A real agenda Síria
O massacre de Al-Houla na Síria foi, como cada vez mais provas apontam, um hediondo crime, concebido e executado por grupos terroristas armados a partir do exterior, com o objectivo de ser atribuído às forças militares e de segurança sírias. O seu propósito foi apenas um, subir um degrau mais na escalada de violência interna e prosseguir a agenda, claramente gerida por Washington, de destruição do plano Annan. Um plano que – apesar de sustentado numa linha de ingerência externa e de não reconhecimento e condenação do papel dos grupos terroristas – tinha a virtude de retirar campo, no imediato, à chamada «solução militar» e de reconhecer a legitimidade do governo sírio.
Ora esse não é o quadro em que EUA e seus mais directos aliados jogam, pois o seu grande objectivo é a «mudança de regime» com vista ao enfraquecimento do Estado sírio. Um enfraquecimento necessário quer a Israel quer aos EUA no seu enfrentamento com o alvo principal – o Irão – o grande obstáculo, juntamente com a Síria, aos projectos norte-americanos do «grande Médio Oriente».
É à luz desta realidade que deve ser lida a nova onda de violência na Síria que empurra aquele país para uma situação de guerra total, com as terríveis consequências que se conhecem e que ficaram mais uma vez patentes em Al-Kubeir, um novo crime cujos reais contornos estão ainda por explicar, mas que a comunicação social dominante já atribui novamente às forças governamentais. A mesma comunicação social que oculta por exemplo que no sábado, nas localidades de Lattakia e Al-haffeh, bandos armados atacaram instituições públicas, incendiaram um hospital e obrigaram os civis a abandonarem as suas casas, ou que oculta que o ministro da defesa libanês confirmou a infiltração de bandos armandos e armamento para a Síria através da fronteira sírio-libanesa, nomeadamente com origem em campos de extremistas sediados na cidade libanesa de Tripoli. Desenha-se agora novas rondas diplomáticas. Mas qualquer solução que não tenha em conta a real situação e o direito do povo sírio à soberania e independência do seu país, só contribuirá para mais derramamento de sangue.