Libertar o País do pacto de agressão
Centenas pessoas participaram, domingo, no comício que o PCP realizou em Santarém no âmbito da campanha Pôr Fim ao Desastre.
Também no distrito, a luta se intensifica e multiplica
A iniciativa contou com a presença de Jerónimo de Sousa que, uma vez mais, apelou à derrota do pacto de agressão, que considerou um «colete de forças que ata de pés e mãos o País, o sufoca e depaupera».
Para Jerónimo de Sousa, um ano e meio depois de ter tomado posse e iniciado funções, o Governo PSD/CDS é já um Governo acossado pela luta dos trabalhadores e do povo – uma luta determinada, enérgica e importante, pela mudança e por um novo rumo para o País, que deita por terra as teses propaladas que apresentam os portugueses como um «resignado» e «acomodado» à dramática situação do seu País. A luta é mesmo a «grande arma» que os trabalhadores e o povo têm para defender os seus interesses e os interesses do País, decisiva para concretizar um processo de ruptura com este Governo, a sua política, o pacto de agressão.
O Secretário-geral do Partido salientou ainda que a concretização de uma «verdadeira alternativa» depende apenas, em última análise, da luta, da sua amplitude e da sua força. Este é um tempo de «intensa luta e grandes combates», concluiu Jerónimo de Sousa, referindo-se à manifestação de hoje à tarde, em Lisboa, à concentração de 12 de Novembro, aquando da visita a Portugal da chanceler alemã Angela Merkel, e da greve geral de dia 14.
O reforço do PCP foi também salientado, tendo Jerónimo de Sousa destacado a adesão ao Partido de mais de mil novos militantes desde o lançamento da campanha de recrutamento e 5800 desde o XVIII Congresso.
Luta a crescer
Antes, já Manuel Martins, da Direcção da Organização Regional de Santarém do PCP, tinha saudado as «populações do distrito que souberam resistir à ofensiva para a destruição do Poder Local Democrático em que se inseriam os objectivos de extinguir mais de 70 freguesias na região» e os que, das mais diversas formas, «recusaram as intenções do Governo, seja através de moções, abaixo assinados, plenários, concentrações, manifestações e outras acções de massas como aquelas que ocorreram em Santarém e a participação massiva do distrito na grande manifestação nacional em defesa das freguesias».
Também a «grande maioria dos eleitos» do distrito – em 17 dos 21 concelhos – que se recusaram a participar no «assassinato das freguesias», mereceram a saudação dos comunistas, que lembraram que das «70 freguesias a extinguir, apenas 16 tiveram o parecer favorável dos órgãos autárquicos». Particular relevo merecem os eleitos da CDU que, segundo o dirigente regional do Partido, «em todo o lado se bateram contra os objectivos do Governo e que, em muitas situações, estando em minoria, conseguiram fazer aprovar as nossas posições de rejeição à extinção/agregação de freguesias».
Manuel Martins realçou também a luta dos utentes dos serviços públicos que, organizados em comissões e estruturas, «têm desenvolvido uma acção contínua e organizada em defesa de serviços públicos de qualidade e de proximidade, combatendo assim as políticas governamentais que promovem o encerramento, diminuição da qualidade e a privatização em quase todos os sectores».
Mas foi a luta dos trabalhadores a merecer a atenção especial do dirigente do Partido, quando se avizinham novos e decisivos combates. Manuel Martins lembrou nomeadamente a luta dos trabalhadores da Renoldy, em defesa de direitos e contra a imposição do trabalho aos domingos e feriados; das gráficas Madeira e Madeira e SOCTIPE em defesa dos postos de trabalho ou da Rodoviária do Tejo e da Ribatejana, que realizaram uma greve histórica com adesões de 98 e 95 por cento, «apesar de todas as manobras e intimidações do patronato».