Acto público em defesa da Síria

Um acto público contra a agressão à Síria está marcado para hoje, dia 19, pelas 18h00, com início junto aos Armazéns do Chiado e chegada no Largo Camões, em Lisboa. A iniciativa é promovida por um conjunto de organizações preocupadas com o actual conflito na Síria e com a ameaça de escalada da agressão por parte dos EUA.  Essas organizações divulgaram entretanto um Manifesto, que a seguir se reproduz, e que está aberto à subscrição de todas as organizações que assim o entendam fazer.

Pela paz! Não à agressão à Síria!

Assistimos a um prolongado conflito na Síria, que tendo aparentemente surgido a partir de manifestações de insatisfação social, rapidamente foi apropriado por organizações subversivas armadas, com conexões e apoios em países e organizações estrangeiras, cuja violência evoluiu para uma guerra em larga escala, que conta já milhares de mortos e dois milhões de deslocados que sobrevivem em condições de grande carência e incerteza. A evolução desta crise trágica assenta em objetivos sombrios das potências ocidentais, lideradas pelos EUA, e pelas monarquias do Golfo Pérsico. A diversidade de objetivos ocidentais e regionais tem conjunturalmente confluído para uma aliança e partilha de meios e tarefas contra a soberania e a integridade da Síria. A Síria é um país com uma identidade longamente consolidada, um mosaico de culturas étnicas e religiosas coexistentes no quadro de um estado unitário, secular e de grande importância para a estabilidade do Médio Oriente. A agressão insidiosamente imposta ao povo sírio tem conduzido a enormes sacrifícios da população, mas tem sido sustida pelo patriotismo e pela férrea vontade desse povo em preservar a sua unidade e soberania. O governo dos EUA tem persistido sem descanso na ofensiva diplomática e subversiva contra o governo sírio, para tal encorajando a intromissão e o armamento de forças «rebeldes», porém com sucesso aparentemente insuficiente face aos seus objetivos imperialistas. Afrontando o direito internacional e os princípios inscritos na Carta da ONU, ameaça agora com o ataque militar direto, a pretexto da utilização não comprovada de armas químicas, pelo governo sírio – e negada por este. As consequências e os desenvolvimentos ulteriores são imprevisíveis, mas potencialmente múltiplos e extensíveis a todo o Próximo e Médio Oriente, ou mais além. Esse desígnio sinistro de ameaça de escalada de guerra tem merecido a ampla oposição dos povos, assim como a crítica cerrada e denúncia da parte de muitas autoridades nacionais (designadamente parlamentos), e reserva ou oposição da parte de instâncias internacionais. A hipotética boa-fé dos agressores vai-se diluindo e só os seus inconfessáveis interesses económicos e de domínio persistem inapagáveis. Estes desaires sofridos pelos governos de países ocidentais que integram a NATO e que no passado recente não hesitaram em levar a guerra e a destruir países – na Jugoslávia, no Iraque, no Afeganistão, na Líbia, no Mali, na Somália – são impostos pela opinião pública mundial e concretamente nesses mesmos países, cansada de mentiras e artificiosas campanhas de preparação de nefastas guerras e desenganada pelas suas desastrosas consequências. O povo português – que foi envolvido em alguns desses conflitos, mas que por outro lado viveu a descolonização, incluindo a luta pela independência de Timor Leste, e que partilha a solidariedade com os povos ainda em luta pela independência ou que defendem a sua soberania – encontra-se entre aqueles que afirma a sua oposição à agressão à Síria e a mais esta ameaça de escalada de guerra que agora pesa sobre o seu povo. O povo português está do lado da paz e da soberania do povo sírio. Portugal, fiel aos princípios consagrados na Constituição da República Portuguesa tem de dizer não à agressão, e assumir no plano humanitário e diplomático a sua solidariedade atuante para com a Síria.

Setembro de 2013


Organizações subscritoras (até o momento):

• Associação Intervenção Democrática – ID  • Associação Portuguesa de Amizade e Cooperação Iúri Gagárin • Confederação Geral dos Trabalhadores Portugueses – Intersindical Nacional • Conselho Português para a Paz e Cooperação  • Cooperativa Mó de Vida  • Federação Intersindical das Indústrias Metalúrgicas, Químicas, Eléctricas, Farmacêutica, Celulose, Papel, Gráfica, Imprensa, Energia e Minas  • Federação Nacional de Sindicatos dos Trabalhadores em Funções Públicas e Sociais  • Federação Portuguesa dos Sindicatos do Comércio, Escritórios e Serviços  • Movimento Democrático de Mulheres  • Sindicato dos Trabalhadores do Comércio Escritórios e Serviços de Portugal  • Sindicato dos Trabalhadores do Município de Lisboa  • União dos Sindicatos de Lisboa  • União dos Sindicatos de Setúbal



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