IX Assembleia da Organização Regional de Braga

Organizar, intervir, crescer

A Organização Regional de Braga do PCP realizou a sua IX Assembleia no passado sábado, nas Taipas, com a presença do Secretário-Geral, Jerónimo de Sousa.

Pela assembleia passou o empobrecimento do distrito

Foto LUSA

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Sob o lema «Com os trabalhadores e com o povo – Organizar, intervir e crescer no distrito», centenas de militantes do Partido discutiram a situação política e social do distrito e do País, espelhada no texto de Resolução Política aprovado na Assembleia, e elegeram uma nova direcção para a região. No testemunho dos seus intervenientes, a assembleia ficou marcada por uma situação política e social muito difícil no distrito, tal como no País, fruto das políticas assumidas pelo pacto de agressão assinado por PS, PSD e CDS com a troika estrangeira, assim como pelo Governo PSD/CDS de Passos Coelho e Paulo Portas.

Foram muitos os relatos das tantas empresas que fecharam na região; dos milhares de trabalhadores desempregados; da precariedade; da liquidação da capacidade produtiva, que atinge não só a indústria transformadora como a agricultura, o pequeno comércio e restauração, e todas as micro e pequenas actividades que vivem do mercado interno; das dificuldades de acesso das populações à saúde, à educação, com a destruição do Serviço Nacional de Saúde e da Escola Pública; das alarmantes situações de trabalhadores, desempregados e pensionistas que vivem hoje abaixo do limiar da pobreza; da situação das mulheres e dos jovens; dos ataques ao poder local, com a recente lei de extinção de freguesias; dos ataques aos valores e direitos de Abril, que são direitos dos trabalhadores e do povo.

Ao mesmo tempo, os comunistas deram conta das inúmeras lutas e acções de protesto que, nos três anos que separam esta assembleia da anterior, os trabalhadores e o povo têm levado a cabo nas suas empresas, nos seus locais de trabalho e nas ruas, de onde se destacou as quatro greves gerais dos últimos anos, como resposta ao agravamento das suas condições de vida, a intensificação da exploração dos trabalhadores e a degradação da soberania nacional, consequências do rumo a que PSD/CDS subjugou o País.

A IX Assembleia da Organização Regional de Braga valorizou ainda a participação dos trabalhadores e das populações no movimento sindical, assim como noutros movimentos como dos trabalhadores desempregados, das mulheres, dos reformados e pensionistas, dos pequenos e médios agricultores, dos jovens, dos micro, pequenos e médio empresários e de outros sectores e camadas sociais. Envolvimento que é fundamental para a rejeição deste rumo e construção de uma alternativa que sirva os interesses dos trabalhadores e do povo.

Tarefas exigentes

Desta assembleia saíram os comunistas de Braga com muito trabalho e grandes e exigentes tarefas: de muito empenho no reforço do Partido e da luta de massas no distrito, que terá expressão já este mês nas comemorações do 25 de Abril em Braga e no 1.º de Maio, Dia do Trabalhador, em Guimarães. Reforço do Partido que terá que ser trabalho prioritário, com novos recrutamentos, com o envolvimento dos novos militantes nas tarefas do Partido, com mais quadros com responsabilidades.

Saíram, porém, com muita confiança nesta luta de massas e com a convicção de que, com o contributo dos comunistas, ela será cada vez maior e – não só nas ruas, como nas empresas e locais de trabalho – capaz de derrubar este Governo e, com ele, estas políticas de desastre e empobrecimento do País (com expressão tão grande do distrito), assim como de escolher e construir uma política patriótica e de esquerda e um governo que a concretize, em nome dos trabalhadores e do povo.

Saíram, como o disse Jerónimo de Sousa na intervenção com que encerrou a Assembleia, com «confiança num Partido que resiste e avança, cumprindo o seu papel para com os trabalhadores, o povo e o País, nunca perdendo de vista e para lá da conjuntura, o nosso objectivo e ideal de transformação social e a construção de uma democracia avançada, o socialismo e o comunismo».

Valores de Abril

À IX Assembleia da Organização Regional de Braga do PCP foram apresentadas duas moções, uma sobre o Poder Local e outra sobre o 25 de Abril, demonstrando a prioridade que os comunistas reservam, em tempos de fortes ataques aos direitos dos trabalhadores e do povo e ao poder local, à defesa dos valores de Abril e dos interesses das populações.

Defender o Poder Local contra a destruição e extinção de freguesias, continuando ao lado das populações na luta; concorrer, no quadro da CDU, a todos os órgãos municipais e a mais freguesias do que nas últimas eleições; e dar novos rumos aos concelhos e freguesias com o trabalho, a honestidade e a competência que caracterizam a CDU, são os objectivos que saíram desta assembleia, assim como a necessidade de envolver todo o colectivo partidário nesta batalha.

O mesmo envolvimento será necessário para, dia-a-dia, defender Abril na rua, nas empresas, nos locais de trabalho; pelos direitos, liberdades e garantias e pela Constituição da República Portuguesa, que os consagra, para retomar os caminhos de Abril e devolver os seus valores aos trabalhadores e ao povo, ao presente e ao futuro do País.



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