TRABALHO, HONESTIDADE, COMPETÊNCIA
«Um projecto autárquico distintivo e singular, nascido dos valores de Abril»
Num cenário de contínuo e acelerado agravamento da situação económica e social, os executantes da política das troikas prosseguem a representação da deprimente farsa com a qual, escancarando o que são, o que os move e que interesses servem, puseram a nu a profunda crise institucional e política existente – crise para a qual só há uma saída digna e democrática: a dissolução da Assembleia da República, a demissão do governo e a convocação de eleições antecipadas.
Com a demissão (de facto irrevogável…) de Vítor Gaspar – com carta de despedida a sublinhar, registe-se, o fracasso da política do pacto de agressão; com o sai-não-sai de Paulo Portas – a confirmar tudo o que sobre tal personagem era sabido e a mostrar o muito mais que se pressentia; e com tudo o que se seguiu em matéria de encenações caricatas entre os dois protagonistas principais; de ordens emitidas pelos mandantes do grande capital nacional e transnacional e acatadas e cumpridas servilmente por todos os executantes locais; da clamorosa manifestação de irresponsabilidade e de desrespeito pela inteligência e a sensibilidade dos portugueses – com tudo isso e com o forte empurrão dado pela luta das massas trabalhadoras e populares, o Governo ficou feito em cacos, desfeito, esfrangalhado. E não há cola, nem remendos, nem artifícios, nem malabarismos que possam ocultar, ou sequer disfarçar, essa realidade. Acresce que o Governo e a maioria que o sustenta, cada vez mais desacreditados e isolados socialmente, agem em confronto com a Constituição da República e, portanto, fora da lei – e têm como único amparo os patrões do grande capital.
Não vendo as coisas assim, e agindo ao arrepio da realidade e do interesse nacional, o Presidente da República passa a ser não apenas cúmplice da política das troikas, mas também responsável directo pelas consequências para Portugal e para os portugueses da prossecução dessa política.
Toda esta situação confirma o papel decisivo da luta dos trabalhadores e das populações.
Basta dizer que os acontecimentos que expuseram a precariedade do Governo e da sua política ocorreram na sequência imediata da greve geral de 27 de Junho – construída na sequência de milhares de lutas levadas a cabo em todas as áreas de actividade dos sectores púbico e privado – e que deixou clara a determinação das massas trabalhadoras de prosseguirem a luta até alcançarem os seus objectivos de demissão do Governo e eleições antecipadas.
Uma determinação de imediato confirmada pela significativa concentração de sábado passado, em Belém, também convocada pela CGTP-IN, e onde milhares de trabalhadores – sob um sol abrasador – disseram de sua justiça. E garantiram que a luta vai continuar.
Nessa mesma linha de determinação de luta, inserem-se os desfiles convocados pelo PCP, para Lisboa, Porto e Évora, logo no dia da demissão de Paulo Portas. A oportuna iniciativa evidencia de forma inequívoca o papel singular desempenhado pelo PCP na situação nacional, a sua condição de partido diferente dos que, de facto, são todos iguais: há os que falam, falam, falam… e há o PCP, sempre na primeira fila da luta pela defesa dos interesses dos trabalhadores, do povo e de Portugal; sempre na primeira fila da luta contra a política das troikas e por uma política alternativa, patriótica e de esquerda; sempre presente e dando o seu contributo para o êxito das lutas no plano unitário; sempre presente, com a sua intervenção própria, quando as circunstâncias o exigem.
Porque é na luta que está a solução. E, como afirmou o Secretário-geral do PCP no desfile de Lisboa, «está cada vez mais nas mãos dos trabalhadores e do povo a possibilidade de assegurar um outro rumo para o País».
É ainda nesse quadro de luta contra a política das troikas e por uma política ao serviço dos interesses do País e da imensa maioria dos portugueses, que se inscreve a jornada nacional da CDU, a levar a cabo no próximo fim-de-semana, e que já deu sinal de si esta semana, através de várias iniciativas, nas quais pode inserir-se o já habitual passeio das Mulheres CDU do Porto, com a também habitual presença de Jerónimo de Sousa.
No sábado e domingo, em todo o País, milhares de activistas da Coligação Democrática Unitária contactarão trabalhadores e populações, numa ampla acção de esclarecimento sobre a importância das próximas eleições e a necessidade de a CDU concorrer ao maior número possível de órgãos autárquicos. Uma acção que será igualmente de valorização da quantidade e da qualidade do trabalho desenvolvido pelos eleitos da CDU, quer onde esta força política é maioritária quer onde não o é. Uma acção que demonstrará que a batalha das eleições autárquicas é, também, uma batalha contra a política das troikas e por um novo rumo para Portugal – e que, no momento que vivemos, a defesa do Poder Local Democrático passa pela derrota do Governo PSD/CDS e da sua política.
As três palavras que resumem a prática autárquica dos eleitos da CDU – Trabalho, Honestidade, Competência – não são um slogan de propaganda eleitoral: como a experiência mostra, elas constituem a essência de um projecto autárquico distintivo e singular, nascido dos valores de Abril. É essa a grande arma da CDU.
E esta prática de exercício do poder mostra um caminho: a resolução dos problemas dos trabalhadores e do povo só é possível de ser concretizada com o trabalho, a honestidade e a competência de que os comunistas e os seus aliados têm dado muitas e concludentes provas no Poder Local.