Presidente da Venezuela era um dos alvos

Atentado travado

Dois co­lom­bi­anos foram de­tidos em Ca­racas quando se pre­pa­ravam para atentar contra a vida do pre­si­dente Ni­colas Ma­duro e do pre­si­dente da As­sem­bleia Na­ci­onal, Di­os­dado Ca­bello.

As au­to­ri­dades afirmam que a ope­ração é co­or­de­nada a partir de Miami e Bo­gotá

Os de­tidos estão ale­ga­da­mente en­vol­vidos numa ope­ração de­sig­nada de «pasta ama­rela», cujo ob­jec­tivo era as­sas­sinar os dois prin­ci­pais man­da­tá­rios ve­ne­zu­e­lanos. Se­gundo o mi­nistro do In­te­rior e Jus­tiça, Mi­guel Torres, ci­tado pela Lusa, as au­to­ri­dades ti­nham con­se­guido «obter in­for­ma­ções sobre a en­trada de [duas] pes­soas co­lom­bi­anas que per­tencem a um grupo de dez». O mesmo res­pon­sável in­formou que in­di­ví­duos, iden­ti­fi­cados como Víctor Mos­quera (22 anos) e Erick Rios (18 anos), en­traram na Ve­ne­zuela a 13 de Agosto através da fron­teira do Es­tado de Tá­chira (Su­do­este), tendo-se hos­pe­dado num hotel nas pro­xi­mi­dades da ca­pital da Ve­ne­zuela, para onde foram trans­por­tados por um in­di­víduo de nome Carlos Sal­cedo, que está a ser pro­cu­rado pela po­lícia e cuja foto já foi di­vul­gada.

Na al­tura da de­tenção, os sus­peitos ti­nham em seu poder «duas es­pin­gardas» do­tadas de miras laser e fotos de Ma­duro e Ca­bello, bem como «dez uni­formes do exér­cito ve­ne­zu­e­lano», re­velou igual­mente mi­nistro, antes de pre­cisar que «a in­ter­ceção de te­le­fo­nemas per­mitiu de­ter­minar que a cons­pi­ração contra o go­verno ve­ne­zu­e­lano con­tinua a de­correr e é di­ri­gida a partir de Miami e Bo­gotá, com pos­sível en­vol­vi­mento do ex-pre­si­dente co­lom­biano, Álvaro Uribe».

«Temos ele­mentos que provam como in­gres­saram, por onde o fi­zeram, quanto lhes pa­garam e qual a sua missão», frisou Torres, des­ta­cando que a iden­ti­fi­cação dos co­lom­bi­anos foi pos­sível graças à ajuda do Ser­viço de In­for­ma­ções da Colômbia.

Teia im­pe­ri­a­lista

Re­cen­te­mente foram tor­nados pú­blicos os do­cu­mentos da «Ope­ração Condor», plano das di­ta­duras da Amé­rica La­tina e das ad­mi­nis­tra­ções norte-ame­ri­canas para a eli­mi­nação de fi­guras in­gratas aos re­gimes apoi­ados pelos EUA. Em Maio de 2010, um re­la­tório da FRIDE, um «think tank» eu­ropeu para as ac­ções glo­bais, re­fere que di­versas agên­cias e fun­da­ções dos EUA e eu­ro­peias fi­nan­ciam a opo­sição ve­ne­zu­e­lana com 50 mi­lhões dó­lares/​ano. O do­cu­mento adi­anta que uma parte subs­tan­cial desse di­nheiro é di­ri­gido aos par­tidos «Pri­mero Jus­ticia», «Um Nuevo Ti­empo», e ao ultra-con­ser­vador e de­mo­crata-cristão «Copei».

Se­gundo o mesmo texto, o apoio fi­nan­ceiro «é ca­na­li­zado através de 10 a 12 pe­quenas ins­ti­tui­ções, todas elas com sede em Ca­racas». Nos úl­timos anos, emergiu das uni­ver­si­dades um mo­vi­mento de opo­sição na Ve­ne­zuela, apoiado pelos EUA, «mas também por al­gumas fun­da­ções eu­ro­peias, no­me­a­da­mente de Es­panha». Esse grupo de es­tu­dantes pro­punha-se a re­frescar a imagem pú­blica de par­tidos po­lí­ticos que go­ver­naram o país na úl­tima me­tade do sé­culo XX com li­ga­ções a casos de cor­rupção.

Entre os prin­ci­pais do­a­dores, desde 2002, surgem o Carter Center, a De­ve­lop­ment Al­ter­na­tives Inc, o Ins­ti­tuto Re­pu­bli­cano In­ter­na­ci­onal, o Ins­ti­tuto Na­ci­onal De­mo­crá­tico, a Fre­edom House, a Open So­ciety Ins­ti­tute, a Fun­dação Pan-Ame­ri­cana para o De­sen­vol­vi­mento, a USAID e o Na­ti­onal En­dow­ment for De­mo­cracy.

En­tre­tanto, do­cu­mentos des­clas­si­fi­cados sobre as ac­ti­vi­dades dessas agên­cias na Ve­ne­zuela re­velam que o fi­nan­ci­a­mento teve em conta o golpe de Es­tado contra Hugo Chavez, em Abril de 2002, o pa­ga­mento de greves e cam­pa­nhas elei­to­rais da opo­sição, de­sig­na­da­mente aju­dando nas es­tra­té­gias de co­mu­ni­cação dos par­tidos, e, até, o apoio à for­mação e ac­ti­vi­dade de jor­na­listas.

Ainda se­gundo a FRIDE, são vá­rias as fun­da­ções alemãs en­vol­vidas no fi­nan­ci­a­mento à opo­sição na Ve­ne­zuela, casos da Fri­e­drich Ebert (FES-ILDIS) e Konrad Ade­nauer (KAS), com cerca de 500 mil euros/​ano em pro­jectos com a ex­trema-di­reita acoi­tada no Copei e Pri­mero Jus­ticia, e um com­pro­misso anual de 70 mil euros para pro­gramas na Uni­ver­si­dade Ca­tó­lica An­drés Bello, onde se con­centra uma parte im­por­tante da «ini­ci­a­tiva es­tu­dantil».

O re­la­tório da FRIDE pa­rece evi­den­ciar um as­pecto não menos im­por­tante: a mai­oria das or­ga­ni­za­ções que re­cebem fundos são en­ti­dades vir­tuais, isto é, não têm nem equi­pa­mentos nem deixam rasto do seu tra­balho, sendo, por isso, pontes entre o fi­nan­ci­ador e os par­tidos ou or­ga­ni­za­ções opo­si­toras.

De resto, num re­la­tório do FRIDE de Ou­tubro de 2009, a in­ves­ti­ga­dora Su­sana Gra­tius re­fere cla­ra­mente que «ante as con­di­ções fa­vo­rá­veis ao cha­vismo, o re­sul­tado das elei­ções de Julho de 2010 não só de­pen­deria da opo­sição, como também da ac­tu­ação da co­mu­ni­dade in­ter­na­ci­onal».

Esta es­tra­tégia, adop­tada pelos EUA, tem se­gui­dores fiéis na Eu­ropa e es­tende-se até às re­la­ções co­mer­ciais, com­pro­me­tendo todos. A pró­pria in­ves­ti­ga­dora ques­tiona a razão pela qual Bru­xelas pri­vi­legia as re­la­ções co­mer­ciais com o Mé­xico, com quem as­sinou um acordo de co­mércio livre, em de­tri­mento do Brasil, que é a sexta eco­nomia mun­dial. Gra­tius con­clui que muito terá con­tri­buído, na al­tura, a pro­xi­mi­dade fí­sica e so­bre­tudo po­lí­tica do Mé­xico com os EUA.




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