Agir em defesa da paz
Assinalando os 67 anos dos bombardeamentos nucleares de Hiroxima e Nagasaki, o PCP apela aos trabalhadores e ao povo para que intensifiquem a sua acção em defesa da paz e dos direitos dos povos.
É tempo de reforçar a luta pela paz e pelos direitos dos povos
Numa declaração de Rui Fernandes, da Comissão Política, proferida ontem ao fim da manhã, o PCP realçou a importância actual de ampliar a voz «contra a guerra, pela paz e cooperação entre os povos», garantindo a estes o direito inalienável de escolherem o seu próprio caminho, sem interferências, chantagens ou pressões de qualquer género. Ao assinalar o «trágico acontecimento que dizimou a vida a dezenas de milhares de pessoas», os comunistas não se limitam a «prestar um tributo às vítimas do horror nuclear»: reafirmam também a importância de lutar pela paz e pelo desarmamento, pela resolução pacífica dos conflitos, num momento em que «crescem os perigos da guerra com consequências imprevisíveis».
O aprofundamento da crise estrutural do capitalismo, a intensificação da exploração dos trabalhadores e dos povos, as crescentes ameaças anti-democráticas e ataques à soberania em diversos pontos do mundo aí estão a mostrar que a guerra e a agressão «continuam a ser instrumentos da estratégia imperialista de dominação económica e geo-estratégica». Hiroxima e Nagasaki «são um exemplo concreto de até onde pode ir essa desmedida ambição e as suas trágicas consequências».
Quanto aos diversos focos de tensão que caracterizam a situação internacional, «ligados umbilicalmente à política de ingerência dos EUA e da NATO», Rui Fernandes destacou o que se passa actualmente no Médio Oriente, «com o continuado suporte a Israel, bem como com crescentes ameaças, pressões e procura de pretextos geradores da agudização do ambiente de crispação relativo ao Irão».
Agressão e corrida aos armamentos
Referindo-se especificamente à Síria, cujo povo vive hoje «momentos terríveis», o dirigente comunista denunciou o «fornecimento, a partir do exterior, de material de guerra e outros apoios ao denominado exército sírio livre, de facto apoiado pelo imperialismo e seus aliados na região». Este e outros grupos, aliás, têm o apoio da administração Obama inserindo-se a sua acção na linha das declarações de responsáveis políticos e militares norte-americanos e da União Europeia favoráveis a uma intervenção militar naquele país.
O PCP alerta que «foi com base em campanhas e argumentos similares às que hoje estão em curso relativamente à Síria que se desenvolveram as agressões na Jugoslávia, no Afeganistão, no Iraque ou na Líbia», nas quais «centenas de milhares de pessoas perderam a vida, outros milhares passaram à condição de refugiados, novos focos de tensão foram criados, novo alimento foi dado ao desenvolvimento do terrorismo». Nestas e noutras guerras de agressão, lembrou Rui Fernandes, «sempre justificadas em nome da democracia e dos direitos humanos», foram escondidos os «reais interesses económicos e geo-estratégicos das principais potências imperialistas da NATO e os lucros do complexo militar industrial e das multinacionais a si associadas».
Aliás, denuncia o PCP, o Pentágono acaba de completar os testes a mais uma arma convencional, para a qual investiu mais de 300 milhões de dólares, um míssil/ bomba com capacidade perfurante do solo, «ao mesmo tempo que faz o discurso da redução de custos em despesas militares». Para os comunistas, «se os EUA tivessem realmente interessados em prosseguir um desígnio de desarmamento começariam por pôr fim ao prosseguimento do seu esforço armamentista e adoptariam medidas de redução do seu próprio poderio nuclear». Mas a realidade é «bem diferente da propaganda sistemática veiculada pelos principais meios de comunicação internacionais, sob seu controle, e acriticamente difundida em todo o mundo».
Ontem ao final da tarde, na estação de Metro da Trindade, no Porto, a JCP assinalou os 67 anos do bombardeamento nuclear perpetrado pelos EUA sobre Hiroxima e Nagasaki, salientando que «quem faz a guerra não quer a paz» e acusando as autoridades daquele país de se estarem a imiscuir nos assuntos internos da Síria, como fizeram antes na Líbia.