VIVA A GREVE GERAL

«É para a cons­trução da Greve Geral que de­vemos voltar todas as nossas forças e ca­pa­ci­dades»

Todos os dias a vida con­firma a aná­lise e as pre­vi­sões do PCP em re­lação à si­tu­ação do País e às causas e às con­sequên­cias dessa si­tu­ação. Do mesmo modo, as pro­postas dos co­mu­nistas vi­sando dar com­bate aos pro­blemas exis­tentes, afirmam-se de forma cada vez mais evi­dente não apenas como o ca­minho certo mas como o único ca­minho capaz de con­duzir à su­pe­ração desses pro­blemas.

Todas as me­didas go­ver­na­men­tais que têm vindo a fazer a vida negra à imensa mai­oria dos por­tu­gueses e a vida farta aos grandes grupos eco­nó­micos e fi­nan­ceiros – ao mesmo tempo que vão en­tre­gando a so­be­rania e a in­de­pen­dência na­ci­o­nais ao grande ca­pital in­ter­na­ci­onal – foram de­nun­ci­adas a de­vido tempo e a re­a­li­dade aí está, a com­provar a jus­teza da aná­lise do PCP. Uma aná­lise que é igual­mente con­fir­mada no que res­peita à causa real da si­tu­ação exis­tente: a po­lí­tica de di­reita pra­ti­cada há longos trinta e cinco anos pela troika PS/​PSD/​CDS e agora agra­vada com o pacto de agressão, as­si­nado pelos mesmos com a troika FMI/​UE/BCE.

Assim, a afir­mação do PCP de que a po­lí­tica de di­reita não re­sol­verá ne­nhum dos pro­blemas exis­tentes, antes os agra­vará a todos, apre­senta-se como uma ver­dade, todos os dias con­fir­mada – e sen­tida e so­frida por mi­lhões de por­tu­gueses.

Assim também, a ne­ces­si­dade de mu­dança de po­lí­tica de­fen­dida pelos co­mu­nistas – a subs­ti­tuição desta po­lí­tica an­ti­pa­trió­tica e de di­reita por uma po­lí­tica pa­trió­tica e de es­querda – emerge cada vez mais não apenas como uma so­lução certa mas como a única so­lução.

 

De entre as vá­rias e fun­da­men­tadas exi­gên­cias que os co­mu­nistas têm vindo a apre­sentar, su­blinhe-se, pela sua gri­tante ac­tu­a­li­dade, a que diz res­peito à re­ne­go­ci­ação da dí­vida – questão co­lo­cada desde logo pelo PCP, re­corde-se, quando da as­si­na­tura do pacto de agressão. E não se trata, como al­guns andam por aí a dizer, fu­gindo à questão cen­tral, de pro­ceder a «re­a­jus­ta­mentos à ajuda ex­terna».

Trata-se, isso sim, de uma re­ne­go­ci­ação que in­cida sobre os prazos, os mon­tantes e os juros, na sal­va­guarda dos in­te­resses de Por­tugal e dos por­tu­gueses.

Trata-se, por isso, de uma exi­gência que, a par da re­jeição do pacto das troikas, se apre­senta como um im­pe­ra­tivo para todos os ho­mens, mu­lheres e jo­vens de es­querda, para todos os de­mo­cratas, para todos os pa­tri­otas – e que, por­tanto, deve in­te­grar os ob­jec­tivos das lutas dos tra­ba­lha­dores e das po­pu­la­ções.

Acresce que, como su­bli­nhou o Se­cre­tário-geral do PCP, a si­tu­ação ac­tual é mar­cada por uma acen­tuada erosão do apoio so­cial do Go­verno PSD/​CDS – sendo certo que essa erosão será tanto mais sig­ni­fi­ca­tiva quanto mais ampla for a acção es­cla­re­ce­dora e mo­bi­li­za­dora junto dos tra­ba­lha­dores e do povo e quanto, na sequência disso, mais par­ti­ci­pada, mais forte e mais in­tensa for a luta de massas.

É certo que o Go­verno Passos/​Portas – en­quanto ins­tru­mento es­sen­cial da troika ocu­pante no pro­cesso em curso de afun­da­mento do País – be­ne­ficia, e muito, com a pos­tura do PS (como no go­verno an­te­rior o PS be­ne­fi­ciou da pos­tura do PSD/​CDS), sempre à pro­cura dos me­lhores e mais efi­cazes meios para de­fender a sua me­nina dos olhos: a po­lí­tica de di­reita.

É certo, também, que o Go­verno be­ne­ficia – e de que ma­neira – com o apoio ab­so­luto dos seus se­nhores e donos: os grupos eco­nó­micos e fi­nan­ceiros, afinal os grande be­ne­fi­ciá­rios da po­lí­tica de di­reita.

Mas a luta dos tra­ba­lha­dores or­ga­ni­zados nos seus sin­di­catos de classe é a força de­ter­mi­nante, capaz de vencer todos os obs­tá­culos, de su­perar todas as di­fi­cul­dades, de abrir os ca­mi­nhos do fu­turo dos tra­ba­lha­dores, do povo e do País. E esse fu­turo es­tará ainda mais ra­pi­da­mente ao al­cance das nossas mãos se a essa luta se jun­tarem, em força, as lutas das po­pu­la­ções unidas nas múl­ti­plas es­tru­turas re­pre­sen­ta­tivas dos seus in­te­resse, e a luta dos pe­quenos e mé­dios em­pre­sá­rios, e a luta dos jo­vens, e a luta dos re­for­mados e pen­si­o­nistas, enfim, a luta de todos os que são as ví­timas da po­lí­tica de di­reita.

 

É neste con­texto que de­vemos con­ti­nuar a ana­lisar a his­tó­rica jor­nada de luta que, no pas­sado dia 11, trans­formou o Ter­reiro do Paço no Ter­reiro do Povo e que, para além das enormes po­ten­ci­a­li­dades que evi­den­ciou, con­firmou ple­na­mente que, sim, aquele é o ca­minho; que, sim, é pos­sível dar a volta a isto – e que, por isso mesmo, tantos in­có­modos e azias pro­vocou a todos os que, di­recta ou in­di­rec­ta­mente, afir­mando-se de di­reita ou mas­ca­rando-se de es­querda, pro­curam en­fra­quecer o mo­vi­mento sin­dical uni­tário e dar força à con­ti­nu­ação da po­lí­tica de di­reita.

É nesse mesmo con­texto que de­vemos en­carar as lutas pers­pec­ti­vadas para o fu­turo ime­diato, com o de­vido des­taque para a Greve Geral con­vo­cada pela CGTP-IN.

Sempre com a pre­o­cu­pação de fazer das lutas até lá tra­vadas pólos de mo­bi­li­zação para 22 de Março – de­sig­na­da­mente as ac­ções já mar­cadas para 29 de Fe­ve­reiro e a se­mana de luta dos tra­ba­lha­dores da Ad­mi­nis­tração Pú­blica de 27/​2 a 2/​3 –, a pre­pa­ração da Greve Geral deve me­recer a pri­o­ri­dade de todas as nossas aten­ções e pre­o­cu­pa­ções. É para a sua cons­trução que de­ve­remos voltar todas as nossas forças e ca­pa­ci­dades.

É ali, nas em­presas e lo­cais de tra­balho, ali onde nasce a luta de classes, que os tra­ba­lha­dores e as suas es­tru­turas de classe cons­troem a Greve Geral – es­cla­re­cendo: de­nun­ci­ando o con­teúdo das al­te­ra­ções à le­gis­lação la­boral e as con­sequên­cias que a sua apro­vação e apli­cação te­riam para os tra­ba­lha­dores; de­mons­trando que é pos­sível der­rotar a po­lí­tica de di­reita e o seu pacto de agressão; mos­trando a im­por­tância do êxito da Greve Geral no en­con­trar dos ca­mi­nhos da mu­dança, rumo a um Por­tugal com fu­turo.