Um dia de salário para o Partido

Alexandre Araújo (Membro do Secretariado)

A re­a­li­zação da cam­panha «Um Dia de Sa­lário para o Par­tido», a de­sen­volver até ao final do ano, as­sume no ac­tual quadro uma im­por­tância acres­cida e é parte in­te­grante do es­forço mais geral de re­forço da or­ga­ni­zação par­ti­dária e da sua acção e in­ter­venção para fazer face à ofen­siva de ajuste de contas com a Re­vo­lução de Abril e na luta pela re­jeição do pacto de agressão.

A in­de­pen­dência fi­nan­ceira é uma só­lida ga­rantia de in­de­pen­dência po­lí­tica

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O êxito da cam­panha de «Um Dia de Sa­lário para o Par­tido» de­pen­derá em larga es­cala da ca­pa­ci­dade de en­volver todo o Par­tido, todos os seus mi­li­tantes e or­ga­ni­za­ções, na sua pla­ni­fi­cação e con­cre­ti­zação. Como a ex­pe­ri­ência de anos an­te­ri­ores tem de­mons­trado, a cam­panha irá tanto mais longe quanto maior for o seu ca­rácter alar­gado e de massas, não per­mi­tindo que fique cir­cuns­crita ao nú­cleo mais ac­tivo do Par­tido, antes le­vando o apelo à con­tri­buição a muitos mi­lhares de mem­bros do Par­tido e a muitos ou­tros de­mo­cratas que re­co­nhecem o papel in­subs­ti­tuível e in­dis­pen­sável do PCP.

Tendo em conta o quadro po­lí­tico e so­cial em que a cam­panha de­cor­rerá, é fun­da­mental a sua in­serção na acção geral do Par­tido, na di­na­mi­zação da sua ini­ci­a­tiva po­lí­tica e da luta dos tra­ba­lha­dores e das po­pu­la­ções. Esta cam­panha não po­derá ficar por um apelo geral, antes terá de en­volver todo o con­junto da or­ga­ni­zação par­ti­dária aos vá­rios ní­veis, alar­gando o nú­mero de qua­dros en­vol­vidos na sua di­na­mi­zação e não se li­mi­tando às es­tru­turas para o tra­balho de fundos.

O êxito da cam­panha exige que em cada or­ga­ni­zação ela seja pla­ni­fi­cada, sejam de­fi­nidas as res­pon­sa­bi­li­dades que a cam­panha im­plica, seja feito o con­trole re­gular do seu an­da­mento, sejam tra­çados ob­jec­tivos con­cretos para os con­tactos a re­a­lizar e metas no plano fi­nan­ceiro a atingir.

O êxito da cam­panha exige que sejam de­fi­nidas as ini­ci­a­tivas que lhe darão corpo e que o postal de apelo à con­tri­buição tenha a mais ampla di­fusão pos­sível, mas so­bre­tudo que cada um as­suma como sua a res­pon­sa­bi­li­dade de con­tri­buir e de levar mais longe a com­pre­ensão para a im­por­tância desta ini­ci­a­tiva.

A Cam­panha «Um Dia de Sa­lário para o Par­tido» tem como ob­jec­tivo a re­a­li­zação de re­ceitas para dar su­porte à in­tensa ac­ti­vi­dade do Par­tido, de au­mentar a sua ca­pa­ci­dade fi­nan­ceira e de con­tri­buir para atingir o equi­lí­brio fi­nan­ceiro em cada uma das suas or­ga­ni­za­ções.

O re­forço da ca­pa­ci­dade fi­nan­ceira do PCP, as­se­gu­rando o seu fi­nan­ci­a­mento na base de meios pró­prios as­sente na mi­li­tância, no fun­ci­o­na­mento da sua or­ga­ni­zação, na sua ca­pa­ci­dade de ini­ci­a­tiva, no apoio dos tra­ba­lha­dores e do povo é a mais só­lida ga­rantia da sua in­de­pen­dência or­gâ­nica, po­lí­tica e ide­o­ló­gica, da sua na­tu­reza de classe como Par­tido da classe ope­rária e de todos os tra­ba­lha­dores.

É, por isso, es­sen­cial que a par da di­na­mi­zação da Cam­panha «Um Dia de Sa­lário para o Par­tido» pros­sigam li­nhas de tra­balho com vista ao au­mento das re­ceitas pró­prias do Par­tido, no­me­a­da­mente com a di­na­mi­zação de ini­ci­a­tivas de con­vívio e ou­tras, a di­fusão e venda da im­prensa do Par­tido, a atenção às con­tri­bui­ções de eleitos do Par­tido em cargos pú­blicos, a re­colha de con­tri­bui­ções es­pe­ciais de mi­li­tantes e sim­pa­ti­zantes e, muito em es­pe­cial, o pa­ga­mento da quo­ti­zação, pelo vín­culo e com­pro­misso de cada um com o Par­tido, pro­cu­rando elevar o seu valor médio e o nú­mero de mem­bros do Par­tido com a quota em dia.

 

Con­dição para o re­forço do PCP

 

O au­mento da ca­pa­ci­dade fi­nan­ceira do PCP é con­dição es­sen­cial para o seu re­forço or­gâ­nico, é ga­rantia de que temos Par­tido pronto para in­tervir quais­quer que sejam as cir­cuns­tân­cias em que for cha­mado a fazê-lo, de que temos um Par­tido mais forte para con­ti­nuar a luta.

Uma in­ter­venção e luta que re­clama o re­forço da mi­li­tância co­mu­nista e o re­forço do Par­tido em todas as suas di­men­sões, que exige que se in­ten­si­fique a acção Avante! por um PCP Mais Forte, par­ti­cu­lar­mente na res­pon­sa­bi­li­zação de qua­dros, no re­cru­ta­mento e in­te­gração de novos mi­li­tantes, na in­ter­venção junto da classe ope­rária e dos tra­ba­lha­dores nas em­presas e lo­cais de tra­balho, no tra­balho de in­for­mação e pro­pa­ganda e na di­fusão da im­prensa par­ti­dária e na po­lí­tica de fundos.

Não se devem, con­tudo, des­va­lo­rizar as di­fi­cul­dades que as con­sequên­cias con­cretas das me­didas que dão corpo ao pacto de agressão acres­centam à vida dos tra­ba­lha­dores e do povo por­tu­guês e onde se in­serem me­didas como o roubo nos sub­sí­dios de fé­rias e de Natal, as al­te­ra­ções na le­gis­lação la­boral, o au­mento de muitos bens es­sen­ciais como os trans­portes, as taxas mo­de­ra­doras, o gás e a elec­tri­ci­dade.

Mas estas di­fi­cul­dades não devem ser con­fun­didas com im­pos­si­bi­li­dades e a ca­pa­ci­dade de ini­ci­a­tiva do Par­tido não deve ficar to­lhida, antes exigir um re­do­brado es­forço e de au­dácia, de alar­ga­mento da acção de con­tacto e de pla­ni­fi­cação da in­ter­venção.

É neste quadro em que é ne­ces­sário in­ten­si­ficar a luta para re­jeitar o pacto de agressão as­si­nado por PS, PSD e CDS com a UE/​FMI, para afirmar di­reitos dos tra­ba­lha­dores e do povo, para de­fender a so­be­rania e o fu­turo de Por­tugal, para abrir ca­minho a uma rup­tura com a po­lí­tica de di­reita e con­cre­tizar uma po­lí­tica pa­trió­tica e de es­querda, por uma de­mo­cracia avan­çada, pelo so­ci­a­lismo para Por­tugal que o PCP apela a todos os seus mi­li­tantes, aos amigos do Par­tido, a de­mo­cratas e pa­tri­otas, para que possam de acordo com as suas pos­si­bi­li­dades con­tri­buir com um dia de sa­lário, ou outro valor que jul­guem ade­quado, para re­forçar o PCP e a luta dos tra­ba­lha­dores e do povo por­tu­guês.



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