Nas comemorações dos 40 anos do 25 de Abril

O povo saiu à rua

Como um rio onde desaguam vários afluentes, centenas de milhares de pessoas, muitas pela primeira vez, desfilaram entre o Marquês de Pombal e o Rossio, em Lisboa, para comemorar os 40 anos do 25 de Abril. Esta foi uma grandiosa iniciativa de luta, que, num ambiente fraterno e de grande camaradagem, envolveu trabalhadores, democratas e patriotas. Uma vez mais, o povo saiu à rua, para afirmar que é possível um futuro diferente para Portugal.

Os valores da Revolução estão arreigados no coração dos portugueses

A chaimite da revolução, veículo que todos os anos desperta a atenção de quem desfila na Avenida da Liberdade, teve desta vez por companhia uma criança que ostentava uma placa onde se podia ler «Nunca deixe de sonhar», o que fez disparar milhares de flash de objectivas que procuravam momentos especiais. Outras crianças, da Associação os Pioneiros de Portugal, segurando balões de todas as cores, apelavam: «Que se cumpram os nossos direitos». «Avante com Abril! Toma nas tuas mãos os destinos da tua vida», foi o lema trazido pela JCP, que, com a Juventude CDU, sublinhou a importância de «Levar a luta até ao voto» já no próximo dia 25 de Maio.
Nas diversas faixas que por ali iam desfilando, os apelos e as mensagens davam conta do descontentamento dos trabalhadores (professores, enfermeiros, militares, polícias, operários, bancários, entre muitos outros), que estão «Contra a exploração e o empobrecimento» e afirmam que «A luta é o caminho».
Outras reivindicações, nacionais, marcaram lugar nos 40 anos do 25 de Abril: «Discriminação não. Sim à igualdade de direitos» (APD), «Pela paz, por Abril» (CPPC), «25 de Abril, ontem e hoje» (URAP), «Pelos direitos das mulheres» (MDM), «Contra os roubos nas pensões (MURPI), «Por uma nova lei do arrendamento» (AIL) e «Vasco, nome de Abril» (ACR). A nível internacional lembrava-se que «O Sahara Ocidental não é uma província de Marrocos. Autodeterminação, sim. Referendo, já» (Associação de Amizade Portugal-Cuba).
«Porque a liberdade defende-se», também as autarquias da Área Metropolitana de Lisboa, a par de outras regiões, marcaram presença no desfile, muitas delas há «40 anos a construir Abril».

Defender os valores de Abril

A esta torrente, que durou cerca de três horas, juntou-se Jerónimo de Sousa, Secretário-geral do PCP, que valorizou a «participação imensa» naquela manifestação. «Abril vale e valeu a pena, uma vez que os seus valores continuam presentes e permanentes, tanto naqueles que o viveram, como naqueles que não o viveram, mas que também o sentem», afirmou, salientando que as iniciativas de comemoração do 25 de Abril, que aconteceram em todo o País (ver páginas 15, 16, 17 e 18), mostram que os valores da Revolução estão «arreigados no coração dos portugueses», facto a que o Presidente da República faz «vistas curtas». 
Presente esteve também João Ferreira, cabeça de lista da CDU às eleições para o Parlamento Europeu, que lembrou a importância do próximo acto eleitoral, onde os portugueses poderão recusar a chantagem da inevitabilidade e perceber que a alternativa existe dependendo da vontade de cada um. «Também a defesa dos valores de Abril vai estar em causa nas próximas eleições. No dia 25 de Maio os portugueses poderão escolher entre uma força, como é a CDU, que inscreve o valor e as conquistas de Abril no futuro de Portugal, e aqueles que há 37 anos, alternando-se no poder, prosseguindo um projecto de confronto, o que fazem é ajustar contas com o 25 de Abril», salientou. 


Alegria e solidariedade no Porto

Prova viva da vivacidade de Abril – apesar da chuva que assolava a região desde os dias anteriores àquela data – a população do distrito do Porto convergiu em massa para a Rua do Heroísmo, junto à ex-prisão da PIDE, de onde partiu o Desfile da Liberdade. Antes da saída da imponente manifestação, foram proferidas intervenções de homenagem aos resistentes antifascistas e procedeu-se ao habitual depositar de uma coroa de cravos no local, culminando com a Grândola em uníssono nas vozes presentes e acompanhadas instrumentalmente pela Orquestra Ligeira de S. Pedro da Cova.
Circulando pelas ruas da Baixa do Porto, a população que comemorava Abril fazia-o com a emoção que a data motiva, com alegria e solidariedade, mas também com combatividade dos muitos milhares que ali exigiam a mudança de política no nosso País.
Inscritos nas faixas, pancartas e cartazes do desfile estavam os direitos, as liberdades e garantias que são parte das imensas conquistas políticas, sociais e económicas da Revolução. E essas mesmas conquistas de Abril – agora tão ameaçadas – foram entoadas nas palavras de ordem dos manifestantes, incitando o povo português a lutar e a continuar a resistir por Abril!
«Abril de novo com a força do povo» lia-se na faixa que encabeçava o desfile. Os muitos milhares que enfrentavam a chuva no caminho para a Avenida dos Aliados, expressavam um sólido «Não» ao rumo de desastre nacional imposto pela política de direita, mostrando que a sua vontade colectiva estava traduzida na faixa que os antecedia. Porque Abril renova-se sempre que o povo luta.




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