Um centenário actual
Colocando o foco na necessidade de uma nova reforma agrária e na importância do reforço dos sindicatos de classe, o Secretariado Inter-Regional do Alentejo da CGTP-IN promoveu no sábado, em Évora, as comemorações do centenário do 1.º Congresso dos Trabalhadores Rurais, com a participação do Secretário-geral da CGTP-IN, Arménio Carlos.
Algumas dezenas de actuais e antigos dirigentes sindicais e operários agrícolas, incluindo camaradas com papel de relevo nas lutas travadas na região durante a ditadura fascista, bem como na realização da reforma agrária, após a revolução de Abril, começaram por reunir-se frente ao número 21 da Rua da Freiria de Cima.
Junto ao local onde, a 25 e 26 de Agosto de 1912, decorreu o histórico congresso, foi deixada uma placa, assinalando a participação de 39 sindicatos, representativos de 12 525 operários agrícolas, bem como da Comissão Executiva do Congresso Sindicalista. Diogo Serra, coordenador da União dos Sindicatos do Norte Alentejano (que constitui, com as uniões distritais de Beja e Évora, o Secretariado Inter-Regional do Alentejo), fez uma breve evocação da história do movimento sindical e do contexto de acesas lutas, com destaque para duas greves gerais, e também para a severa repressão, que antecedeu a realização do congresso.
Pouco depois, na sede da Associação Povo Alentejano, realizou-se uma sessão solene, em que intervieram Valter Loios, pelo SIRA/CGTP-IN, e Arménio Carlos.
A estrutura organizadora das comemorações prestou homenagem à «luta heróica» e aos que a travaram, há cem anos, dando valiosos contributos para a constituição dos sindicatos e encabeçando uma luta que outros homens e mulheres continuaram, «nunca desistindo e, nalguns casos, até perdendo a vida». Das lutas posteriores, foi destacada a que culminou com a conquista da jornada de oito horas, em 1962, pondo fim ao trabalho de sol a sol. Hoje, o problema da terra, do seu uso e posse, é «um problema nacional, causado e agravado pela política de direita», depois de a reforma agrária ter mostrado como «a terra pode e deve ser um instrumento de liberdade e não de exploração».