, pro­me­temos que a CDU ven­ceria e que es­ta­ríamos aqui em 2014, com todo o di­reito».

A vi­tória au­tár­quica em Grân­dola «não caiu do céu, é fruto do nosso tra­balho e da nossa luta. Temos agora enormes de­sa­fios pela frente, pelo que pre­ci­samos de estar vi­gi­lantes, atentos, em re­lação à ac­ti­vi­dade da Câ­mara, porque os pró­ximos tempos serão muito exi­gentes», alertou o au­tarca co­mu­nista.

Pro­pa­ganda ma­ni­pula es­ta­tís­ticas do de­sem­prego

Je­ró­nimo de Sousa cen­trou a in­ter­venção na crí­tica à po­lí­tica do Go­verno PSD/​PP, as­si­na­lando que «vi­vemos o pe­ríodo mais som­brio da nossa his­tória de­mo­crá­tica, so­frendo os efeitos de 37 anos de go­ver­nação de di­reita» e que os úl­timos três anos ser­viram «para salvar a banca e co­locar em prá­tica uma po­lí­tica de terra quei­mada com o ob­jec­tivo de re­duzir sa­lá­rios e di­reitos do tra­balho».

Fa­lando de im­pro­viso, o Se­cre­tário-geral do PCP disse que, com a apre­sen­tação do re­cente Or­ça­mento Rec­ti­fi­ca­tivo, pelo Go­verno, tornou-se evi­dente que os tra­ba­lha­dores da Função Pú­blica é que vão pagar com mais um corte nos sa­lá­rios, que pos­si­vel­mente não será o úl­timo porque ainda estão por apurar, como con­firmou a mi­nistra das Fi­nanças, os efeitos do caso BES nas contas pú­blicas.

Por outro lado, o Go­verno foi acu­sado pelo di­ri­gente co­mu­nista de fazer pro­pa­ganda com dados sobre o de­sem­prego, porque a re­dução es­ta­tís­tica re­cen­te­mente anun­ciada re­sulta «tão-só dos 170 mil es­ta­giá­rios em pro­gramas, sem qual­quer con­ti­nui­dade ou tra­balho com di­reitos». «Não se criou mais em­prego», as­se­gurou Je­ró­nimo de Sousa, con­si­de­rando que «os 350 mil por­tu­gueses que emi­graram e vão servir as eco­no­mias dos ou­tros países a custo zero de­mons­tram a fal­si­dade das es­ta­tís­ticas do de­sem­prego».

Pe­rante estas as po­lí­ticas de­sas­trosas, foi uma vez mais re­a­fir­mada a ne­ces­si­dade da de­missão do Go­verno, até porque «es­tamos pre­o­cu­pados quando o pri­meiro-mi­nistro afirma que só está a meio ca­minho do seu tra­balho tão ne­ga­tivo para Por­tugal e para os tra­ba­lha­dores».

«Des­con­tando a re­tó­rica, nada os se­para…»

O Se­cre­tário-geral do PCP in­cen­tivou os co­mu­nistas a con­ti­nuar a lutar e a tra­ba­lhar no re­forço do Par­tido porque «não há al­ter­na­tiva ver­da­deira sem a par­ti­ci­pação do PCP».

E foi claro: «Aos que dizem que só o PCP não chega, nós res­pon­demos que não é pos­sível uma po­lí­tica de es­querda em Por­tugal sem o PCP». Até porque «o PS aliou-se sempre à di­reita, pro­pondo a par­ti­ci­pação dos co­mu­nistas no Go­verno em troca do aban­dono das nossas prin­ci­pais exi­gên­cias em nome de Por­tugal e dos tra­ba­lha­dores».

A pro­pó­sito das elei­ções pri­má­rias no PS, entre dois «can­di­datos a pri­meiro-mi­nistro», Je­ró­nimo de Sousa iro­nizou lem­brando que «não é pos­sível cons­truir uma pa­rede uti­li­zando os ti­jolos do avesso, pelo que é ne­ces­sário uma al­ter­na­tiva po­lí­tica e não uma al­ter­nância». Sobre An­tónio Se­guro e An­tónio Costa, re­a­firmou que «não in­ter­fe­rimos nas dis­putas in­ternas do PS» mas que «não há di­fe­renças entre eles e, des­con­tando a re­tó­rica, nada os se­para, de­fendem a mesma po­lí­tica».

Je­ró­nimo de Sousa ga­rantiu que o PCP vai con­ti­nuar a luta por um Por­tugal me­lhor, com mais jus­tiça so­cial, e que a «vi­tória em Grân­dola nas re­centes elei­ções au­tár­quicas prova que nada está per­dido para sempre».

Fi­na­lizou ape­lando à forte par­ti­ci­pação em mais uma edição da Festa do «Avante!», já no pró­ximo fim-de-se­mana, na Ata­laia.

O Se­cre­tário-geral do PCP ter­minou a jor­nada em Grân­dola vi­si­tando os pa­vi­lhões da Feira de Agosto, acom­pa­nhado por ou­tros di­ri­gentes do Par­tido e eleitos lo­cais da CDU.