O declínio do Vaticano a par do «coma» capitalista
«A Igreja católica vive várias crises, tais como: o dilema de se modernizar e acompanhar os avanços dos últimos anos, tanto nos costumes como na tecnologia; a acirrada concorrência das outras religiões e dos apelos que reduzem o rebanho dos católicos; e as graves denúncias dos últimos anos, que incluem acusações de pedofilia. O drama principal, no entanto, é o da autoridade centrada numa só figura – o Papa – que hoje já não encontra paralelo nas hierarquias de quase nenhum outro poder...» (João José Formi, prof. de Comunicação Empresarial, Comunicação Social e Gestão de Crises).
«A estratégia da mentalidade neoliberal consiste em transferir o Magistério da Esfera Divina, espiritual e vocacional, para a esfera do mercado. Os princípios norteadores de um mercado capitalista tornam-se a cartilha dos ministros do Evangelho com visão mercadológica. É o mercado do trabalho que emite os sinais que permitem orientar as decisões da Igreja em matéria social». (Marcos Arrais, professor de Tecnologia da Educação, Universidade Católica de Minas Gerais).
«Toda a trajectória de desenvolvimento do modo de produção capitalista e da luta de classes na sociedade burguesa conduz, inevitavelmente, à mudança revolucionária do capitalismo pelo socialismo. O capitalismo gera a grande indústria que é premissa material da passagem ao socialismo. O desenvolvimento do capitalismo cria, com o proletariado, a força social chamada a realizar essa passagem. Pela sua situação económica, o proletariado é a única classe capaz de agrupar à sua volta todos os trabalhadores, para derrubar o capitalismo e fazer triunfar o socialismo». (Vários autores, “Manual de Economia política”, Editorial Estampa).
A crise geral do capitalismo é um livro aberto se o lermos à luz das leis políticas da história expostas por Marx, Engels e Lenine. O novo capitalismo progrediu, com as suas ilusões, mas na ponta final do seu percurso triunfal produzirá o seu oposto, o socialismo. É a afirmação da inegável dialéctica materialista da história e da vida.
Pelo caminho, o neocapitalismo vai deixando um terrível legado: a fome, as guerras, a ruína económica, o desemprego e os cacos produzidos pela sua fúria selvagem de concentração do capital. Tem como grandes objectivos a instalação dos monopólios e a destruição do Estado Social. Conta com a inércia dos povos.
Se olharmos à nossa volta é justamente isto que veremos. O caso da banca ibérica é um exemplo, entre muitos outros, que ilustram a demonstração das leis marxistas-leninistas. Se o escolhemos foi porque tudo quanto se passa em Espanha tem inevitável eco na sociedade portuguesa e efeitos no proletariado português.
Muito em resumo, pode constatar-se que os capitais financeiros ibéricos acentuaram, a partir da década de 90, a sua orientação política nos quadros da globalização e da Nova Ordem, com excelentes resultados comerciais. De início, os tempos da promoção do crédito bancário, da desregulamentação do imobiliário e dos jogos monetários, facilitaram a formação de novas fortunas e o alargamento do grupo milionário. O Vaticano emudecia perante o crescente caos da moral pública e também ela enchia os cofres através das suas redes financeiras privadas, da sua expansão empresarial e dos seus infames «paraísos fiscais».
Um pouco ao acaso, refresquemos a nossa memória colectiva lembrando o lobby do Opus Dei, nessa altura praticamente senhor do resto da banca espanhola e portuguesa. Eram seus (ou detinha posições maioritárias) o Popular, a União Industrial Bancária, o Banco Europeu de Negócios, o Atlântico, o Andaluzia, o Salamanca, etc., enquanto que controlava já, em todos os ramos de actividade, uma rede imensa de empresas, tais como a Heller Factoring, a Fiventas, a Sovegal, a Dofisa, a Phénix, a Condotte de l'Accua, Le Patrimoine, a Autopistas, a Cofesa, a Urbis, a Edinco, a Cedalga, a Nova Marbella, a Clarim, a RED, a «Associação Espanhola de Anunciantes» e centenas de outras organizações através das quais o clero domina os mercados e as bolsas. Tudo com as bênçãos do Papa, de Franco e Salazar, bem como dos caudilhos que vieram depois.
Este projecto megalómano de expansão e sacralização do capital expandiu-se a todo o mundo na década de 90, quando o sucesso do Capitalismo atingiu o seu auge.
Aparentemente, o povo nadava em dinheiro. Das misérias antigas pulara para os píncaros da lua …
(continua)