Sábado no Porto e dia 26 em Lisboa

Dar mais força à luta do povo

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É já de­pois de amanhã, no Porto, que tem lugar a pri­meira das duas ma­ni­fes­ta­ções con­vo­cadas pelo PCP para as­si­nalar um ano de apli­cação do pacto de agressão e para dar mais força à luta pela sua ur­gente e ne­ces­sária re­jeição. No dia 26 é a vez de Lisboa.

Os co­mu­nistas apelam a todos quantos não se con­formam nem se re­signam com o rumo do País para que par­ti­cipem nas ma­ni­fes­ta­ções e re­forcem assim a luta co­e­rente pela rup­tura e pela mu­dança.

O PCP não se subs­titui à luta do povo, antes a re­força

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Com estas duas ac­ções de rua, que cul­mi­narão em co­mí­cios em que in­ter­virá Je­ró­nimo de Sousa, o PCP pre­tende dar ex­pressão e con­ti­nui­dade à luta que os tra­ba­lha­dores e o povo têm vindo a er­guer contra o pacto de agressão e a po­lí­tica que este con­subs­tancia. Mas longe de se con­fi­narem a ac­ções de pro­testo, as ma­ni­fes­ta­ções serão também mo­mentos de re­a­firmar o com­pro­misso dos co­mu­nistas com a luta pela cons­trução de uma nova po­lí­tica, «pa­trió­tica e de es­querda, ao ser­viço dos tra­ba­lha­dores e do povo, por um Por­tugal com fu­turo», como se lia na nota de im­prensa de 6 de Abril que dava co­nhe­ci­mento da re­a­li­zação destas ac­ções.

Nelas se re­a­fir­mará a exi­gência de um novo rumo que, em rup­tura com a po­lí­tica de di­reita, passe pela re­ne­go­ci­ação da dí­vida pú­blica; a de­fesa do apa­relho pro­du­tivo e da pro­dução na­ci­onal; a va­lo­ri­zação dos sa­lá­rios e pen­sões; a pro­moção do in­ves­ti­mento pú­blico e o con­trolo pú­blico dos sec­tores es­tra­té­gicos da eco­nomia.

Os tempos que o País vive exigem que não se cale mais a in­dig­nação e o pro­testo, que se trans­forme a in­dig­nação e re­volta de cada um na acção e na luta de todos, pois só assim será pos­sível der­rotar esta po­lí­tica rui­nosa que, a não ser tra­vada, con­du­zirá o País para o abismo. Para o PCP, é já tempo de cada um fazer ouvir a sua voz e en­grossar a cor­rente dos que er­guem como im­pe­ra­tivo na­ci­onal a exi­gência de re­jeição do pacto de agressão que as troikas es­tran­geira e na­ci­onal estão a impor ao País e aos por­tu­gueses. A par­ti­ci­pação nas ac­ções con­vo­cadas e pro­mo­vidas pelo PCP será uma opor­tu­ni­dade de ex­pressar in­dig­nação, afirmar di­reitos e, so­bre­tudo, juntar mais forças à luta co­e­rente e tenaz por uma rup­tura com o ac­tual rumo.

 

Chegar mais longe

 

Apesar de as­sumir em nome pró­prio a con­vo­cação das ma­ni­fes­ta­ções de 12 e 26 de Maio, o PCP pre­tende que a par­ti­ci­pação vá para lá das fron­teiras par­ti­dá­rias e está a fazer es­forços nesse sen­tido. Com estas ac­ções, os co­mu­nistas pre­tendem dar voz aos que, sendo ví­timas deste pacto, não se re­signam e lutam todos os dias, nas em­presas e nas ruas, pela adopção de um novo ca­minho e de um novo rumo, bem como os que não se con­formam pe­rante o rumo de de­clínio que agrava os pro­blemas do País e em­po­brece os tra­ba­lha­dores e o povo.

No apelo à par­ti­ci­pação, o PCP di­rige-se a «todos quantos sabem, e sentem nas suas vidas, que a po­lí­tica que estão a impor ao País só lhes acres­centa ex­plo­ração, pri­va­ções, di­fi­cul­dades e in­cer­tezas quanto ao fu­turo»; e a todos quantos «per­cebem que por de­trás da con­versa sobre a “crise” e a “dí­vida pú­blica” o que se es­conde é uma po­lí­tica de­li­be­rada para con­ti­nuar a en­tregar mi­lhões aos grupos eco­nó­micos e fi­nan­ceiros e a amassar for­tunas de uns poucos, en­quanto a es­ma­ga­dora mai­oria dos por­tu­gueses vêem a sua vida feita um in­ferno».

Os co­mu­nistas di­rigem-se ainda àqueles que «não ab­dicam de viver num País so­be­rano e in­de­pen­dente e não aceitam ver o País trans­for­mado num mero pro­tec­to­rado das prin­ci­pais po­tên­cias eu­ro­peias e go­ver­nado a partir dos in­te­resses eco­nó­micos de Berlim ou Paris» e aos que «sabem e acre­ditam que há uma po­lí­tica al­ter­na­tiva e um outro rumo capaz de afirmar os di­reitos dos tra­ba­lha­dores e do povo e elevar as suas con­di­ções de vida».


Sempre na pri­meira linha

 

Os co­mu­nistas têm es­tado desde a pri­meira hora na linha da frente da luta contra o pacto de agressão e por uma po­lí­tica al­ter­na­tiva, pa­trió­tica e de es­querda: quer em nome pró­prio quer par­ti­ci­pando ac­ti­va­mente na or­ga­ni­zação e mo­bi­li­zação da luta mais geral dos tra­ba­lha­dores e do povo.

Logo no dia 9 de Abril do ano pas­sado, dois dias de­pois de o então pri­meiro-mi­nistro José Só­crates ter anun­ciado que pe­dira a in­ter­venção ex­terna da troika FMI, UE e BCE, mi­lhares de mi­li­tantes e sim­pa­ti­zantes do Par­tido en­cheram a Rua Au­gusta, em Lisboa, re­pu­di­ando essa ver­go­nhosa opção e exi­gindo a re­ne­go­ci­ação da dí­vida, a de­fesa do apa­relho pro­du­tivo na­ci­onal, a va­lo­ri­zação de sa­lá­rios e pen­sões, o con­trolo pú­blico dos sec­tores es­tra­té­gicos da eco­nomia. Nesse co­mício, Je­ró­nimo de Sousa alertou para a gra­vi­dade dessa de­cisão do go­verno do PS (apoiado no plano po­lí­tico por PSD, CDS e Pre­si­dente da Re­pú­blica, bem como pelos ban­queiros) «para o in­te­resse na­ci­onal, para a nossa so­be­rania e para a vida dos tra­ba­lha­dores e do povo».

Na cam­panha das elei­ções le­gis­la­tivas que se se­guiu, fruto da de­missão vo­lun­tária do go­verno do PS, o tema es­teve sempre pre­sente nas in­ter­ven­ções da CDU, que «re­cebeu» por duas vezes os re­pre­sen­tantes da troika es­tran­geira com con­cen­tra­ções junto ao Mi­nis­tério das Fi­nanças, onde se en­con­travam.

Do grande co­mício da Festa do Avante!, já com o novo Go­verno PSD/​CDS em fun­ções e a des­ferir já uma po­de­rosa ofen­siva contra di­reitos e ga­ran­tias, o Se­cre­tário-geral do PCP apelou à cri­ação de um «amplo mo­vi­mento po­pular» de exi­gência de re­jeição do pacto de agressão no qual con­ver­gi­riam os tra­ba­lha­dores e ou­tras ca­madas da po­pu­lação, os de­mo­cratas e pa­tri­otas. Nas pa­la­vras de Je­ró­nimo de Sousa, havia que er­guer uma «forte e ro­busta bar­reira de re­sis­tência e de luta pe­rante cada uma das me­didas anun­ci­adas, dar com­bate a cada uma das de­ci­sões im­postas, der­rotar cada um dos pro­jectos de as­salto a di­reitos e con­quistas so­ciais». Mas também ins­crever como «ob­jec­tivo geral dos tra­ba­lha­dores e do povo a luta pela re­jeição do pacto de agressão e sub­missão».

À me­dida que a luta crescia – sempre com a par­ti­ci­pação ac­tiva e de­ci­siva das or­ga­ni­za­ções e mi­li­tantes co­mu­nistas – o PCP voltou às ruas de Lisboa no dia 18 de Ou­tubro num des­file de mais de cinco mil pes­soas que re­jei­taram o roubo e a ex­plo­ração. Je­ró­nimo de Sousa afirmou então que o grande ca­pital e o Go­verno «têm medo da uni­dade dessa força imensa que são os tra­ba­lha­dores». Medo que estes tomem cons­ci­ência da sua razão e da sua força e, so­bre­tudo, da força da sua luta. Por esses dias, também no Porto, em Braga, na Ma­deira e um pouco por todo o País os co­mu­nistas fa­ziam a sua parte na mo­bi­li­zação para a luta ne­ces­sária.

De então para cá, re­a­lizou di­versas jor­nadas de luta uni­tá­rias, al­gumas de grande di­mensão: duas greves ge­rais (24 de No­vembro de 2011 e 22 de Março de 2012); uma grande ma­ni­fes­tação na­ci­onal a 11 de Fe­ve­reiro, pro­mo­vida pela CGTP-IN; vá­rias ac­ções de pro­testo sec­to­riais; mo­vi­mentos po­pu­lares contra o en­cer­ra­mento de ser­viços pú­blicos; a ma­ni­fes­tação em de­fesa das fre­gue­sias de 31 de Março.

No sá­bado, como no dia 26, o PCP vol­tará a sair à rua, não para se subs­ti­tuir ao mo­vi­mento po­pular e às suas es­tru­turas pró­prias mas in­se­rindo-se nele – e fa­zendo a sua parte na mo­bi­li­zação dos tra­ba­lha­dores e do povo para a dura luta que vai con­ti­nuar.



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