Biografias

Frédéric François Chopin (1810-1849)

Chopin nasceu na Polónia, perto de Varsóvia, em Zelazowa Wola. Filho de um emigrante francês, professor, e de uma cultivada cidadã polaca. As suas excepcionais capacidades pianísticas revelaram-se desde muito cedo, transformando-o num menino-prodígio. Embora tendo crescido em Varsóvia e feito aí a sua formação musical, a verdade é que a sua ligação à cultura francesa foi sendo cada vez mais profunda e a França a sua verdadeira pátria intelectual. Natural, por isso, que seja tratado por Frédéric François e não por FryderyK Franciszek Szopen (o nome oficial, em polaco).

Em virtude da política repressiva então vigente no seu país natal, mas também por efeito das legítimas ambições artísticas que alimentava, aos 21 anos decide ir viver para Paris. Mudança decisiva. Já antes tinha adquirido alguma notoriedade através de composições e de actuações como pianista em salões privados da alta sociedade polaca, assim como em espectáculos realizados em Varsóvia e Viena, mas é a partir da ida para Paris que vai granjear fama internacional.

A criatividade artística de Chopin centra-se no piano. Entre os compositores mais célebres é exemplo único de devoção quase exclusiva a um único instrumento. Isso levou alguns a coloca-lo fora do patamar mais elevado da arte composicional. Para esse injusto juízo terá contribuído também uma corrente pianística, interpretativa, ultra-romântica que resvalava para a lamechice. Entre outros, o pianista Artur Rubinstein, seu compatriota, deu decisivo contributo para corrigir tais excessos.

Fosse qual fosse o seu grau de atracção pelo belo sexo, o músico manteve uma relação afectiva com a escritora George Sand que teve profundo efeito positivo na sua capacidade criativa. Essa relação é, na história da arte, um paradigmático exemplo do valor dos afectos no arquitectar do gesto de criação estética.

 

Ludwig van Beethoven (1770-1827)

Compositor alemão nascido em Bonn, Beethoven é porventura o mais célebre compositor da história da música. Não infrequentemente foi considerado o maior criador de música de todos os tempo, em todas as listagens vão aparecer uma ou mais obras de sua autoria. Caso raríssimo. Pelo que só terá dois rivais, ambos pertencentes ao universo da cultura germânica: Bach e Mozart.

Nascido no seio de uma família com longa tradição artística, de origem flamenga, com avô músico que emigrou para a Alemanha em 1712, e filho de outro músico, Beethoven parecia destinado à arte dos sons. No entanto, mesmo desejando o pai que ele fosse um 2º Mozart, foi só aos 9 anos que iniciou estudos musicais sistemáticos. Enviado para Viena com o objectivo de trabalhar com Mozart, então no auge da fama, o encontro acabou por ser inconsequente e regressou à pátria não com o intuito de prosseguir estudos musicais, senão que para ir estudar Literatura e Filosofia. Esses estudos não o afastaram da música, até contribuíram para a definição do seu singular perfil de compositor. Kant, Goethe, Schiller, com quem fará amizade, tornam-se referências decisivas. A dignidade e a liberdade do ser humano passam a estar no centro das suas preocupações, sob a égide da moral kantiana e dos ideais da Revolução Francesa.

Em 1792 trocou Bonn por Viena onde trabalhou com Haydn, Salieri e Albrechtsberger. Era apreciado como pianista e improvisador. A partir de 1796, quase não saiu dessa amada capital de artes e cultura. Foi como pianista, mais do que como compositor, que começou por se afirmar.

Chega então o dramático ano de 1802. Abate-se sobre si um tremendo diagnóstico de surdez. Isto transformará o homem. Caí na depressão, isola-se, é assaltado pela ideia de suicídio, acredita não ser possível continuar a ser músico. Ganha fama de ser “rancoroso, insociável, misantropo” – são suas as palavras. «Sinto-me preso a uma pungente angústia, pelo receio que descubram o meu triste estado», confessa algum tempo depois do diagnóstico.

Quase por paradoxo, foi a música que ia deixando de ouvir que o libertou da obsessão autodestrutiva dando-lhe suficiente ânimo para continuar.

Beethoven é a figura musical incontestavelmente predominante no período de transição do Clássico para o Romântico. No quadro geral da história da música, e até, talvez, da história da Arte, pode dizer-se que foi o único artista a gozar de uma tão incontestável predominância durante todo um período evolutivo.

 

Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791)

Nascido na Áustria, na cidade de Salzburgo, Mozart é talvez, conjuntamente com Leonardo da Vinci, o mais completo exemplo de genialidade em estado puro. A música brotava da sua mente como a água caudalosa saindo de uma generosa fonte, dando a aparência de uma quase completa ausência de esforço criativo. A harmonia de sons surgia de imediato numa forma acabada, como se pode concluir da observação de muitas partituras autógrafas, em que salta à vista a escassez de emendas ou até retoques. Qualquer coisa de muito raro se passava dentro daquela cabeça. Só isso justifica a prodigiosa veia criativa manifestada desde a infância. Recorde-se que as suas primeiras sinfonias datam de 1764, ou seja, quando tinha apenas 8 anos! Aos 16 anos já tinha composto óperas! E bastaram-lhe 30 anos de trabalho para compor mais de 600 obras! Mas para além da variedade e da quantidade de obras o mais espantoso continuará sempre a ser a incrível qualidade artística dessas partituras.

O pai de Mozart, Leopold Mozart, também músico compositor com notoriedade, não demorou a aperceber-se do talento dos seus dois filhos, e em 1763 promoveu uma longa viagem por algumas das principais cidades europeias para dar a conhecer o seu Wolfgang e a sua Maria Anna (Nannerl). O plano resultou e o menino Wolfgang ganhou grande fama, crescente ao longo dos anos.

A produtividade do jovem artista é impressionante. Em 1770 a sua ópera Mitridate obtém grande êxito em Milão. Ao regressar à cidade natal, em 1771, é nomeado Konzertmeister titular da corte, mas fica sob a tutela de um novo, autoritário e arrogante príncipe-arcebispo: Hiéronymus Colloredo com quem terá uma desavença histórica. Em contrapartida, teve no esclarecido imperador José II um franco admirador.

Já próximo da morte prematura, a sua colaboração com o libretista Lorenzo da Ponte teve como consequência algumas das suas mais sublimes criações, sendo a ópera Don Giovanni (1787) o caso mais emblemático. Mozart tinha especial predilecção pela ópera, o que mais gostava de compor.

Espírito progressista, afecto aos ideais do Iluminismo, membro da maçonaria, Mozart, no seguimento da referida contenda com Colloredo, alterou o estatuto profissional do músico compositor, inaugurando uma nova era: a do compositor independente; do artista profissional liberto da absoluta prepotência dos seus patrões. Também nessa vertente o seu legado institui um marco na história da música e até da arte em geral.

 

Robert Alexander Schumann (1810-1856)

Nascido na Saxónia, em Zwickau, Schumann é a imagem acabada do músico romântico. Até mesmo as perturbações psíquicas que tanto o atormentaram ao longo de anos, concorrem para o fortalecimento desse perfil romântico.

Começou a estudar piano na infância, mas terá sido o momento em que assistiu pela primeira vez a uma representação da Flauta Mágica, de Mozart, que o levou à descoberta interior da sua verdadeira vocação. Sem entusiasmo, por pressão familiar, ainda chegou a cursar Direito na Universidade de Leipzig e em Heidelberg, onde o mais importante terá sido porventura o convívio pós-aulas com o seu professor Justus Thibaut, distinto filósofo apaixonado pela música.

Outra inclinação desde cedo revelada foi a literatura. Sendo o pai livreiro, editor e autor, não lhe foi difícil alimentar esse outro gosto artístico lendo Shakespeare, Byron, Walter Scott e Jean Paul que muito o ajudaram a consolidar o espírito de oposição à ortodoxia do Classicismo tradicional. Depois de conhecer Schubert, encontra no Lied uma forma de alimentar a dupla paixão pela Música e pela Literatura, constituindo uma das duas vertentes essenciais da sua obra, sendo a outra a composição de peças para piano.

A partir de 1826, estando em Leipzig (cidade de Bach) decide dedicar-se definitiva e exclusivamente à música. Estuda piano com Friedrich Wieck que lhe incutiu um amor especial por esse instrumento. Mas na casa de Wieck encontra outro motivo de amor: a formosa filha do seu professor, Clara. Casará com ela em 1840, depois de vencida a forte oposição do pai professor. Tudo romanticamente os une – o piano, a música, a poesia… Clara Wieck, que para a história ficará conhecida como Clara Schumann, é uma das mais atraentes figuras femininas da história da música, tendo adquirido celebridade internacional como pianista desde muito nova.

Porém desde 1833 que a falta de saúde mental o persegue. A perturbação psíquica é então já muito pronunciada.

Após uma tentativa de suicídio, em 1854, é internado num asilo psiquiátrico nas imediações da cidade natal de Beethoven, ai permanecendo até o final da vida.

 

Alexander Konstantinowitch Glazunov (1865-1936)

Compositor russo nascido em S.Petersburgo. É um representante do romantismo tardio. Foi também um importante professor do Conservatório de S.Petersburgo de que mais tarde se tornou director (1905).

Aos 14 anos conheceu Mily Balakirev, professor de piano da sua mãe. Foi Balakirev quem primeiro se apercebeu do talento do rapaz, aconselhando que o jovem fosse estudar com Rimsky-Korsakov.

No ano de 1884 decidiu efectuar uma longa viagem ao ocidente, tendo-se encontrado com Liszt em Weimar.

Ainda era director do Conservatório quando em 1928, quatro anos depois da morte de Lénine, decide abandonar a União Soviética e vir viver para o ocidente. Depois de uma tournée pelos EUA, acaba por se fixar em Paris no ano de 1930, onde faleceu.




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