Bangladesh
Operários têxteis voltaram a manifestar-se, dia 3, na província de Ashulia, por melhores condições de trabalho. De acordo com a AFP, pelo menos 10 mil trabalhadores bloquearam estradas e tentaram ocupar cerca de 50 fábricas.
Um boato sobre um novo incêndio numa das mais de 500 fábricas da região terá desencadeado nova revolta. No passado dia 24 de Novembro, 110 trabalhadores morreram carbonizados numa unidade têxtil. As vítimas não puderam escapar às chamas porque o proprietário as fechou a cadeado no edifício.
A suposta repetição da tragédia terá sido o detonador para a movimentação alargada das massas, que desde o final de Novembro têm contestado nas ruas a exploração imposta nos moldes mais bárbaros, afinal a razão de fundo do descontentamento crescente. A manutenção dos operários em cativeiro nas fábricas é uma das suas faces, como o são os salários mensais a rondarem os 36 dólares, remuneração da força-de-trabalho que contribuiu para converter o Bangladesh no segundo exportador têxtil do mundo – mais de 19 mil milhões de dólares em 2011 (números oficiais, que excluem, por isso, a economia paralela) ou 80 por cento do PIB do país.