Venezuela

Conspiração fascista

Pedro Campos
Contra todos os factos, a direita anti-bolivariana procura manter a marcha da desestabilização pós-eleitoral no país. O objectivo é derrubar o presidente escolhido pelo povo num sufrágio limpo.

O sistema eleitoral foi auditado 18 vezes

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«Eu não tenho dúvidas sobre o resultado emitido pelo sistema de votação porque foi efectivamente auditado, certificado e revisto na presença de testemunhas». A frase é do reitor eleitoral Vicente Díaz (ligado ao caprilismo) e foi proferida no dia 16 de Abril. Díaz considerou ainda que não pode auditar a totalidade dos boletins «porque isto é como uma prova de sangue» e «tu não necessitas de 100 por cento do sangue, basta uma amostra».A 21 de Abril, afirmava igualmente que nunca teve indícios para duvidar dos resultados das eleições e que reconhecia o presidente Nicolás Maduro.

O Movimento de Países Não-Alinhados, que inclui 120 estados de todos os continentes, reconhece a vitória eleitoral de Maduro e pede que cesse a violência da oposição. A UNASUR saudou o presidente e a Comunidade de Estados Latino-Americanos e das Caraíbas fez o mesmo, instando «todos os participantes na eleição a respeitarem os resultados oficiais emanados pelo Conselho Nacional Eleitoral (CNE)», única autoridade na matéria. Governos como os de Peru, Chile e México, entre outros insuspeitos de apoio aos bolivarianos, reconhecem Maduro como presidente. A Espanha governada pelo PP - que apoiou o golpe de 2002 -, depois de uma vacilação inicial, aceitou o resultado eleitoral. E até o governo de Obama, que ainda não reconheceu formalmente a presidência de Maduro, estimou que «a decisão da Venezuela de enviar [o deputado] Calixto Ortega como o seu encarregado de negócios, pode ser um passo na direcção de estabelecer canais de comunicação efectivos». Obviamente, Ortega é representante do governo de Maduro, e não de outro!

Entretanto, o ex-candidato Capriles continua a não reconhecer o resultado eleitoral e anuncia que o impugnará. Tudo indica que os seus argumentos não lhe permitirão chegar muito longe. Mistura alhos com bugalhos e não consegue articular com uma mínimo de coerência o que pretende...porque o que pretende é inconfessável: propiciar um clima de violência e outro golpe de Estado!

Sem argumentos

Para começar (inadmissível num advogado!), interpela o CNE, o que corresponde solicitar ao Supremo Tribunal de Justiça. E o que pede não tem mesmo ponta por onde se lhe pegue. São generalidades imprecisas uma sobre a outra. Recordemos que no mesmo dia 14 de Abril, foi feita uma auditoria aleatória na presença dos partidos políticos e do público a 54 por cento das urnas eleitorais. O resultados bateram certinhos. Estes 54 por cento são o que manda a lei. Para satisfazer um «capricho» caprilista, no dia 18 foram auditados mais 0,5 por cento. O resultado foi o mesmo. Agora, o CNE decidiu nova auditoria, também aleatória, das 46 por cento das mesas que não foram auditadas na primeira fase. Capriles ainda não está satisfeito. Nunca o estará porque o que quer é recuperar os privilégios de sempre... a bem ou a mal!

Basta relembrar que, antes das eleições e mesmo face a todas as verificações da sua equipa de especialistas, fez várias exigências adicionais. Foram aceites. No total, o sistema eleitoral venezuelano foi auditado 18 vezes, processos sistematicamente silenciados pelos meios de comunicação nacionais e internacionais.

Igualmente silenciados pelos media são os nove mortos e as várias dezenas de feridos provocados pelo discurso incendiário de Capriles (convidou os seus a «drenar a fúria com cacerolazos») e da sua gente. O jornalista Nelson Bocaranda escreveu sibilinamente no seu twitter: «informam que no CDI de La Paz, (...) Maracaibo, há urnas eleitorais escondidas e os cubanos que lá estão não as deixam retirar». O texto, dirigido a 1,2 milhões de seguidores, originou uma orgia de assaltos a esses centros médicos. Agora, Bocaranda faz-se de inocente...

Paralelamente, Timothy Tracy, norte-americano de 36 anos, foi preso pelos serviços de inteligência venezuelanos quando já estava com um pé no avião que o levaria de regresso a casa. É acusado de conspiração, associação para delinquir e uso de documento público falso. Alegado cineasta, Tracy reuniu-se com fins conspirativos com membros da oposição fascista. As autoridades estão na posse de vários vídeos que provam o seu papel na desestabilização. Preso foi também um militar (na reforma) de alta patente e membro do partido Voluntad Popular, ligado a Capriles, que protestou, junto com outros golpistas, as detenções.



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