AS PROPOSTAS DO PCP

«As massas vi­eram à rua dizer “não!” ao Go­verno e ao pacto das troikas»

A jor­nada na­ci­onal de acção e luta, pro­mo­vida pela CGTP-IN, cons­ti­tuiu o mais sig­ni­fi­ca­tivo e re­le­vante acon­te­ci­mento da se­mana que passou. Em de­zenas de ci­dades, de Norte a Sul do País, as massas vi­eram à rua exigir o res­peito pelos seus di­reitos; dizer «não!» ao Go­verno e ao pacto das troikas; bater-se por uma po­lí­tica e um go­verno que sirvam os in­te­resses dos tra­ba­lha­dores, do povo e de Por­tugal. Tratou-se de um ex­pres­sivo con­junto de ac­ções de luta e de pro­testo, bem de­mons­tra­tivo da força das massas em mo­vi­mento, da luta or­ga­ni­zada dos tra­ba­lha­dores. Tratou-se de uma forte jor­nada que con­firmou de forma inequí­voca as enormes po­ten­ci­a­li­dades de de­sen­vol­vi­mento e in­ten­si­fi­cação da luta no fu­turo ime­diato – luta que há que pros­se­guir nos sec­tores, em­presas e lo­cais de tra­balho, bem como nas lo­ca­li­dades, e que cer­ta­mente vol­tará a as­sumir ex­pressão mas­siva no de­correr das co­me­mo­ra­ções do 25 de Abril e no 1.º de Maio; luta que cons­titui o único ca­minho eficaz para travar e der­rotar a po­lí­tica an­ti­pa­trió­tica e de di­reita e con­quistar a ne­ces­sária po­lí­tica pa­trió­tica e de es­querda que inicie a re­so­lução dos muitos e graves pro­blemas e dramas que afligem os tra­ba­lha­dores e o povo.

Factor de re­forço da con­fi­ança dos tra­ba­lha­dores na pos­si­bi­li­dade de mu­dança através da luta, a jor­nada na­ci­onal do dia 16 afirmou-se como mo­mento alto da acção das massas vi­sando um novo rumo para Por­tugal.

Tudo isto foi tema de de­bate na reu­nião do Co­mité Cen­tral do PCP, no pas­sado do­mingo. Um de­bate no qual foi su­bli­nhada, também, a im­por­tância e a ne­ces­si­dade de pros­se­guir e alargar a di­vul­gação das con­clu­sões do XIX Con­gresso do Par­tido – por um lado, fa­zendo chegar às massas o Pro­grama ali apro­vado – «Uma De­mo­cracia Avan­çada – os va­lores de Abril no fu­turo de Por­tugal», e con­tri­buindo assim para a afir­mação do PCP e do seu pro­jecto de trans­for­mação da so­ci­e­dade, pela li­ber­dade, pela de­mo­cracia, pela paz, pelo so­ci­a­lismo, pelo co­mu­nismo; por outro lado, di­vul­gando e de­ba­tendo com os tra­ba­lha­dores e o povo, o con­teúdo da po­lí­tica al­ter­na­tiva pro­posta pelo PCP, uma al­ter­na­tiva as­sente, de­sig­na­da­mente, na va­lo­ri­zação do tra­balho e dos tra­ba­lha­dores; na de­fesa dos sec­tores pro­du­tivos e da pro­dução na­ci­onal; na afir­mação da pro­pri­e­dade so­cial e do papel do Es­tado na eco­nomia; numa ad­mi­nis­tração e ser­viços pú­blicos ao ser­viço do País; na de­mo­cra­ti­zação e pro­moção do acesso ao des­porto, à cul­tura e à de­fesa do pa­tri­mónio cul­tural; na de­fesa do meio am­bi­ente, do or­de­na­mento do ter­ri­tório e na pro­moção de um efec­tivo de­sen­vol­vi­mento re­gi­onal; na de­fesa do re­gime de­mo­crá­tico de Abril e no cum­pri­mento da Cons­ti­tuição da Re­pú­blica Por­tu­guesa; na efec­tiva su­bor­di­nação do poder eco­nó­mico ao poder po­lí­tico; na afir­mação de um Por­tugal livre e so­be­rano e numa Eu­ropa de paz e co­o­pe­ração; por outro lado, ainda, na de­mons­tração das pos­si­bi­li­dades e na mo­bi­li­zação para a cons­trução da al­ter­na­tiva po­lí­tica cons­truída a partir da in­ten­si­fi­cação da luta de massas e do alar­ga­mento da uni­dade entre as forças pa­trió­ticas e de es­querda.

Nesse sen­tido, o Co­mité Cen­tral acen­tuou a ne­ces­si­dade de o co­lec­tivo par­ti­dário pros­se­guir, com de­ter­mi­nação e em­penho, a cam­panha «Por uma po­lí­tica al­ter­na­tiva, pa­trió­tica e de es­querda» e, através das mais di­ver­si­fi­cadas ini­ci­a­tivas de con­tacto di­recto com as massas, travar a im­por­tante ba­talha po­lí­tica contra a ex­plo­ração, o de­sem­prego e o em­po­bre­ci­mento, pela ur­gente der­rota do Go­verno e da po­lí­tica das troikas, pelo res­gate de Por­tugal da de­pen­dência e da sub­missão, pela de­vo­lução aos tra­ba­lha­dores e ao povo dos seus di­reitos, sa­lá­rios e ren­di­mentos.

O ba­lanço das ini­ci­a­tivas já le­vadas a cabo no âm­bito desta cam­panha é por de­mais elu­ci­da­tivo, quer quanto à sua im­por­tância, quer no que toca às pos­si­bi­li­dades de atrair à luta novos seg­mentos das massas tra­ba­lha­doras.

São grandes e com­plexas as exi­gên­cias que a ac­tual si­tu­ação do País co­loca ao PCP, pelo que a di­na­mi­zação das ac­ções em curso vi­sando o seu re­forço – or­gâ­nico, in­ter­ven­tivo, ide­o­ló­gico, fi­nan­ceiro – as­sumem, neste con­texto, uma re­le­vância cru­cial.

Trazer ao Par­tido mais e mais mi­li­tantes, sempre com a pre­o­cu­pação de con­cre­tizar a sua ime­diata in­te­gração nas res­pec­tivas or­ga­ni­za­ções, cons­titui uma das li­nhas fun­da­men­tais dessa acção. Do mesmo modo, a cri­ação, ou o re­forço, de or­ga­ni­za­ções par­ti­dá­rias nas em­presas e lo­cais de tra­balho, apre­senta-se como ta­refa de pri­mor­dial im­por­tância para o re­forço do Par­tido, sa­bido que é ser aí, na li­gação à classe ope­rária e aos res­tantes tra­ba­lha­dores, que se situa uma fonte de força es­sen­cial do PCP.

Também neste caso, mostra a ex­pe­ri­ência que é pos­sível ir mais longe, que é pos­sível avan­çarmos mais do que temos avan­çado, que é pos­sível re­forçar o Par­tido dando-lhe a força e a ca­pa­ci­dade que as exi­gên­cias ac­tuais im­põem. Mostra a ex­pe­ri­ência que com essa outra fonte de força es­sen­cial do PCP que é a mi­li­tância re­vo­lu­ci­o­nária, tudo é pos­sível.

É essa mi­li­tância co­mu­nista que per­mite ao Par­tido estar pre­sente onde é ne­ces­sário que es­teja – seja dando a res­posta firme e de­ter­mi­nada à po­lí­tica de di­reita; seja dando an­da­mento à pre­pa­ração dessa outra ba­talha im­por­tante que é a re­a­li­zação das elei­ções au­tár­quicas; seja avan­çando com o pro­cesso de cons­trução da Festa do Avante!... Tudo isso, e muito mais, tendo como pano de fundo, neste ano de 2013, as co­me­mo­ra­ções do cen­te­nário do ca­ma­rada Álvaro Cu­nhal. E tudo isso a con­firmar a força im­ba­tível do «nosso grande co­lec­tivo par­ti­dário».