COM A LUTA VAMOS LÁ

«É pos­sível der­rotar a po­lí­tica das troikas e subs­tituí-la por uma po­lí­tica de sen­tido oposto»

Chegam em ca­ta­dupa as no­tí­cias sobre o de­sastre a que a po­lí­tica das troikas conduz o País: ao mesmo tempo que a re­cessão e a dí­vida au­mentam e a in­de­pen­dência e a so­be­rania na­ci­o­nais so­frem im­pi­e­dosas ma­cha­dadas, são cada vez mais os por­tu­gueses cada vez mais po­bres e contam-se por mi­lhões os que estão à beira da po­breza; o roubo do sub­sídio de fé­rias aos tra­ba­lha­dores da Ad­mi­nis­tração Pú­blica e aos re­for­mados e pen­si­o­nistas, pro­voca si­tu­a­ções dra­má­ticas a mi­lhões de por­tu­gueses; ser­viços pú­blicos es­sen­ciais são li­qui­dados, afec­tando gra­ve­mente as con­di­ções de vida das po­pu­la­ções; au­menta o nú­mero de de­sem­pre­gados e de tra­ba­lha­dores com sa­lá­rios em atraso; in­ten­si­fica-se a ofen­siva de ex­plo­ração dos tra­ba­lha­dores, com o grande pa­tro­nato pre­dador a apro­veitar-se da en­trada em vigor do Có­digo do Tra­balho para, abu­si­va­mente, tentar roubar di­reitos la­bo­rais – ha­vendo casos em que os tra­ba­lha­dores são co­lo­cados pe­rante ame­aças do gé­nero: ou aceitam a baixa dos sa­lá­rios ou são des­pe­didos…

É o ca­pi­ta­lismo à solta, igual a si pró­prio, de garras afi­adas, de­su­mano, brutal, ex­plo­rador.

É o pacto de agressão das troikas a fun­ci­onar em pleno, a em­purrar Por­tugal para o abismo e os por­tu­gueses para o de­sem­prego e para a mi­séria; a fla­gelar bru­tal­mente os in­te­resses dos tra­ba­lha­dores e do povo e a ferir gra­ve­mente a in­de­pen­dência na­ci­onal. Tal como o PCP previu e pre­veniu há um ano.

Em si­mul­tâneo com tudo isto, os go­ver­nantes vão te­cendo loas aos «êxitos» da sua po­lí­tica e curvam-se, agra­de­cidos e servis, pe­rante os elo­gios da troika ocu­pante – mestra na arte dos afagos ca­ninos.

En­tre­tanto, in­ten­si­fica-se a ofen­siva ide­o­ló­gica con­du­zida pelos pro­pa­gan­distas do grande ca­pital – co­men­ta­dores e ana­listas com lugar ca­tivo nos ór­gãos de co­mu­ni­cação so­cial, que são pro­pri­e­dade desse mesmo grande ca­pital – es­pa­lhando a pa­tranha das «ine­vi­ta­bi­li­dades», da «aus­te­ri­dade para todos», do «tem que ser» em nome «do in­te­resse na­ci­onal»… – assim pro­cu­rando ali­mentar, junto dos tra­ba­lha­dores e do povo, o con­for­mismo, a re­sig­nação, a acei­tação pas­siva de todo o rol de mal­fei­to­rias pra­ti­cadas pelo Go­verno.

Que as «ine­vi­ta­bi­li­dades» não o são, de­monstra-o o PCP de forma inequí­voca, con­tra­pondo a esta po­lí­tica an­ti­pa­trió­tica e de di­reita – ao ser­viço ex­clu­sivo dos in­te­resses dos grandes grupos eco­nó­micos e fi­nan­ceiros – a sua pro­posta de uma po­lí­tica pa­trió­tica e de es­querda, ao ser­viço do ver­da­deiro in­te­resse na­ci­onal – que é, in­sista-se tantas vezes quantas as ne­ces­sá­rias, o in­te­resse dos tra­ba­lha­dores, do povo e do País.

E quanto ao blá-blá-blá da «aus­te­ri­dade para todos», temos exem­plos claros disso, por exemplo, nos anun­ci­ados lu­cros do grande ca­pital e nos exaus­ti­va­mente di­vul­gados mi­lhões, muitos mi­lhões, que fazem as for­tunas dos «ho­mens mais ricos de Por­tugal» – todos sa­bendo, sem a menor dú­vida, que enun­ci­ando esses mi­lhões estão a in­sultar a imensa mai­oria dos por­tu­gueses: os mi­lhões de tra­ba­lha­dores de­sem­pre­gados, com sa­lá­rios em atraso ou com sa­lá­rios de mi­séria; os mi­lhões de re­for­mados e pen­si­o­nistas cujas re­formas e pen­sões não dão para comer; os mi­lhões de por­tu­gueses cru­el­mente es­po­li­ados dos seus di­reitos.

Como o PCP não se cansa de afirmar – e de­mons­trar – a po­lí­tica das troikas, com todo o seu longo cor­tejo de in­jus­tiças so­ciais e de aten­tados à in­de­pen­dência e à so­be­rania na­ci­o­nais, não é uma fa­ta­li­dade, não é uma praga caída sobre Por­tugal e os por­tu­gueses para todo o sempre: é pos­sível der­rotar essa po­lí­tica e, em nome de facto do in­te­resse na­ci­onal, subs­tituí-la por uma po­lí­tica de sen­tido oposto. É ver­dade que é di­fícil al­cançar tal ob­jec­tivo, tantos os obs­tá­culos e di­fi­cul­dades que se nos de­param. Mas não é menos ver­dade que é pos­sível al­cançá-lo, que é pos­sível su­perar todos esses obs­tá­culos e todas essas di­fi­cul­dades, e con­quistar um novo rumo para Por­tugal – e que o ca­minho para lá chegar re­side no pros­se­gui­mento, alar­ga­mento e in­ten­si­fi­cação da luta dos tra­ba­lha­dores e das po­pu­la­ções, uma luta que será tanto mais forte e eficaz quanto maior for a con­fi­ança e a con­vicção do seu êxito por parte dos seus pro­ta­go­nistas.

Como a vida nos vem mos­trando todos os dias, o con­for­mismo e a re­sig­nação têm vindo a dar lugar a uma cres­cente dis­po­ni­bi­li­dade de luta por parte de am­plos seg­mentos das massas tra­ba­lha­doras e po­pu­lares.

É sig­ni­fi­ca­tivo o facto de, apesar do tempo de fé­rias, se mul­ti­pli­carem as lutas, en­vol­vendo mi­lhares de tra­ba­lha­dores, em sec­tores, em­presas e lo­cais de tra­balho – como é digno de re­gisto o facto de, nas lo­ca­li­dades, se mul­ti­pli­carem as di­ver­si­fi­cadas ac­ções pro­mo­vidas pelas co­mis­sões de utentes contra o pa­ga­mento nas SCUT, contra o en­cer­ra­mento de es­colas, de cen­tros de saúde, de postos de cor­reio – para além das lutas contra a li­qui­dação de fre­gue­sias, um dos ob­jec­tivos do Go­verno PSD/​CDS na sua ofen­siva contra essa im­por­tante con­quista de Abril que é o Poder Local De­mo­crá­tico.

E novas, e cer­ta­mente mais ex­pres­sivas, lutas estão desde já anun­ci­adas, de­sig­na­da­mente a marcha contra o de­sem­prego, con­vo­cada pela CGTP-IN para o pró­ximo mês de Ou­tubro.

É neste con­texto que de­vemos ver a Festa do Avante!, também ela uma jor­nada de com­bate, porque parte in­te­grante da luta das massas tra­ba­lha­doras e po­pu­lares.

Es­tamos a um mês da re­a­li­zação da Festa – que cons­titui, no mo­mento, a ta­refa pri­o­ri­tária de todo o co­lec­tivo par­ti­dário.

Festa que sendo nossa, dos co­mu­nistas, é também a Festa de mi­lhares e mi­lhares de ho­mens, mu­lheres e jo­vens não co­mu­nistas e, por isso, festa de Abril.