Estudantes contestam política de direita

Luta no Superior

O Dia do Estudante foi assinalado um pouco por todo o País, na segunda-feira, com diversas acções e iniciativas para denunciar a falta de investimento no Ensino Superior. No dia 2 de Abril os estudantes manifestam-se em Lisboa.

No OE para 2014 o corte no Ensino Superior foi de 80,5 milhões

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Segundo as associações de estudantes, que promovem os protestos, as políticas seguidas pelos sucessivos governos «têm conduzido as escolas e as faculdades a uma situação de estrangulamento financeiro e ao afastamento dos estudantes do ensino por falta de condições económicas» e obrigam as instituições, face aos sucessivos cortes nos orçamentos do Estado, a encontrar «soluções de auto-financiamento, privatizando cantinas, reprografias e todo o tipo de serviços, aumentando taxas e emolumentos».
Por seu lado, a acção social escolar «caracteriza-se actualmente pelo seu funcionamento altamente burocratizado e pelo consecutivo indeferimento de centenas de requerimentos a bolsa», pelo que os estudantes «com menos condições financeiras são assim brutalmente afastados do seu direito a estudar».
As acções de luta, que se realizaram no dia 24, foram promovidas pelas associações de estudantes da Escola Superior de Educação do Porto, da Faculdade de Belas Artes da Universidade do Porto, da Faculdade de Letras da Universidade do Porto, da Escola Superior de Artes e Espectáculo do Porto, da Faculdade de Letras da Universidade de Lisboa, da Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa, da Escola de Cinema e Teatro de Lisboa, da Faculdade de Ciências Médicas da Universidade de Lisboa, da Escola Agrária de Beja e da Faculdade de Medicina da Universidade de Lisboa.

Carta Aberta

No Dia do Estudante, a Plataforma «40x25» lançou uma Carta Aberta de Solidariedade para com a luta dos estudantes da Escola Secundária Santa Maria, em Sintra, que têm vindo a sofrer ameaças e represálias por parte da Direcção por se organizarem e lutarem pela escola a que têm direito. Esta repressão atingiu o seu auge quando alguns dirigentes da Associação de Estudantes foram suspensos por, dentro da lei, realizarem a pintura de um mural político.
A carta foi já subscrita pelas associações de estudantes das escolas secundárias António Sérgio (Vila Nova de Gaia), D. Maria (Braga), de Odivelas, Gil Vicente (Lisboa) e Casquilhos (Barreiro).

 

Alunos condenam Governo

No Porto os alunos de Belas Artes desenharam o modelo nú em frente à sua faculdade, enquanto em Aveiro se realizou o «Funeral do Ensino Superior».
Na Universidade do Minho, em Braga, a associação académica lançou a campanha «Não te cales! Manifesta a tua opinião», em que cada aluno enviou uma mensagem sob a importância da Educação e do Ensino Superior, os seus problemas e possíveis soluções.
Já na Universidade de Coimbra os estudantes realizaram uma concentração junto à entrada da Faculdade de Letras e das Matemáticas, seguindo-se um protesto no Largo D. Dinis, onde se efectuou um «Mural das Reivindicações».
Hoje, às 12.30 horas, na Escola Superior de Educação do Porto realizar-se-á, no átrio da escola, o julgamento do Governo.

Dia de luta

Assinalando os 52 anos do Dia dos Estudantes, a JCP evocou «o exemplo de resistência e de coragem» que os estudantes tiveram no dia 24 de Março de 1962, quando, perante a repressão do fascismo, no Campo Grande, em Lisboa, durante uma manifestação, «lutaram com o objectivo de reivindicar a democracia do ensino, o direito à associação, a autonomia das universidades, a representação estudantil nos órgãos, mas também com base nas profundas reivindicações do nosso povo, com a exigência do fim da guerra colonial e o fim do fascismo».
«A violenta repressão que o fascismo encontrou para tentar silenciar a luta dos estudantes neste dia, com uma forte carga policial, desencadeou o que o fascismo mais temia, abrindo um enorme período de contestação por todo o País, durante vários meses, e que abalou o regime. Um confronto marcado pelo audacioso desencadear da greve às aulas na maioria das faculdades – o “Luto Académico” lançado em 26 de Março com a criativa palavra de ordem “ofenderam-te, enluta-te!” – com a ocupação de instalações, gigantescos plenários e concentrações, desfiles e manifestações dentro e fora dos recintos universitários, envolvendo sobretudo as universidades de Lisboa e de Coimbra, onde o movimento associativo estava mais organizado e havia maiores tradições de luta», recordam os jovens comunistas.

Derrube do fascismo

A luta dos estudantes e o papel do movimento associativo estudantil foram, desta forma, uma expressão e contributo inegável para o derrube do fascismo no nosso País, para a Revolução de Abril e para a conquista da Educação, pública, gratuita, de qualidade e democrática para todos.
«Hoje os estudantes continuam a lutar nas escolas e nas ruas», refere a JCP, alertando para a ofensiva que as troikas – nacionais e estrangeiras – têm desenvolvido contra o direito de estudar.
«Podemos falar de um ajuste de contas da direita com uma conquista fundamental da Revolução de Abril, tendo como base a privatização e elitização da Educação, e tendo como consequência o negar do direito de estudar e a estudar com qualidade aos filhos dos trabalhadores, daqueles que menos têm e menos podem», acusa a JCP.
Em nota de imprensa, a JCP saúda ainda a forma corajosa como os estudantes «todos os dias têm lutado pela defesa da escola pública». «De Norte a Sul do País, das escolas do Ensino Básico e Secundário às escolas do Ensino Profissional, como nas universidades e escolas do Ensino Superior, foram já várias as acções de luta que se desenvolveram ao longo do mês de Março», valorizam os jovens comunistas.




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