POR UMA MUITO FORTE GREVE GERAL

«A cons­trução da greve geral, ta­refa pri­o­ri­tária de todos os mi­li­tantes e or­ga­ni­za­ções»

Enquanto, no plano in­ter­na­ci­onal, as elei­ções pre­si­den­ciais dos EUA do­minam os no­ti­ciá­rios, por cá as aten­ções cen­tram-se es­sen­ci­al­mente na cha­mada «re­fun­dação do me­mo­rando» e nas guerras do ale­crim e da man­ge­rona entre os lí­deres do PS e do PSD – tudo ser­vindo de pre­texto para des­viar as aten­ções do Or­ça­mento do Es­tado para 2013, sem dú­vida o pior OE desde o fim do fas­cismo.

Do «aceso com­bate» tra­vado entre Obama e Romney – ganho pelo pri­meiro, de acordo com as pri­meiras pro­jec­ções (o re­sul­tado final só será co­nhe­cido, pro­va­vel­mente, dentro de uma se­mana...) – os jor­nais, te­le­vi­sões e rá­dios têm-nos dito tudo… ex­cepto o que seria im­por­tante as­si­nalar em ma­téria, por exemplo, de atro­pelos de­mo­crá­ticos ao pro­cesso elei­toral (com a pers­pec­tiva da fraude sempre pre­sente), atro­pelos tanto mais as­si­na­lá­veis quanto ocorrem num país que se ar­roga o di­reito de de­cretar sobre a de­mo­cra­ti­ci­dade (ou não) das elei­ções nou­tros países; num país onde o sis­tema tem sempre a vi­tória pre­vi­a­mente as­se­gu­rada, seja qual for o can­di­dato ven­cedor; num país onde os can­di­datos, que têm nos grandes grupos eco­nó­micos os seus prin­ci­pais fi­nan­ci­a­dores, gas­taram nas cam­pa­nhas elei­to­rais quase seis mil mi­lhões de dó­lares – ainda mais do que, por cá, o Go­verno por­tu­guês se pre­para para ir sacar aos por­tu­gueses.

Se pro­ce­dermos a uma aná­lise com­pa­ra­tiva entre as elei­ções re­cen­te­mente re­a­li­zadas na Ve­ne­zuela e a farsa elei­toral dos EUA, será fácil ve­ri­ficar onde é que a de­mo­cracia elei­toral e os di­reitos dos ci­da­dãos elei­tores são res­pei­tados; onde é que os in­te­resses dos tra­ba­lha­dores e do povo são de­fen­didos; onde é que a de­mo­cracia par­ti­ci­pa­tiva existe e fun­ciona, etc, etc, etc.

Mas isso são contas que os media do­mi­nantes à es­cala in­ter­na­ci­onal não querem fazer. Por ra­zões ób­vias.

A an­te­ci­pação da vo­tação na ge­ne­ra­li­dade do OE es­pelha de forma lu­minar o es­tado de iso­la­mento e de medo dos tra­ba­lha­dores e do povo em que vivem os ac­tuais pro­ta­go­nistas da po­lí­tica das troikas. Já sa­bíamos que, de há uns tempos a esta parte, nem pri­meiro-mi­nistro, nem mi­nis­tros, nem se­cre­tá­rios de Es­tado apa­recem em pú­blico, ora fe­chando-se a sete chaves nos ga­bi­netes, ora fu­gindo pela porta do ca­valo quando são obri­gados a des­locar-se a qual­quer lado. Desta vez, mesmo na sede da As­sem­bleia da Re­pú­blica, foi vi­sível o in­có­modo dos par­tidos da mai­oria par­la­mentar face à con­cen­tração anun­ciada pela CGTP-IN para a tarde desse dia. Foi vi­sível, igual­mente, o de­sa­grado do outro par­tido da po­lí­tica das troikas – o PS – com a con­cen­tração, le­vando os de­pu­tados deste par­tido (com al­gumas ex­cep­ções) a abster-se na vo­tação sobre a an­te­ci­pação do ho­rário da vo­tação.

Não obs­tante os ma­no­brismos dos troi­kistas, a luta dos tra­ba­lha­dores da Ad­mi­nis­tração Pú­blica – e dos agri­cul­tores – as­sumiu, no dia 31 de Ou­tubro, ex­pressão re­le­vante e cons­ti­tuiu uma de­mons­tração de grande com­ba­ti­vi­dade e de­ter­mi­nação – a con­firmar a exis­tência de con­di­ções para que a greve geral da pró­xima se­mana venha a tra­duzir-se num sig­ni­fi­ca­tivo êxito – êxito nas em­presas e lo­cais de tra­balho, em pri­meiro lugar, e êxito na mo­bi­li­zação para as cerca de qua­renta con­cen­tra­ções con­vo­cadas para esse dia em todo o País, as quais, com a pre­sença de todos os que sentem na pele a con­sequên­cias da po­lí­tica de di­reita, darão à greve geral uma mais ampla di­mensão de pro­testo e de luta.

Antes disso, ha­verá ainda a re­cepção a Ângela Merkel, no dia 12, no Largo do Ca­mões – uma acção que se in­tegra, também ela, no pro­cesso de pre­pa­ração da grande jor­nada de luta do dia 14.

Assim sendo, e como temos vindo a su­bli­nhar com in­sis­tência, a cons­trução da greve geral apre­senta-se como a ta­refa cen­tral e pri­o­ri­tária para todos os mi­li­tantes co­mu­nistas e para todas as or­ga­ni­za­ções do Par­tido, a ta­refa que deve levar, nos dias que ainda faltam, à con­cen­tração de todos os es­forços do nosso grande co­lec­tivo par­ti­dário.

Com a cons­ci­ência e a cer­teza de que, após a greve geral, a luta con­tinua.

Todavia, e como sa­bemos, não se es­gota aí a ac­ti­vi­dade par­ti­dária. Veja-se a série de co­mí­cios su­bor­di­nados ao lema «Pôr fim ao de­sastre – re­jeitar o pacto de agressão», re­a­li­zados de Norte a Sul do País, com a par­ti­ci­pação do Se­cre­tário-geral do PCP – co­mí­cios onde a pre­sença de muitos não-mi­li­tantes é re­ve­la­dora da ca­pa­ci­dade de atracção do Par­tido. Veja-se, também, o vas­tís­simo con­junto de ini­ci­a­tivas re­la­ci­o­nadas com a pre­pa­ração do XIX Con­gresso, nas quais mi­lhares de ca­ma­radas levam por di­ante o de­bate em torno dos dois do­cu­mentos do Con­gresso e pro­cedem à eleição dos de­le­gados.

Veja-se, igual­mente, o sig­ni­fi­ca­tivo nú­mero de ac­ções par­ti­dá­rias as­si­na­lando o 95.º ani­ver­sário da­quele que foi o mais im­por­tante acon­te­ci­mento da his­tória da hu­ma­ni­dade: a Re­vo­lução de Ou­tubro.

Veja-se, ainda, o em­penho do co­lec­tivo par­ti­dário na cam­panha «um dia de sa­lário para o Par­tido», com a cons­ci­ência de que, como se diz nas Teses, «o fi­nan­ci­a­mento do PCP a partir dos seus meios pró­prios é es­sen­cial para ga­rantir a sua in­de­pen­dência po­lí­tica, or­gâ­nica e ide­o­ló­gica».

E sá­bado, dia 10, às 16 horas, lá es­ta­remos, no Hotel Altis Park, nas Olaias: ali, o ca­ma­rada Je­ró­nimo de Sousa, falar-nos-á sobre o pro­grama das co­me­mo­ra­ções do cen­te­nário do ca­ma­rada Álvaro Cu­nhal, a levar por di­ante du­rante todo o ano de 2013.

Este Par­tido, porque não de­siste de cum­prir o papel his­tó­rico que lhe está des­ti­nado desde há mais de nove dé­cadas, não pára. E é no seu re­forço que está o ca­minho da luta e do fu­turo.