Crime confessado
O presidente de Israel, Shimon Peres, declarou numa entrevista ao New York Times que o presidente palestiniano, Yasser Arafat, não deveria ter sido assassinado.
Suspeitas antigas são agora confirmadas
Arafat morreu em 11 de Novembro de 2004, num hospital francês. Os especialistas que investigaram a sua morte determinaram que esta foi causada por envenenamento, sem contundo terem podido apurar a substância usada.
Logo se avolumaram suspeitas de que os serviços secretos israelitas (Mossad) o haviam envenenado, mas as autoridades de Israel nunca o admitiram abertamente.
Na passada semana, o jornal norte-americano New York Times, publicou, na edição de dia 9, uma extensa entrevista com o presidente israelita, Shimon Peres.
Interrogado sobre se, na sua opinião, Arafat deveria ter sido assassinado, Peres respondeu sem rodeios: «Não. Eu pensava que era possível chegar a entendimento com ele. Sem ele, era muito mais complicado. Com quem mais poderíamos ter firmado o acordo de Oslo? Com quem mais poderíamos ter alcançado o acordo de Hebron?»
Peres declarou ainda que protegeu Arafat de «várias conspirações contra a sua vida» e tentativas de o retirar da Palestina, acrescentando que se opôs à política de assassínios de Israel como meio para atingir os seus objectivos.
Concretamente, o chefe de Estado refere, entre outros casos, a sua oposição ao assassínio de Khalil Al-Wazir (Abu Jihad), braço direito de Arafat, na Tunísia por um comando israelita em 16 de Abril de 1988