Faleceu José Alberto Manso Pinheiro
Faleceu na semana passada José Alberto Manso Pinheiro, militante comunista e destacada personalidade em várias áreas da vida nacional. No seu funeral, Albano Nunes, do Secretariado do Comité Central, salientou o «homem íntegro, democrata e antifascista corajoso, militante comunista consequente e dedicado ao seu Partido de sempre».
Depois de se dirigir à família enlutada expressando o «grande apreço da direcção do Partido» pela dedicação e modéstia revolucionária que Manso Pinheiro sempre manifestou no desempenho das múltiplas tarefas que lhe foram confiadas ao longo dos 48 anos da sua militância comunista, Albano Nunes lembrou a adesão ao PCP em 1964, «tempos de fascismo e da mais rigorosa clandestinidade, tempos em que para a defesa do Partido dos golpes da repressão policial e para o desenvolvimento da sua actividade revolucionária foi fundamental a existência de uma sólida rede de pontos de apoio e de instalações clandestinas». A isto deu Manso Pinheiro uma valiosa contribuição, ao ajudar a instalar em Ourém uma tipografia clandestina.
Particularmente activo na luta antifascista nos plano legal e semilegal, José Alberto Manso Pinheiro foi um destacado activista do movimento da oposição democrática: participou activamente nas campanhas para as «eleições» fascistas de 1969 (tendo sido membro do Secretariado da CDE de Lisboa) e de 1973, as últimas realizadas sob o fascismo, já em pleno período da crise do regime e de afluxo da luta de massas que veio a culminar com a Revolução de Abril.
Participante no movimento cooperativo, foi ainda atleta olímpico na modalidade de esgrima, tendo participado nos Jogos Olímpicos de 1968, na Cidade do México. Desenvolveu igualmente uma intensa actividade no campo editorial e das artes gráficas, «afrontando a censura e contribuindo para a divulgação de obras de grande valor para a formação política e ideológica daqueles que combatiam o fascismo e aspiravam a um mundo melhor», realçou ainda Albano Nunes.
Depois do 25 de Abril manteve uma ligação muito estreita com o Partido, tendo sido membro da Direcção da Organização Regional de Lisboa e assumido responsabilidades e tarefas como quadro permanente do PCP. Organizado no Sector Intelectual da DORL, foi responsável pela célula dos Artistas Plásticos. Durante muitos anos foi membro da comissão da Bienal da Festa do Avante!.
Com o seu falecimento, destacou o membro do Secretariado, «perde-se um camarada valioso». Mas o Partido «continua, renovando-se, rejuvenescendo-se, atraindo às suas fileiras homens, mulheres e jovens que se destacam na luta, forjando novos combatentes pela causa dos trabalhadores e pelos ideais da Democracia e do Socialismo, causa e ideais pelos quais o camarada José Alberto Manso Pinheiro convictamente lutou e aos quais foi fiel até aos últimos dias de vida».