Um dia de salário para o Partido
A realização da campanha «Um Dia de Salário para o Partido», a desenvolver até ao final do ano, assume no actual quadro uma importância acrescida e é parte integrante do esforço mais geral de reforço da organização partidária e da sua acção e intervenção para fazer face à ofensiva de ajuste de contas com a Revolução de Abril e na luta pela rejeição do pacto de agressão.
A independência financeira é uma sólida garantia de independência política
O êxito da campanha de «Um Dia de Salário para o Partido» dependerá em larga escala da capacidade de envolver todo o Partido, todos os seus militantes e organizações, na sua planificação e concretização. Como a experiência de anos anteriores tem demonstrado, a campanha irá tanto mais longe quanto maior for o seu carácter alargado e de massas, não permitindo que fique circunscrita ao núcleo mais activo do Partido, antes levando o apelo à contribuição a muitos milhares de membros do Partido e a muitos outros democratas que reconhecem o papel insubstituível e indispensável do PCP.
Tendo em conta o quadro político e social em que a campanha decorrerá, é fundamental a sua inserção na acção geral do Partido, na dinamização da sua iniciativa política e da luta dos trabalhadores e das populações. Esta campanha não poderá ficar por um apelo geral, antes terá de envolver todo o conjunto da organização partidária aos vários níveis, alargando o número de quadros envolvidos na sua dinamização e não se limitando às estruturas para o trabalho de fundos.
O êxito da campanha exige que em cada organização ela seja planificada, sejam definidas as responsabilidades que a campanha implica, seja feito o controle regular do seu andamento, sejam traçados objectivos concretos para os contactos a realizar e metas no plano financeiro a atingir.
O êxito da campanha exige que sejam definidas as iniciativas que lhe darão corpo e que o postal de apelo à contribuição tenha a mais ampla difusão possível, mas sobretudo que cada um assuma como sua a responsabilidade de contribuir e de levar mais longe a compreensão para a importância desta iniciativa.
A Campanha «Um Dia de Salário para o Partido» tem como objectivo a realização de receitas para dar suporte à intensa actividade do Partido, de aumentar a sua capacidade financeira e de contribuir para atingir o equilíbrio financeiro em cada uma das suas organizações.
O reforço da capacidade financeira do PCP, assegurando o seu financiamento na base de meios próprios assente na militância, no funcionamento da sua organização, na sua capacidade de iniciativa, no apoio dos trabalhadores e do povo é a mais sólida garantia da sua independência orgânica, política e ideológica, da sua natureza de classe como Partido da classe operária e de todos os trabalhadores.
É, por isso, essencial que a par da dinamização da Campanha «Um Dia de Salário para o Partido» prossigam linhas de trabalho com vista ao aumento das receitas próprias do Partido, nomeadamente com a dinamização de iniciativas de convívio e outras, a difusão e venda da imprensa do Partido, a atenção às contribuições de eleitos do Partido em cargos públicos, a recolha de contribuições especiais de militantes e simpatizantes e, muito em especial, o pagamento da quotização, pelo vínculo e compromisso de cada um com o Partido, procurando elevar o seu valor médio e o número de membros do Partido com a quota em dia.
Condição para o reforço do PCP
O aumento da capacidade financeira do PCP é condição essencial para o seu reforço orgânico, é garantia de que temos Partido pronto para intervir quaisquer que sejam as circunstâncias em que for chamado a fazê-lo, de que temos um Partido mais forte para continuar a luta.
Uma intervenção e luta que reclama o reforço da militância comunista e o reforço do Partido em todas as suas dimensões, que exige que se intensifique a acção Avante! por um PCP Mais Forte, particularmente na responsabilização de quadros, no recrutamento e integração de novos militantes, na intervenção junto da classe operária e dos trabalhadores nas empresas e locais de trabalho, no trabalho de informação e propaganda e na difusão da imprensa partidária e na política de fundos.
Não se devem, contudo, desvalorizar as dificuldades que as consequências concretas das medidas que dão corpo ao pacto de agressão acrescentam à vida dos trabalhadores e do povo português e onde se inserem medidas como o roubo nos subsídios de férias e de Natal, as alterações na legislação laboral, o aumento de muitos bens essenciais como os transportes, as taxas moderadoras, o gás e a electricidade.
Mas estas dificuldades não devem ser confundidas com impossibilidades e a capacidade de iniciativa do Partido não deve ficar tolhida, antes exigir um redobrado esforço e de audácia, de alargamento da acção de contacto e de planificação da intervenção.
É neste quadro em que é necessário intensificar a luta para rejeitar o pacto de agressão assinado por PS, PSD e CDS com a UE/FMI, para afirmar direitos dos trabalhadores e do povo, para defender a soberania e o futuro de Portugal, para abrir caminho a uma ruptura com a política de direita e concretizar uma política patriótica e de esquerda, por uma democracia avançada, pelo socialismo para Portugal que o PCP apela a todos os seus militantes, aos amigos do Partido, a democratas e patriotas, para que possam de acordo com as suas possibilidades contribuir com um dia de salário, ou outro valor que julguem adequado, para reforçar o PCP e a luta dos trabalhadores e do povo português.