Bangladeche
A reabertura das fábricas têxteis de Ashulia foi acompanhada, sexta-feira, 17, por um forte dispositivo policial, enviado para a maior zona industrial do país a pedido dos patrões para coagir milhares de trabalhadores a regressarem à laboração e impedir manifestações. Desde o colapso de um edifício no Bangladeche, a 24 Abril, com um saldo de 1127 vítimas mortais, os operários bengaleses cumpriam uma série de greves desencadeadas pela indignação face à tragédia, mas foi no início da semana passada que os protestos contra as condições laborais e por aumentos salariais se tornaram mais intensos.
Entre a tragédia e a alegada retoma da actividade, os cerca de três milhões de operários têxteis obrigaram, pela movimentação de massas, o governo, o patronato e as grandes marcas mundiais europeias e norte-americanas, para as quais é canalizado o fundamental da produção, a comprometerem-se com inspecções credíveis às unidades fabris, a criarem uma comissão para avaliar melhorias salariais e a reconhecerem a organização e acção sindical. Promessas que já antes haviam sido formuladas e cujo cumprimento só a luta pode assegurar, num país onde 80 por cento das exportações dependem do poderoso sector têxtil.