Estudantes não se resignam
Por todo o País, os estudantes do Ensino Secundário e Básico saíram à rua e reivindicaram, no dia 22 de Novembro, uma escola pública, gratuita, de qualidade e democrática para todos.
Aumentam os preços nos bares, cantinas e papelarias
Lisboa, Braga, Silves, Esposende, Barcelos, Cantanhede, Almada, Barreiro, Setúbal, Montijo, Seixal, Évora e Belmonte foram alguns dos concelhos onde os estudantes participaram em manifestações e concentrações, em luta contra as medidas e os cortes que o Governo quer implementar na área da Educação.
Só em 2010 e em 2011 os cortes rondam os 1,2 mil milhões de euros. «Cortam na Educação com a desculpa que não há dinheiro e afinal deram aos bancos 12 mil milhões de euros», denunciaram, em nota à comunicação social, os estudantes, lembrando que «fosse a nossa escola um banco, não faltaria dinheiro».
De Norte a Sul do País, as críticas são comuns: «faltam funcionários e professores», «escasseiam verbas para garantir o funcionamento regular das escolas», «todas as obras que iam começar e que há muito eram prometidas foram suspensas», «aumentam os preços nos bares, cantinas e papelarias», «muitos estudantes não conseguem comprar os manuais escolares», «continua a engorda da Empresa Parque Escolar, através do pagamento de rendas mensais médias de 50 mil euros por escola intervencionada, que não tarda será privatizada», «aumentou o número legal de alunos por turma», «foram reforçados os poderes do director», «vão acabar com o passe social 4_18».
Nas acções de protesto, os estudantes reafirmaram ainda que vão «continuar a luta» para exigir «mais financiamento e a qualidade que nos garanta o sucesso escolar». «Queremos deixar bem claro ao Governo que não baixaremos os braços pela resolução dos nossos problemas e que vamos continuar a luta. Não descansaremos enquanto não tivermos a escola a que temos direito e enquanto o Governo não recuar em relação ao fim do passe 4_18», prometeram, apelando a todos os estudantes para que participem nas acções agendadas para hoje, quarta-feira, junto à Assembleia da República, aquando da votação do Orçamento do Estado (OE).
Escolas asfixiadas financeiramente
Numa saudação à luta dos estudantes, a JCP alertou, naquele dia, para o facto de os cortes previstos no OE para a Educação virem «aprofundar a linha política de transformar a Educação num negócio», «asfixiar financeiramente as escolas que deixarão de ter dinheiro para garantir o mais básico do seu funcionamento, como ter dinheiro para pagar as contas de electricidade, tendo levado já à decisão das direcções das escolas em poupar de todas as formas possíveis, mesmo que implique os estudantes passarem frio nas aulas».
«Com as medidas que estão a ser impostas, de cortes nos salários, subsídios de férias e Natal, aumentos nos transportes, da electricidade, do gás e dos bens essenciais, as famílias sentirão mais dificuldades financeiras e que trará ainda mais dificuldades aos estudantes para continuarem a estudar. Aprofundando ainda mais a situação dos estudantes e das famílias, acresce o constante aumento dos preços dentro das escolas e o anúncio de corte nos passes sociais, nomeadamente o 4_18», denuncia a JCP, que está solidária com a luta dos estudantes.
Escola sem condições
Na Escola Secundária de Ermesinde, com cerca de 1800 alunos, os «professores têm de comprar canetas para os quadros, pois a escola não tem dinheiro para o fazer», «existem inúmeros ratos», «chove dentro dos pavilhões», «os corrimões dos pavilhões abanam», «as portas estão todas sem fechadura», «as salas não têm qualquer tipo de aquecimento», «as persianas das janelas estão partidas», «os vidros partidos não são substituídos, sendo colocado fita-cola para tapar os mesmos», «a cantina é demasiado pequena para o número de alunos existentes na escola», «o pavilhão de educação física está completamente degradado», «as coberturas que ligam os pavilhões são feitas de materiais com propriedades cancerígenas» e, entre outros problemas, «nas turmas chegam a existir 30 alunos, tornando mais difícil a aprendizagem».
Manifestação em Lisboa
Luta no superior
Várias associações de estudantes do Ensino Superior convocaram, para ontem, dia 29, uma campanha nacional de agitação, com a entrega de uma petição e uma manifestação em Lisboa, do Marquês de Pombal até à Assembleia da Republica. Com esta iniciativa, os estudantes exigiram «mais financiamento», porque sem ele as instituições não podem garantir um Ensino de qualidade, «mais acção social escolar», garantindo a igualdade de oportunidades na frequência do Ensino Superior, e «a preservação da autonomia das instituições de Ensino Superior, para que se consigam gerir de forma mais eficaz os recursos orçamentais que recebem do Estado».