A real agenda Síria

Ângelo Alves

O massacre de Al-Houla na Síria foi, como cada vez mais provas apontam, um hediondo crime, concebido e executado por grupos terroristas armados a partir do exterior, com o objectivo de ser atribuído às forças militares e de segurança sírias. O seu propósito foi apenas um, subir um degrau mais na escalada de violência interna e prosseguir a agenda, claramente gerida por Washington, de destruição do plano Annan. Um plano que – apesar de sustentado numa linha de ingerência externa e de não reconhecimento e condenação do papel dos grupos terroristas – tinha a virtude de retirar campo, no imediato, à chamada «solução militar» e de reconhecer a legitimidade do governo sírio.

Ora esse não é o quadro em que EUA e seus mais directos aliados jogam, pois o seu grande objectivo é a «mudança de regime» com vista ao enfraquecimento do Estado sírio. Um enfraquecimento necessário quer a Israel quer aos EUA no seu enfrentamento com o alvo principal – o Irão – o grande obstáculo, juntamente com a Síria, aos projectos norte-americanos do «grande Médio Oriente».

É à luz desta realidade que deve ser lida a nova onda de violência na Síria que empurra aquele país para uma situação de guerra total, com as terríveis consequências que se conhecem e que ficaram mais uma vez patentes em Al-Kubeir, um novo crime cujos reais contornos estão ainda por explicar, mas que a comunicação social dominante já atribui novamente às forças governamentais. A mesma comunicação social que oculta por exemplo que no sábado, nas localidades de Lattakia e Al-haffeh, bandos armados atacaram instituições públicas, incendiaram um hospital e obrigaram os civis a abandonarem as suas casas, ou que oculta que o ministro da defesa libanês confirmou a infiltração de bandos armandos e armamento para a Síria através da fronteira sírio-libanesa, nomeadamente com origem em campos de extremistas sediados na cidade libanesa de Tripoli. Desenha-se agora novas rondas diplomáticas. Mas qualquer solução que não tenha em conta a real situação e o direito do povo sírio à soberania e independência do seu país, só contribuirá para mais derramamento de sangue.



Mais artigos de: Opinião

Impulsos

Como seria de esperar, a quarta avaliação da troika a Portugal foi «positiva», apesar das nuvens que se adensam no horizonte: crescimento da economia ainda mais raquítico do que o previsto (0,2 em vez de 0,6 por cento), um valor mais elevado para a dívida pública (118 por...

O «resgate» espanhol

A imprensa titulou: «A Espanha pediu ajuda financeira para recapitalizar a banca». As centrais de (des)informação apressaram-se a chamar-lhe um «resgate suave» ou «descafeinado» (nas palavras de um jornal espanhol), pois não se trataria de um «resgate»...

Acordai!

«Acordai, homens que dormis /a embalar a dor dos silêncios vis» Do poema de Gomes Ferreira para as «Heróicas» de Lopes Graça   A falência e o descrédito da prática política dos partidos socialistas e social- democratas geraram na...

Sim, é possível os comunistas vencerem eleições burguesas

Este domingo trava-se importantes batalhas eleitorais na Grécia e em França, onde a 6 de Maio os povos rejeitaram o caminho que lhes está a ser imposto (que este prossiga, meramente recauchutado, expõe mais uma vez que o sistema eleitoral burguês se destina a preservar a ditadura da...