Cumprir promessas
Dezenas de milhares de pessoas desfilaram, dia 30, em Paris, contra as políticas de austeridade e para reclamar um referendo sobre o Tratado Europeu de Estabilidade.
Esquerda quer travar guerra contra a finança
O desfile decorreu durante a tarde de domingo, sob as palavras de ordem de «Resistência» e «Hollande, cumpre as tuas promessas». Na mira dos manifestantes estava o debate no parlamento, marcado para ontem, terça-feira, 2, sobre o novo tratado europeu que impõem limites ainda mais apertados aos orçamentos nacionais.
Para o co-presidente do Partido de Esquerda, Jean-Luc Mélenchon, que desfilou ao lado de Pierre Laurent, secretário nacional do Partido Comunista Francês, e de outros dirigentes de formações de esquerda, como Olivier Besancenot et Philippe Poutou do Novo Partido Anticapitalista (NPA), aquele foi «o dia em que o povo francês se pôs em movimento contra a política de austeridade.
Por seu turno, Pierre Laurent, citado pelo L’Humanité, afirmou que «é um ponto de partida que começa hoje e vai continuar nas próximas semanas», considerando que se trata de um movimento para «dar coragem à esquerda para travar uma guerra contra a finança».
O líder do NPA viu nesta manifestação «uma primeira etapa» de uma «unidade durável da oposição de esquerda»: «Já era tempo de a rua se fazer ouvir contra a política do governo».
Atrás de representantes de 60 organizações políticas, sindicais e associativas que convocaram o protesto, milhares de pessoas desfilaram entre a Praça da Nação e a Praça de Itália.
Entre as muitas mensagens lançadas pelos manifestantes, ouviram-se gritos de que «Depois de Madrid, Atenas ou Lisboa, irá Paris».
PCP presente
Na manifestação participaram cerca de 40 comunistas portugueses que integram a Organização do Partido Comunista Português em França, levando bandeiras nacionais e do Partido.
Em comunicado, aquela organização manifestou «absoluta solidariedade» com a manifestação realizada na véspera pela CGTP em Lisboa e salientou que os comunistas portugueses em França protestaram «ao lado dos trabalhadores franceses e dos emigrantes portugueses, tendo em mente o sofrimento que a troika nacional (PSD/CDS/PS) e a troika estrangeira (FMI/BCE/UE) estão a causar ao povo português».
No mesmo dia, milhares de belgas manifestaram-se em Bruxelas contra o aumento das desigualdades. A acção foi convocada pela Plataforma pela Prosperidade e Contra as Desigualdades, que integra as principais centrais sindicais e um conjunto de outras organizações.