Greve em Guantánamo supera os 100 dias

Crescem o protesto e a indignação

Or­ga­ni­za­ções e grupos de de­fesa dos di­reitos hu­manos as­si­na­laram os 100 dias da greve de fome em Guan­tá­namo contra as con­di­ções de re­clusão e pela sua li­ber­tação. Con­cen­tra­ções, vi­gí­lias, men­sa­gens elec­tró­nicas, pe­ti­ções e cartas às au­to­ri­dades dos EUA foram al­gumas das formas en­con­tradas para de­mons­trar so­li­da­ri­e­dade para com a luta de­sen­ca­deada a 6 de Fe­ve­reiro, exigir o en­cer­ra­mento do campo de con­cen­tração e a re­so­lução da si­tu­ação dos de­tidos (90 por cento dos 166 re­clusos não en­frenta qual­quer acu­sação formal), bem como o fim das me­didas pu­ni­tivas, dos maus-tratos e das tor­turas.

Na se­gunda-feira, 13, ad­vo­gados dos en­car­ce­rados de­nun­ci­aram que os gre­vistas que pre­tendem falar com os seus de­fen­sores le­gais são su­jeitos a acres­cidas hu­mi­lha­ções. Já em Abril, as mesmas fontes ha­viam aler­tado para a trans­fe­rência for­çada de pri­si­o­neiros em pro­testo para celas in­di­vi­duais. O ob­jec­tivo é que­brar o ânimo e a fir­meza co­lec­tiva.

A luta ex­trema, ini­ciada por al­gumas de­zenas de presos, alas­trou no in­te­rior da ca­deia e galgou o es­paço con­fi­nado. As au­to­ri­dades dos EUA ad­mitem um nú­mero de 102 gre­vistas. Pelo menos 30 estão a ser ali­men­tados contra a sua von­tade, prá­tica que, aler­taram a se­mana pas­sada cerca de 20 or­ga­ni­za­ções, entre as quais a Hu­mans Rights Watch e a União Ame­ri­cana de Li­ber­dades Civis, é de­gra­dante, inu­mana e con­trária à Con­venção de Ge­nebra, da qual os EUA são sig­na­tá­rios.

Entre a co­mu­ni­dade mé­dica, a ali­men­tação for­çada dos de­tidos também sus­cita in­dig­nação. Na re­pu­tada re­vista mé­dica Lancet, de­fende-se que aquela «in­fringe o prin­cípio da au­to­nomia do pa­ci­ente». Opi­nião se­me­lhante tem a As­so­ci­ação Mé­dica Ame­ri­cana, su­bli­nhando que «todo o pa­ci­ente ca­pa­ci­tado tem o di­reito de re­chaçar a in­ter­venção mé­dica».

O Con­selho dos Di­reitos Hu­manos da ONU e a Cruz Ver­melha qua­li­ficam a ali­men­tação for­çada como tor­tura. Menos con­tun­dente, o re­lator do Co­mité das Na­ções Unidas contra a Tor­tura es­cusou-se a usar a ex­pressão, mas frisou que a questão fun­da­mental é que «a maior parte dos de­tidos estão ali há anos mesmo sendo evi­dente que não têm ne­nhum vín­culo com o ter­ro­rismo».



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