Credo religioso não altera a posição de classe
«O Partido Comunista Português, os católicos e a Igreja» foi o lema de uma sessão pública realizada em Sesimbra, no quadro do centenário de Álvaro Cunhal.
O que une é mais do que o que separa
A sessão, realizada no dia 13 na Quinta do Conde, foi promovida pela Direcção da Organização Regional de Setúbal do PCP e teve como oradores Carlos Gonçalves, da Comissão Política; Edgar Silva, do Comité Central; o padre Horácio Noronha; e Helena Cordeiro, membro da Comissão de Freguesia da Quinta do Conde do PCP e da Liga Operária Católica (LOC), a quem coube dirigir os trabalhos. A moderadora ficaria ainda encarregada de ler a intervenção enviada por Deolinda Machado, membro da LOC e da Comissão Executiva da CGTP-IN, impossibilitada de estar presente devido a doença.
Nessa intervenção, a sindicalista católica analisava a grave situação do País, defendendo que a aprovação de mais um Orçamento do Estado devastador levaria ao agravamento dessa mesma situação. Deolinda Machado lembrava ainda que as políticas de repressão, de baixos salários, de retirada de direitos e de promoção do desemprego, nada contribuem para a valorização dos trabalhadores; antes pelo contrário, retiram-lhes a dignidade.
Por seu lado, Horácio Noronha, pároco do Pragal (Almada), observou que ao mesmo tempo que se assiste à ofensiva contra direitos e garantias dos trabalhadores e dos reformados aumentam igualmente as desigualdades sociais: os multimilionários são cada vez mais e concentram uma maior riqueza, enquanto aumenta o número de casos de pobreza extrema, de famílias que perdem o seu sustento. Para o sacerdote católico, sendo necessário auxiliar aqueles que se encontram em situações de carência extrema, tal ajuda não deverá ser duradoura, sendo para tal essencial encontrar soluções de emprego e evitar que novas situações aconteçam.
Objectivos comuns
Depois de Edgar Silva lembrar que, ao contrário do que ao longo de anos defenderam diversos dirigentes católicos, é possível acções comuns e convergentes entre estes e os comunistas (tal como Marx e Lénine indicaram, aliás), Carlos Gonçalves recordou as palavras de Álvaro Cunhal, segundo o qual o PCP combatia os sacerdotes fascistas não pela sua actividade religiosa, mas pela sua «actividade contra o povo e o País». O dirigente comunista salientou ainda que as convicções religiosas não alteram a posição de classe de cada crente.
Sublinhando ser necessário alargar o relacionamento dos comunistas com as massas católicas e procurar caminhos de entendimento comuns de luta em defesa dos direitos dos trabalhadores e do povo, Carlos Gonçalves convocou para o objectivo comum de combater a exploração e o empobrecimento o movimento sindical unitário, as organizações de classe e o movimento associativo e popular.