Os resultados das eleições para o Parlamento Europeu, revelando dificuldades da social-democracia e da chamada direita tradicional, com quebras muito acentuadas em boa parte dos países, deixam à vista a afirmação de outras formações, sejam da extrema direita, sejam de sectores populistas, digam-se à direita ou à esquerda, tenham elas carácter prolongado ou apenas expressão momentânea.
Não pretendendo simplificar, creio que estamos a falar apenas das várias faces do capital.
Tendo a social-democracia e a direita assumido o papel de impor aos povos a política que visa o seu empobrecimento, e enfrentando por isso uma fortíssima contestação social que, tendo no centro a classe operária e os trabalhadores, mobilizou vastas camadas, catalisou sobre si a angústia e a revolta de amplas massas atingidas por estas políticas antipopulares. Veja-se a tareia que, em Portugal, apanharam os partidos marionetas da troika, PS, PSD e CDS.
Perante esta revolta, o capital, e a comunicação social ao seu serviço, procura os escapes possíveis. O objectivo é sempre o mesmo. Fechar todas as saídas às forças que, de forma consequente, determinada e corajosa, não se submetem aos seus ditames e imposições, se batem por alternativas ao capitalismo, na certeza de que a luta dos trabalhadores e dos povos o irão, mais cedo que tarde, derrotar.
E para fechar todos os caminhos à afirmação de alternativas políticas, das que não se limitam à mera alternância sem diferenças de conteúdo, o capital constrói mistificações, deturpa as suas posições, mente sobre as suas propostas, abrindo por sua vez as portas as essas falsas saídas, que não colocam em causa a sua natureza. Abre as portas, facilita a passagem, promove a progressão, estimula o percurso. Porque servem os mesmos senhores e os mesmos interesses.
Não nos deixemos enganar! O capitalismo, na sua faceta fascista, na sua faceta populista, na sua faceta «humanista», não deixa de ser capitalismo.
Um sistema parasitário e desumano que não olha a meios para atingir os seus fins, e que só não convive bem com os que resistem e lutam. Com os que, como em Portugal, no passado domingo, se confirmaram como a força de esperança e de confiança numa alternativa patriótica e de esquerda!