O TEMPO É DE LUTA

«É preparando-se para a luta – e lutando – que o Partido se reforça»

Comecemos pela dívida. Ou melhor: pelos juros da dívida.

Na intervenção proferida no encerramento da VII Assembleia da Organização Regional de Lisboa, o secretário-geral do PCP revelou que, «em resposta ao nosso insistente questionamento ao Governo, soubemos que o valor dos juros a pagar pelo País é de 34, 4 mil milhões de euros» -aos quais há que somar os 665 milhões cobrados pelas comissões.

De tudo isso resulta que, como sublinhou Jerónimo de Sousa, a troika nacional pediu emprestados «78 mil milhões de euros e o país e o povo vão pagar mais de 110 mil milhões!».

E chamam a isto «ajuda»!...

Na verdade, trata-se de uma operação de desavergonhada agiotagem aceite pelos três partidos que há mais de 35 anos estão no poder e que, com isto e agora, vêm dar mais um perigoso passo no afundamento de Portugal e mais uma brutal machadada nas condições de vida dos trabalhadores e do povo – o que, «inevitavelmente, se traduzirá em mais redução da capacidade produtiva do País e no definhamento da nossa capacidade de nos afirmarmos como um país soberano».

A invocação, pelo PS, o PSD e o CDS, do «interesse nacional» para justificar o pacto de agressão não passa de uma mistificação: na verdade, o que o interesse nacional – o verdadeiro interesse nacional e não o interesse dos grandes grupos económicos e financeiros - impõe é a rejeição desse pacto e a exigência de renegociação da dívida pública, envolvendo prazos, taxas de juro e montantes.

É esse, na situação actual, o único caminho capaz de travar de imediato o rumo para o abismo a que os partidos da política de direita condenaram o País.

 

O Orçamento do Estado para 2012 é bem a demonstração da violência das medidas contidas no pacto de agressão.

Com efeito, estamos perante um OE que, pondo a nu a natureza espoliadora e predadora do pacto que o determinou, tem como objectivo a devastação de tudo o que é fundamental no que diz respeito aos interesses dos trabalhadores, do povo e do País.

E o pacto de agressão, insista-se, foi aprovado pelo PS, pelo PSD e pelo CDS – partidos que, agora, tudo fazem para encobrir as suas responsabilidades e iludirem os reais objectivos das suas opções e das suas políticas.

O PS, em clara manobra de sacudir a água do capote em relação à situação, anunciou já a decisão de se abster no OE – aquilo a que António José Seguro chamou uma «abstenção violenta»..., dizendo tudo ao dizer que «este não é o meu Orçamento, mas Portugal é o meu país»...

De facto, o que o PS quer fazer passar cá para fora é que se opõe a este OE – e o que não quer que se saiba é que este OE é o que o PS faria se fosse Governo.

Que não haja dúvidas: PS, PSD e CDS estiveram unidos na assinatura do pacto de agressão e estão unidos na aplicação das suas decisões.

Estamos, assim, perante uma situação que urge inverter, sendo claro que não só Portugal não está condenado ao definhamento, como com uma política patriótica e de esquerda é possível um País mais desenvolvido, justo e soberano. Basta para isso, como o PCP tem vindo a acentuar, uma mudança de política, a substituição da política de direita e antipatriótica, de afundamento nacional, por uma política patriótica e de esquerda que tenha como objectivos o desenvolvimento económico, a promoção da produção nacional e do emprego, a elevação das condições de vida dos trabalhadores e das populações, a defesa e promoção do interesses público e dos direitos dos cidadãos, a defesa do sector empresarial do estado nos sectores básicos e estratégicos, o apoio efectivo às micro, pequenas e médias empresas, a defesa da soberania nacional.

 

Tal objectivo só é alcançável através da luta de massas – de muitas, intensas e participadas lutas dos trabalhadores organizados nas suas estruturas representativas; de muitas, intensas e participadas lutas das populações mobilizadas pelas suas comissões de utentes.

Daqui saudamos todas as lutas em curso, por parte dos trabalhadores e das populações, designadamente a luta em defesa do sector público dos transportes – gravemente ameaçado pelo conjunto de medidas restritivas, ao nível da oferta e dos custos de utilização, anunciadas pelo Governo - luta que está a ser levada a cabo pelos trabalhadores deste sector, com adesões massivas.

Daqui saudamos, as lutas anunciadas para os próximos dias e semanas, designadamente a manifestação dos trabalhadores da Administração Pública do próximo sábado.

Daqui saudamos a Greve Geral de 24 de Novembro que, tudo o indica, virá a constituir um momento alto da acção das massas trabalhadoras e cuja construção é hoje a tarefa principal que se coloca ao colectivo partidário comunista – um colectivo que tem vindo a desenvolver intensa e diversificada actividade, a confirmar o papel singular e determinante do PCP no combate à política de direita e por uma alternativa política e uma política alternativa.

Daí a feroz ofensiva anti-comunista em curso, cozinhada com os habituais ingredientes, difundida pelos mesmos de sempre e a evidenciar que os seus protagonistas identificam o PCP como o obstáculo essencial à concretização dos objectivos do grande capital, dos partidos que o representam e dos propagandistas que o servem.

Mas o PCP, hoje como ao longo de nove décadas, assume frontalmente as suas responsabilidades. Luta, reforça-se, luta, como ficou demonstrado nas recentes assembleias das organizações de Guarda e Lisboa.

Sublinhe-se a tónica dada pela Assembleia da ORL na necessidade de reforçar o Partido junto da classe operária e dos restantes trabalhadores.

A confirmar que é preparando-se para a luta - e lutando – que o Partido se reforça.