Anteontem, a partir das oito horas, entraram em greve os trabalhadores da Mirandela Artes Gráficas, em Loures (Santo Antão do Tojal, para onde se mudou há cerca de cinco anos), reclamando o pagamento integral dos salários em atraso, a todo o pessoal.
A luta foi convocada pelo SITE CSRA. O sindicato da Fiequimetal/CGTP-IN, numa nota à comunicação social, recordou que o atraso no pagamento dos salários na Mirandela «tem sido nos últimos anos uma constante, apesar de os trabalhadores terem ao longo deste tempo dado provas de empenho e colaboração inexcedíveis».
Para além dos salários de dois meses, estão ainda em atraso três subsídios de Natal e três subsídios de férias. O sindicato não definiu data para o fim da greve e «espera que a administração da Mirandela, que tão célere é a argumentar contra os trabalhadores, cumpra a sua obrigação e pague aquilo que é dos trabalhadores por direito e que corresponde a muitos dias de trabalho realizados».
Em 2007, a empresa beneficiou de dezenas de milhões de euros de apoios públicos e incentivos fiscais. Os problemas dos trabalhadores motivaram, no início deste ano, um requerimento do Grupo Parlamentar do PCP ao ministro da Economia.
A greve marcada para 3 e 4 de Maio, na Santa Casa da Misericórdia de Chaves, foi suspensa, porque os trabalhadores receberam um dos seis salários que estavam em atraso e o compromisso de outro ser pago daí a dias. Na luta que realizaram a 9 e 10 de Abril tinham dado um prazo de duas semanas para o pagamento de dois salários. Jorge Pinto, dirigente do CESP/CGTP-IN, adiantou à Lusa que a comissão sindical ficou mandatada para negociar com a direcção da SCMC o pagamento diferido da dívida.
Um protesto, no dia 2, pelo pagamento de salários em atraso foi também decidido pelos trabalhadores do Hospital Particular de Lisboa, revelou o Sindicato da Hotelaria do Sul.