- Nº 2096 (2014/01/30)
Colômbia

Regime lança ataques

Internacional

A sede do Partido Comunista Colombiano foi invadida e um segurança foi preso e espancado, episódio que o PCC enquadra na política de intimidação e violência contra a esquerda.

Em carta aberta ao presidente da Colômbia, o secretário-geral do Partido Comunista Colombiano (PCC) protesta contra o «assalto ilegal à sede do partido efectuado na madrugada de 20 de Janeiro», acto «hostil e grave poucas vezes registado».

No texto, datado de sábado, 25 de Janeiro, o PCC relata os acontecimentos detalhando que «às 01h10m, sem qualquer motivo, a polícia nacional abordou e desarmou o vigilante entrando na sede de armas em riste numa clara atitude de assalto». Seguidamente, «detém Omar Bustos (o referido segurança) conduzindo-o à Unidade de Reacção Imediata sob acusação de porte ilegal de arma». Ali «submetem-no a espancamento e colocam-no numa cela imunda». Já depois de ter sido presente a audiência e face à ordem de libertação, «dois agentes repetem a sessão de espancamento».

Omar Bustos «recebe em sua casa novas ameaças, o que nos faz temer pela sua vida», alerta o PCC, que insiste no «insólito de a polícia ingressar ilegal e violentamente numa sede partidária que tem o dever de proteger», como, aliás, «há vários anos vem exigindo o partido» face às «ameaças do paramilitarismo».

Vigora «um ordenamento constitucional que proíbe a violação de domicílio. As buscas exigem uma ordem judicial, neste caso inexistente», acrescenta ainda a direcção comunista, que nota a incoerência do governo quando «afirma que oferece garantias à oposição de esquerda na Colômbia», quando, simultaneamente, se sucedem práticas «semelhantes às denunciadas contra a nossa sede», como as que têm ocorrido contra «dirigentes da Marcha Patriótica», demonstrando, na verdade, que «o poder executivo não assegura o exercício da democracia por parte de sectores da esquerda».

«Estamos convictos de que não se tratou de um acto casual», considera o PCC, que concluiu que os factos mostram «premeditação» e configuram «uma intimidação contra o Partido Comunista e a União Patriótica com quem dividimos a sede».

Sobre o assalto à sede do PCC e os maus-tratos infligidos ao vigilante comunista, pronunciaram-se, entretanto, o Comité Permanente e a Corporação para a defesa dos Direitos Humanos, organizações não-governamentais que, tal como vários partidos comunistas de todo o mundo, organizações e movimentos progressistas, repudiam o sucedido e exigem o apuramento de todas as responsabilidades.

Ninguém está a salvo

O assalto à sede do PCC foi realizado no contexto do aumento da repressão do regime contra sectores da esquerda colombiana, como aliás sublinhou o partido. Precisamente no dia 20 de Janeiro, a ex-senadora Piedade Córdoba denunciou o assassinato de 29 dirigentes e activistas da Marcha Patriótica (MP) nos dois anos de existência da estrutura – sobretudo em 2013, em que morreram 26 militantes, justamente quando cresceram e alastraram os protesto camponeses em várias regiões do país –, período durante o qual foram igualmente presos 256 dos seus membros. O mais recente encarcerado foi Francisco Tolosa, responsável das relações internacionais do movimento, que a partir da prisão denunciou que a razão da sua detenção é «nunca ter feito política com armas».

Desde Havana, a delegação das Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia – Exército do Povo (FARC-EP) reagiu ao acosso oficial da MP realçando que «durante o governo de Santos desconhece-se o direito à divergência política e continua o extermínio dos activistas e organizações populares». As FARC-EP advertem, ainda, que «para que este processo de paz não termine numa farsa ou numa comédia, é urgente que o governo interrompa a perseguição da MP», e frisam que «não permitirão que a MP seja aniquilada de maneira sistemática como o foi a União Patriótica».

Vitória da democracia

Paralelamente ao assédio violento da esquerda, persiste a resistência. Em Bogotá, a tentativa de destituição do presidente da Câmara democraticamente eleito foi temporariamente suspensa por ordem de um tribunal, que considerou que foram violados direitos fundamentais do autarca e dos eleitores. Tratou-se de uma vitória da democracia, da paz, da justiça e da multidão que deteve a tirania, salientou Gustavo Petro.