MAIO EM LUTA
«Uma luta que tem os valores de Abril como referência e os vê como parte integrante do futuro de Portugal»
Milhares e milhares de pessoas – em desfiles, convívios, almoços, jantares, espectáculos diversos – comemoraram Abril, os seus valores, as suas conquistas revolucionárias. Fizeram-no, como não podia deixar de ser, numa postura de inequívoca condenação da política de direita, a política contra-revolucionária que, praticada pelo PS, o PSD e o CDS, tem vindo desde há 36 anos a tentar destruir tudo o que de positivo a Revolução de Abril nos trouxe. Fizeram-no, por isso, a pensar em Maio e no seu primeiro dia, Dia do Trabalhador, dia de luta dos trabalhadores portugueses desde 1890 – luta determinada e corajosa travada, em todas as circunstâncias, ao longo dos tempos e cuja história, este ano, uma vez mais, estará presente na memória de muitos dos trabalhadores que vão participar nas inúmeras iniciativas convocadas pela CGTP-IN para todo o País.
Dessa memória emergirá, de forma destacada, a lembrança da grande jornada política do 1.º de Maio de 1962, de que agora se comemora o 50.º aniversário – uma jornada de luta que, constituindo a mais poderosa manifestação da classe operária e das massas trabalhadoras até então realizada, foi ponto de passagem para a vitória histórica da conquista das oito horas de trabalho pelos assalariados rurais dos campos do latifúndio explorador e opressor.
A importância histórica desse 1.º de Maio de 1962 é por demais visível no facto, na altura sublinhado por Álvaro Cunhal, de desde aí o Dia do Trabalhador, enquanto tal, ter passado a ser o dia nacional da resistência antifascista, ocupando, assim, o lugar até então ocupado pelo 5 de Outubro, dia da revolução republicana burguesa.
E, da mesma forma que, então, era claro que a luta popular de massas era o caminho certo para o derrubamento do fascismo, também hoje é evidente que o caminho certo para derrotar a política de afundamento nacional das troikas está na intensificação e no alargamento da luta das massas trabalhadoras e populares.
Na memória dos trabalhadores que no próximo dia 1 irão comemorar o seu dia, estará presente, também, aquele que, para sempre, ficará conhecido como o primeiro 1.º de Maio: as gigantescas manifestações que, uma semana depois do Dia da Liberdade, expressando nas ruas, de Norte a Sul do País, a imensa força autónoma e independente do movimento operário e popular – confirmando-o como uma poderosa realidade da vida nacional à qual estava reservado um papel determinante no curso do processo revolucionário – asseguraram que a revolução portuguesa iria desenvolver-se através da acção da classe operária e das massas populares em aliança com o Movimento das Forças Armadas e definiram o sentido e o conteúdo da Revolução de Abril, ao mesmo tempo que lhe imprimiam o ritmo que a situação exigia.
Assim, o 1.º de Maio de 1974 foi o ponto de partida para as grandes conquistas da Revolução: os direitos dos trabalhadores, as nacionalizações, a reforma agrária, o controlo operário, a descolonização, o poder local democrático, enfim, todo o conjunto de conquistas revolucionárias que viriam a constituir a matriz essencial da democracia de Abril consagrada na Constituição da República Portuguesa, ela própria uma conquista de Abril – todo o conjunto de conquistas democráticas que, nos últimos trinta e seis anos, têm constituído alvos prioritários da contra-revolução conduzida pelos três partidos da política de direita. Este ódio a Abril, este ajuste de contas com tudo o que Abril representa, é bem o retrato do conteúdo e dos objectivos da política dessa troika nacional, de há um ano a esta parte a cumprir, submissa e ausente de brio patriótico, a política determinada pela troika ocupante.
Vamos então comemorar o 1.º de Maio em luta: uma luta que tem as suas raízes na luta heróica dos trabalhadores e do povo ao longo da história; uma luta que tem os valores de Abril como referência essencial e os vê como parte integrante do futuro de Portugal; uma luta que tem na classe operária e nas massas trabalhadoras e populares os seus protagonistas essenciais – uma luta que, por tudo isso, se apresenta, na situação actual, como indispensável para enfrentar e derrotar a política antipatriótica, de direita e antipopular ao serviço dos interesses do grande capital, e para a substituir por uma política patriótica e de esquerda ao serviço dos interesses dos trabalhadores, do povo e do País.
Do Governo actual, dos partidos que o compõem – ou que, de forma mal disfarçada, apoiam a sua política, como é o caso do PS, indissoluvelmente ligado à política de direita, de que foi o iniciador e, há um ano, o primeiro assinante do pacto de agressão – só há a esperar mais do mesmo: o afundamento do País com a perda da sua soberania e independência, e o agravamento dos muitos e graves problemas que atormentam a imensa maioria dos portugueses – e, obviamente, a satisfação plena da insaciável sede de domínio e de lucros dos grandes grupos económicos e financeiros nacionais e internacionais, seus patrões e donos.
Assim sendo, neste 1.º de Maio há que dizer «basta!» a este Governo e a esta política. Há que fortalecer perspectivas rumo a um futuro inspirado em Abril, nas suas conquistas revolucionárias, nos seus valores. Há que carregar baterias para as necessárias lutas do futuro imediato. Há que afirmar de forma resoluta a vontade de retomar o caminho que Abril abriu e que Maio nos mostrou ser possível: o caminho da liberdade, da justiça social, da independência nacional, do respeito pelos direitos dos trabalhadores e dos cidadãos.