Na quinta-feira, 27, os habitantes do concelho de Avis protestaram junto ao Hospital de Portalegre contra o fecho das extensões de Saúde e a redução dos horários dos centros de Saúde. A acção foi promovida pela Câmara Municipal, que disponibilizou vários autocarros para os manifestantes expressarem a sua indignação através de faixas e cartazes. «A Saúde não é um negócio» ou «A Saúde é um direito, sem ela nada feito» foram algumas das palavras de ordem que os habitantes de Avis entoaram durante o protesto.
Em declarações aos jornalistas, o presidente da autarquia, Manuel Coelho, recordou que, desde 1996, se tem assistido naquele concelho a uma «sucessão de cortes» na área da Saúde. «Preocupa-nos a situação que o distrito atravessa, pois vimos escolas a encerrar, a ameaça que paira no encerramento de serviços de Finanças, Segurança Social e qualquer dia não temos nada», alertou.
Manuel Coelho, que durante o protesto entregou à administração da Unidade Local de Saúde do Norte Alentejano (ULSNA) 2681 postais assinados por habitantes de Avis a contestar as medidas, lembrou ainda que aquele concelho é um dos mais isolados da região.
«Avis está numa ponta do distrito de Portalegre e, aliás, é curioso que a própria Entidade Reguladora da Saúde aponta Avis como um dos 25 concelhos a nível nacional que está a uma hora ou mais do hospital mais próximo e obviamente isto é inimigo de qualquer estratégia de desenvolvimento, de fixação de população», declarou.
Medidas irracionais
Na terça-feira, treze extensões de Saúde, em cinco concelhos do distrito de Portalegre, encerraram. O concelho de Nisa é o mais afectado ao ver fechar as portas das extensões de Saúde de Arez, Monte Claro, Salavessa, Pé da Serra e Velada.
No concelho de Marvão foram encerradas as extensões de Saúde de Escusa, Galegos e Alvarrões, e no concelho do Crato a extensão de Pisão, ao passo que Campo Maior ficará sem a extensão de Ouguela e o concelho de Avis sem as extensões de Maranhão, Valongo e Alcórrego. A medida é baseada no Despacho n.º 7/2011 do ministro da Saúde.
Por outro lado, dez centros de Saúde do distrito de Portalegre tiveram uma redução de horários de funcionamento, tendo por base o facto de estarem inseridos em zonas com menos de sete mil utentes.
A medida abrange os centros de Saúde de Castelo de Vide, Marvão, Alter do Chão, Crato, Gavião, Avis, Fronteira, Sousel, Arronches e Monforte.
«Ataque cerrado» ao Alentejo
Na segunda-feira, dezenas de pessoas, vindas de vários pontos do Alentejo, manifestaram-se contra o «ataque cerrado» dos sucessivos governos ao Serviço Nacional de Saúde (SNS). Além das muitas palavras de ordem e cartazes presentes no protesto, a concentração, frente à Administração Regional de Saúde do Alentejo, incluiu o transporte de um caixão, simbolizando o enterro da Saúde.
Na iniciativa, organizada pelo Movimento de Utentes do SNS do Distrito de Évora, em conjunto com os movimentos dos distritos de Beja, Portalegre e Litoral Alentejano, foi aprovada, por unanimidade, uma declaração onde se revela que o Alentejo, como no resto do País, «tem vindo a ser fustigado com medidas que contribuem ainda mais para o isolamento das populações».
«A luta das populações em defesa dos serviços públicos insere-se na luta mais global dos trabalhadores e das populações, pois a ofensiva do actual Governo é de uma dimensão muito vasta, logo não podemos isolar este ou aquele sector. É pois necessário que todos se empenhem e participem activamente na greve geral marcada para o dia 24 de Novembro», disse Silvia Santos, do Movimento de Utentes.