E A LUTA CONTINUA
«Intensificar e multiplicar a luta dos trabalhadores e do povo, é o caminho»
Foram mais de trinta mil os que, no sábado passado, no Porto, ao apelo da CGTP-IN, invadiram as ruas gritando a sua indignação e o seu enérgico protesto contra a política das troikas e exigindo uma política ao serviço do interesse nacional – que é o interesse dos trabalhadores, do povo e do Pais.
Tratou-se de uma forte afirmação da combatividade das massas trabalhadoras que, enfrentando a chuva que não parou de cair, rejeitaram frontalmente as alterações ao Código do Trabalho com as quais os partidos da política de direita – PS, PSD e CDS – pretendem roubar direitos aos trabalhadores, em alguns casos remetendo a legislação laboral para a existente nos tempos do fascismo (registe-se, a propósito, que há dias o Parlamento enviou para apreciação do Presidente da República a lei com essas alterações – alterações que, registe-se igualmente, violam frontalmente a Constituição da República Portuguesa; Constituição que, registe-se ainda, o PR jurou pela sua honra cumprir e fazer cumprir. Veremos se cumpre ou não o juramento feito)
Tratou-se de uma inequívoca acção de rejeição do famigerado pacto de agressão e das consequências dramáticas que a aplicação de tal pacto acarreta para Portugal e para os portugueses.
Tratou-se de uma demonstração concreta da firme disposição de luta dos trabalhadores, da sua determinação da darem continuidade à luta, da sua certeza de que só com a luta conseguirão alcançar os seus objectivos, da sua garantia de que a luta vai continuar.
Tratou-se, por tudo isso, de uma jornada de luta que é semente para as jornadas de luta do futuro e que, com o seu êxito, anuncia igual sucesso para a manifestação também convocada pela CGTP-IN no próximo sábado, desta vez em Lisboa.
Como de costume, os media dominantes trataram o acontecimento à sua maneira, ou seja, de acordo com aquilo a que todos eles chamam «critérios informativos», designação que outra coisa não é senão a máscara por detrás da qual todos eles procuram esconder a prática de desinformação organizada em que são especialistas. Com efeito, nenhum jornal deu primeira página à impressionante manifestação de massas do Porto –Sonae cometia a proeza de utilizar o espaço dedicado à manifestação – ainda assim bastante – para a tentar menorizar.
Percebe-se: na verdade, não há como silenciar ou depreciar as lutas dos trabalhadores para dar razão aos politólogos de serviço que, nesses media, se desunham no cumprimento da tarefa de, por um lado, pregar o fim da luta de classes e, por outro lado, espalhar a desvalorização e a inexistência da luta; incentivar a passividade e a resignação; espalhar ameaças e medos; demonstrar a inevitabilidade da política de direita e as inevitabilidades todas de que ela se alimenta: o desemprego, o roubo de direitos laborais, os roubos nos salários, pensões e reformas, a destruição do Serviço Nacional de Saúde e da Escola Pública; a liquidação do Poder Local Democrático; as injustiças sociais com o seu trágico cortejo de consequências: a pobreza, a miséria, a fome.
Todavia, não obstante esse silenciamento perpetrado pelos media dominantes, e obviamente contra a sua vontade e contra a vontade dos seus politólogos encartados, a luta continua.
E continua tanto mais participada e mais forte quanto maior e mais ampla é a consciência das massas trabalhadoras e populares da sua importância decisiva no que respeita à superação da situação existente; quanto maior e mais ampla é a convicção de que a solução para os muitos e graves problemas e dificuldades que flagelam os trabalhadores e o povo passa inevitavelmente pela rejeição do pacto de agressão, pela inscrição imediata de um processo de renegociação da dívida pública nos seus montantes, juros e prazos, pelo fim das medidas de austeridade para o povo, pelo desenvolvimento do País – enfim, pela alternativa patriótica e de esquerda a esta política antipatriótica e de direita; quanto maior e mais ampla é a consciência de que a luta vale a pena e que é na luta que se encontra a chave para a resolução dos muitos e graves problemas gerados pela política das troikas.
Com efeito, e como incisivamente acentuou o Secretário-geral do PCP na intervenção proferida no decorrer da IX Assembleia da Organização Regional de Portalegre, o caminho seguro e certo para derrotar esta política e impor a alternativa necessária passa inevitavelmente por «intensificar e multiplicar a luta dos trabalhadores e do povo, ampliar a convergência e intervenção de todos os democratas e patriotas que não se conformam com a liquidação da soberania do seu País, reforçar o PCP» – o partido da resistência e da alternativa à política de direita.
E a verdade é que o agravamento constante da situação nacional; a caminhada para o afundamento do País seguida pela política das troikas; os perigos crescentes para a independência e a soberania nacionais; as dificuldades cada vez maiores que pesam sobre as condições de vida e de trabalho da imensa maioria dos portugueses, tudo isso comprova a actualidade da exigência colocada pelo PCP de uma ruptura com a política de direita; da rejeição imediata desse instrumento de extorsão dos trabalhadores, do povo e do País que é o pacto de agressão; da implementação de uma política patriótica e de esquerda.
E se, para alcançar esse objectivo, a luta é o caminho, então quanto mais participada e mais forte for a luta, mais rapidamente o objectivo será alcançado.