Confrontar responsabilidades
Ao mesmo tempo que procuram alijar responsabilidades e difundir a falsa ideia de que são diferentes, os partidos da troika nacional pretendem, «durante os próximos meses, arredar do debate público o inferno em que se transformou o dia-a-dia de milhões de portugueses, para discutir unicamente o que dizem ser as “questões europeias”».
João Ferreira concordou que para o Executivo PSD/CDS, em particular, «seria cómodo que calássemos a denúncia de que o Governo quer manter escondidos dos portugueses os novos e brutais cortes de milhares de milhões de euros no Orçamento do Estado para 2015», destinados a «acentuar o rumo de empobrecimento, exploração e liquidação de direitos».
«Desenganem-se! Não calamos, nem calaremos mais roubos aos trabalhadores e ao povo», avisou.
Já quanto às chamadas questões europeias, o primeiro candidato da coligação PCP-PEV lembrou «que eles são os mesmos que fugiram ao debate» sobre «o Tratado Orçamental (e antes deste, sobre o Tratado de Lisboa), quando o PCP propôs uma ampla discussão nacional que pudesse culminar na realização de um referendo», proposta, aliás, «rejeitada por PS, PSD e CDS».
«Quiseram então fugir ao debate das questões europeias como hoje querem fugir ao debate da situação nacional. Porque o que querem é simplesmente fugir do que quer que seja que os confronte, perante os portugueses, com as suas responsabilidades», considerou, acusando, depois, PS, PSD e CDS de, inclusivamente, «fugirem das cores e das siglas dos próprios partidos», encobrindo-se «ardilosamente sob o nome e as cores de Portugal para esconderem uma política anti-patriótica».
Política donde sobressaem «recessão económica; assalto ao património do Estado, com a entrega ao capital estrangeiro de sectores de importância estratégica para o País; roubo aos trabalhadores e ao povo, por via dos cortes nos salários e nas pensões, de um monumental assalto fiscal, e dos cortes nas funções sociais do Estado – na saúde, na educação e na segurança social; um desemprego nunca visto que empurrou para fora do País centenas de milhares de portugueses, na sua maioria jovens; agravamento das desigualdades, pobreza galopante e fome».
«É esta a realidade que preferiam que ficasse à margem da campanha eleitoral. Não contem com a CDU!», garantiu.