Neoliberalismo, religião da desigualdade…
«O neoliberalismo surgiu depois da II Guerra Mundial, tendo por base um texto da autoria de Frederich Hayek. Neste documento ("O caminho da servidão", 1944), o autor critica a ausência de liberdade dos cidadãos quando existe um Estado de providência e bem-estar... Hayek demonstra, mesmo, a sua crença na desigualdade social como um valor a resguardar, posição oposta à que prevalecia no pensamento político da época» (Neoliberalismo, Inforpedia, Porto).
«O que divide os homens não são as coisas mas as ideias que eles têm em relação às coisas. As ideias dos ricos são bem diferentes das ideias dos pobres. A fome não é um fenómeno natural mas, sim, político...» Josué de Castro, Segurança Alimentar, 1958 ).
«Consideramos que a Comunicação Social pode representar uma das principais fontes da teoria e análise marxista acerca do capitalismo contemporâneo. Os conceitos de imperialismo, capitalismo monopolista e concentração financeira, são vitais para a nossa comprensão do que está a acontecer na economia e na sociedade. Sem esse esforço, estes conceitos e estas análises, jamais nos será possível entender a crise ou reflectir sobre para onde nos estão a levar e como deveremos responder ...» (Monthly Review, 14.9.2011).
«A miséria é o reverso da medalha da falsa abundância. Está em todos os lados onde existe uma sociedade totalitária mercantil. E num sistema onde a desigualdade seja sinónimo de progresso, a fome jamais poderá desaparecer... » (Isaac Singer, «A servidão moderna»).
A caridade filantrópica, a distribuição capitalista da riqueza e a teologia da prosperidade, tudo isto nos faz lembrar a tróica em Portugal, as viagens do Papa e o agronegócio no Brasil. Uma combinação de venenos mortais… Porque os contra-valores teológicos servem sempre de capa à exploração do homem escravizado que é apresentado pelos seus senhores (quando passivamente aceita o seu jugo) como um ser admirável, santificado pelo seu mudo sofrimento cristão. Por isso, as viagens papais de negócios ganham sempre um grande interesse. Para a mais recente deslocação do Papa Francisco I foi escolhido o Brasil, país onde as lutas de classes não cessam de afirmar-se. E o que se passa no Brasil, reflecte-se em Portugal. Particularmente na Agricultura, área que produz os bens alimentares e a exportação se torna chave do êxito da economia. Chave do êxito e condição da fome.
No nosso país, muito pouco é conhecido a respeito da tróica ou dos alçapões armadilhados escondidos no pacto de agressão. Mas pode afirmar-se, sem sombra para dúvidas, que a tróica procura impor, através dos constantes cortes, uma cada vez pior distribuição da renda produzida pelos trabalhadores. A par do reforço dos canais de centralização da riqueza e da eternização do mito da caridade cristã das instituições. São armas que servem perfeitamente os objectivos do neoliberalismo.
Assim, nestes labirintos ocultos das diplomacias, as viagens de negócios da Santa Sé têm, sempre, um grande interesse. Contam verdades que vão muito para além da retórica das encíclicas. Há mesmo um importante sector da comunicação social neoliberal que mistura esta visita papal, efectivamente com objectivos comerciais, a benefícios pretensamente humanitários. Seria, por exemplo, o caso da entrada de divisas através do turismo católico, dinamizador da economia e incentivador de novos postos de trabalho. «Com a verdade me enganas...».
Os negócios que na realidade estão sobre a mesa, ultrapassam de longe o bilião e 200 reais que o turismo brasileiro eventualmente lucrará. Na sombra, entretanto, desenvolvem-se processos multinacionais altamente lucrativos que destroem a cooperação entre os estados e a própria noção de Estado e da sua autonomia soberana. São negócios astronómicos de destruição maciça. Envolvem massas financeiras brutais, nomeadamente aquelas que o Vaticano controla. O agronegócio diz respeito às políticas sociais e económicas de combate à fome e à pobreza. Equilibra-se entre a ganância dos ricos e os direitos do homem. Cultiva o mito de olhos postos no lucro.
A sociedade brasileira abriga toda a imensa escala das contradições. É terra dos mitos. Por isso, não espanta que o novo Papa ( tão franciscano ele é!…) tenha escolhido o Brasil
como ponto de partida da sua missão de Jesuíta e mentor das tróicas deste mundo.
(continua)