Organizar para lutar, resistir para vencer
A Direcção Nacional (DN) da JCP realizou, nos dias 14 e 15 de Janeiro, no Centro de Trabalho Vitória, em Lisboa, a sua primeira reunião de 2012, onde analisou a situação política e social da juventude portuguesa, e traçou as linhas de orientação para o reforço da organização e da luta.
É preciso lutar, com cada vez mais força e determinação
No texto da Resolução Política aprovada na reunião, os jovens comunistas criticam as medidas acordadas entre a troika nacional (PS, PSD e CDS) e a troika estrangeira (FMI, UE, BCE), que mais não são do que «um pacto de agressão à juventude, ao povo e aos trabalhadores portugueses», assim como o Orçamento do Estado (OE) para 2012, «ilustrativo da orientação política que o Governo PSD/CDS, com o tímido apoio do PS, escolheram», e que visa «apoiar os grandes grupos económicos» e «destruir quase todas as conquistas de Abril».
«É preciso lutar, com cada vez mais força e determinação, resistindo contra todas e cada uma das medidas que as troikas procuram impor, fazendo de cada escola, faculdade ou local de trabalho uma trincheira na batalha por uma vida digna e um Portugal com futuro e com direitos para a juventude», defende a DN da JCP, que aprovou um plano de trabalho da organização para o ano de 2012, que passa, entre outras, pelas áreas da habitação, do desporto, da cultura, «dando resposta às várias dimensões da ofensiva contra os direitos da juventude».
Obstáculos ao ensino
Relativamente ao ensino secundário, a JCP condenou as «insuficiências materiais e humanas» nas escolas e os cortes, através do OE para este ano, de 600 milhões de euros para a educação. O Governo propôs ainda outras medidas gravosas para os estudantes e as suas famílias, como o corte do passe escolar 4-18 e o aumento do custo dos transportes.
«Estas medidas acrescentam dificuldades à já muito difícil situação vivida por milhares de estudantes que diariamente se deparam com inúmeros obstáculos à frequência e sucesso no ensino secundário. Disto são exemplo, entre muitos outros, as situações de estudantes que passam fome, ou que têm de caminhar vários quilómetros para ir para a escola», revelam os jovens comunistas, alertando para o facto de estar em cima da mesa uma proposta de reorganização curricular do ensino básico e secundário que tem como objectivo «o despedimento de milhares de professores, a degradação da qualidade pedagógica e o abandono do princípio da formação integral do indivíduo».
Também os estudantes do ensino superior têm sido alvo de um ataque sem precedentes, com a exigência do pagamento de propinas e o inaceitável atraso do pagamento das bolsas. «Bem pode o Governo tentar mascarar as medidas que tem tomado e que procura criar terreno para tomar no curto-médio prazo, porque é claro que a sua opção é de elitizar ainda mais o acesso e frequência ao ensino superior», desmascara a JCP.
No ensino profissional a situação não é diferente, com o corte no passe escolar a que se soma «todas as despesas que todos os meses» os alunos têm de fazer. «O prosseguimento da luta e intervenção dos estudantes do ensino profissional contra o fim do passe escolar é decisivo para que ele não acabe», defendem os jovens comunistas.
Continuar a luta
Relativamente às questões do emprego com direitos, à precariedade e o desemprego, a JCP apelou à participação de todos os jovens na «Marcha pelo trabalho com direitos», no dia 28 de Março, Dia Nacional da Juventude, assim como na manifestação de 11 de Fevereiro, convocada pela CGTP-IN, e que «dará continuidade às muitas lutas desenvolvidas em centenas de locais de trabalho e sectores e, em particular, à Greve-Geral de 24 de Novembro de 2011, em que mais de três milhões de trabalhadores portugueses mostraram não estar disponíveis para se submeterem às políticas das troikas».
«Este ano, a luta tem de ser mais intensa do que nunca. Há que fazer iniciativas dinâmicas por todo o País, consciencializar cada vez mais jovens trabalhadores e trabalhar para o recrutamento e para a sindicalização de mais jovens», reforçam, no texto da Resolução Política, os jovens comunistas.
Intensificar a luta da juventude!
A intensificação da luta da juventude enquanto necessidade dos tempos que vivemos é indissociável do reforço da organização da JCP. Só uma JCP mais forte e mais organizada será capaz de responder aos cada vez maiores desafios colocados pelo aumento da ofensiva contra a juventude e o povo portugueses.
Assim, a DN da JCP lançou uma campanha interna de reforço da organização em que se coloca como objectivos centrais: o recrutamento de novos militantes para a JCP; a criação, reactivação e/ou reforço do funcionamento dos colectivos de escola, local de trabalho ou sector (dependendo das realidades); o reforço da recolha de fundos, com grande destaque para a regularização do pagamento das quotas de todos os activistas da organização; e ainda, a reorganização do ficheiro acompanhada da emissão do cartão de militante da JCP. A formação ideológica será igualmente um aspecto presente nesta campanha.
JCP contra «violenta ofensiva mediática»
A Direcção Nacional (DN) da JCP alerta para a violente ofensiva mediática em curso contra a Síria, o Irão e a República Popular Democrática da Coreia (reacendida nas últimas semanas), que procura legitimar não apenas a ordem mundial em que vivemos – marcada pela dominação imperialista – como criar espaço para futuras intervenções militares da NATO, EUA e UE e seus aliados, «cujo resultado não será diferente do registado na Líbia», com milhares de mortos e ocupação e pilhagem de um país soberano.
Sobre a XVIII Assembleia da Federação Mundial da Juventude Democrática (FMJD), realizada em Lisboa de 8 a 12 de Novembro, a JCP considerou-a um «sucesso», no plano internacional, quer pelo conteúdo das conclusões, quer pela ampla participação (84 organizações de mais de 75 países), que a fizerem «a maior Assembleia das duas últimas décadas». Às organizações presentes e, em particular, às organizações eleitas para a nova direcção da FMJD, das quais se destaca a EDON do Chipre, que agora assume a presidência, a DN da JCP enviou uma «fraternal saudação e desejos de bom trabalho». Nos últimos tempos, a JCP fez-se ainda representar nas brigadas de solidariedade da FMJD na Palestina (Setembro) e no Saara Ocidental (Dezembro), e no Congresso da Juventude Socialista Alemã.
XIX Congresso do PCP
Momento alto da organização
Sobre a realização do XIX Congresso do PCP – nos dias 30 de Novembro, 1 e 2 de Dezembro –, a Direcção Nacional da JCP não tem dúvidas de que «será um momento alto da organização, num grande envolvimento de camaradas na sua preparação e discussão», e refere que «dará o seu contributo para o grande sucesso deste importante momento maior da vida do Partido, que é também um momento de grande importância para o reforço da luta do povo português e para traçar orientações para o futuro e crescimento da organização».
Destaque «especial» merece também o Agit, jornal da JCP. «É necessário continuar a venda da edição de Novembro do Agit, priorizando as escolas e locais de trabalho», salientam os jovens comunistas, informando que a próxima edição será a número 100. Haverá também uma campanha de promoção da leitura, agitação e venda do Agit, dentro e fora da organização, que consistirá num cartaz e numa brochura, a que se devem associar iniciativas de debate e convívio.